domingo, 17 de novembro de 2013

Pluripartidarismo dos escândalos inibe o discurso ético na campanha de 2014

Pluripartidarismo dos escândalos inibe o discurso ético na campanha de 2014 


Josias de Souza

AngeliEtica
Há escândalos demais no noticiário. São tantos e tão disseminados que recomendariam a conversão da ética num tema obrigatório da campanha eleitoral. Prevê-se, porém, o oposto. Os comandos dos principais partidos não cogitam, por ora, priorizar o assunto em 2014. Deve-se o fenômeno ao receio de que a disputa se converta numa espécie de gincana dos sujos contra os mal lavados.
Sob o argumento de que o mensalão não impediu a reeleição de Lula em 2006 e a eleição de Dilma Rousseff em 2010, o PSDB do presidenciável Aécio Neves hesita em adicionar a prisão dos mensaleiros petistas ao seu arsenal de marketing. Atrás da tese da inutilidade esconde-se, em verdade, o medo do troco.
Afora o mensalão do tucanato mineiro, ainda pendente de julgamento no STF, o PT estoca em seu paiol dados sobre o derretimento moral do PSDB de São Paulo. No mesmo dia em que José Dirceu e José Genoino se entregavam à PF, descobriu-se que a Justiça da Suíça condenara por lavagem de dinheiro o ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), José Roberto Zaniboni.
Acusado de receber numa conta aberta em banco suíço propinas de R$ 1,84 milhão da Alstom, Zaniboni atuou nos governos tucanos de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. O generalato do PSDB paulista reage à moda Lula: ninguém sabia. Ao caso da Alstom, soma-se a autodenúncia da Simens sobre a formação de cartel para fraudar licitações de trens e metrôs em São Paulo.
Contra o governador tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, o PT empina o nome do ministro Alexandre Padilha (Saúde). O partido equipava-se para esfregar a Alstom e a Siemens na reputação do rival. De repente, estourou no colo do prefeito petista Fernando Haddad o caso da máfia dos fiscais que mastigaram pelo menos R$ 500 milhões da coleta de ISS do município.
Quando Haddad agia para empurrar a encrenca para dentro da biografia do antecessor Gilberto Kassab (PSD), amigo e herdeiro do tucano José Serra na prefeitura paulistana, o nome do secretário de Governo petista Antonio Donato soou com frequência incômoda nos diálogos vadios dos gampos telefônicos e nos depoimentos de fiscais enrolados. Donato recebeu R$ 200 mil, disse a ex-namorada de um fiscal. Ele recebia mesada, depôs um dos investigados, forçando o homem forte de Haddad a renunciar.
O ‘efeito sujo versus mal lavado’ já havia permeado a campanha municipal de 2012. Num debate televisivo ocorrido em 3 de agosto, uma das jornalistas escaladas para inquirir os candidatos alvejou Fernando Haddad com uma pergunta sobre o mensalão e a aliança aética que firmara com o PP do ex-inimigo Paulo Maluf. “Eu e a presidenta Dilma fomos convocados no auge da crise política de 2005 para ocupar cargos importantes”, escorregou Haddad.
Abstendo-se de defender os companheiros, à época presidiários esperando para acontecer, Haddad apresentou-se como parte da solução, não do problema. Sob Lula, Dilma fora convocada para arrumar a Casa Civil que José Dirceu bagunçara. E Haddad assumira na pasta da Educação a cadeira de Tarso Genro, despachado por Lula para a presidência de um PT em chamas. Eis a sua tese: foi tão bem como ministro que Lula enxergou nele um personagem apto a encarnar “a renovação nos ares da política nacional”.
Como Haddad saltara Maluf na sua resposta, a então candidata Soninha Francine, que representava o PPS na disputa, foi fulminantemente breve numa pergunta que lhe coube dirigir ao rival do PT por sorteio: “E o Maluf, Haddad?” O pupilo de Lula defendeu-se apontando para a falta de asseio das outras coligações.
“Não gosto de fulanizar a política”, disse Haddad, antes de dar nome aos bois. “Poderia falar que o Celso Russomanno [aliado ao PTB] é apoiado pelo Roberto Jefferson, que o José Serra [enganchado ao PR] é apoiado por Valdemar Costa Neto. Poderia fazer ilação contra basicamente todo mundo que está aqui. [...] Quem tem que explicar apoio é quem deu. Estou recebendo o apoio do PP.”
Em tese, as fragilidades éticas de PSDB e PT tonificam o projeto presidencial de Eduardo Campos (PSB), já vitaminado pela aliança com Marina Silva. Mas a vitamina é apenas teórica. Campos e Marina eram ministros de Lula quando Roberto Jefferson levou o mensalão às manchetes, em 2005. Não ocorreu a nenhum dos dois tomar distância do governo.
Em 20 de setembro de 2012, quando os ministros do STF impunham as primeiras condenações aos mensaleiros, Eduardo Campos imprimiu suas digitais num manifesto em que o PT acusava a oposição e a mídia de transformar o mensalão num “julgamento político, golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula”. Depois de assinar essa peça, ficou mais complicado para o neoaliado de Marina enrolar-se na bandeira da decência na política.
Candidata ao Planalto pelo PV na sucessão de 2010, a ex-petista Marina foi inquirida sobre o mensalão numa entrevista dada na bancada do Jornal Nacional. Por que não deixou o PT na época do mensalão?
Algo desconcertada, ela disse que não fora conivente nem silenciara. Condenara os malfeitos, mas “não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar minha voz”.
Os entrevistadores insistiram: Por que não se demitiu nessa ocasião do Ministério do Meio Ambiente?
Marina tentou desviar-se do tema. Pôs-se a discorrer sobre a falsa dicotomia entre desenvolvimento e preservação ambiental. Chamada de volta ao tema da pergunta, saiu-se assim:
”Eu permaneci e fiquei indignada.”
De resto, o mesmo Eduardo Campos que agora adere à pregação de Marina por uma “nova política”, está a caminho de concluir seu segundo mandato como governador de Pernambuco enganchado a um conclomerado partidário de 14 siglas. A aliança inclui legendas como o PR do deputado pernambucano Inocêncio Oliveira e o PP do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti.
Inocêncio, um ex-pefelê que se alojou no PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, carrega na biografia o uso do Departamento Nacional de Obras contra a Seca, o Dnocs, para cavar poços em dois empreendimentos de sua propriedade – uma clínica médica e uma revendedora  de motocicletas.
Severino, outro ex-pefelê, esse alojado no PP de Paulo Maluf, teve de renunciar ao mandato de deputado federal quando se descobriu que cobrava ‘mensalinho’ de um concessionário de restaurante na Câmara. Hoje, para adensar seu tempo de propaganda na tevê, Campos cobiça o apoio do PDT de Carlos Lupi, uma legenda que converteu o Ministério do Trabalho em ninho de ONGs desonestas.
Após varrer Lupi do ministério na pseudofaxina de 2011, Dilma também disputa o apoio do PDT. Nesta semana, a recandidata receberá a adesão do PSD de Kassab. O mesmo Kassab que, em São Paulo, o petista Haddad acusa de ter conduzido a prefeitura à desordem.
Na última quarta-feira, ao votar na sessão em que o STF decidiu deflagrar a execução das penas do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso fez uma alusão à atmosfera conspurcada. “No tocante à política, os fatos se apressaram em confirmar o que eu disse no primeiro dia de julgamento dos embargos de declaração: a corrupção não tem partidos e é um mal em si.”
Barroso prosseguiu: “Nesses poucos meses, explodiram escândalos em um Ministério (as ONGs da pasta do Trabalho, sob o PDT), em um importante Estado da Federação (o cartel da Siemens e as propinas da Alstom, sob o PSDB paulista) e em uma importante prefeitura municipal (a máfia dos fiscais paulistanos, sob PT e PSD). A mistura é a de sempre: uma fatia para o bolso e outra para o financiamento eleitoral.”
Difícil discordar de Barroso nesse ponto. O pior é que o eleitor que for buscar no discurso dos partidos os parâmetros éticos para tomar suas decisões em 2014 arrisca-se a tirar confusões por contra própria.

sábado, 16 de novembro de 2013

Ford tem três entre os dez carros mais vendidos no mundo

Ford tem três entre os dez carros mais vendidos no mundo

Joel Leite

Os 10 carros mais vendidos do mundo10 fotos

10 / 10
10º - Volkswagen Polo: a foto é do modelo vendido em boa parte do mundo; o "nosso" Polo, uma geração atrasado e com vendas em queda, também entra na conta, ainda que não ajude muito - 511.231 unidades

Levantamento feito pela Focus2Move considerando emplacamentos globais entre janeiro e setembro de 2013 EFE
- Corolla é o líder: vendeu 842 mil unidades de janeiro a setembro, contra 815.456 do Focus.
O Corolla é o carro mais vendido no mundo, com 842.507 unidades de janeiro a setembro, mas foi a Ford a marca que mais colocou modelos no ranking mundial.
A marca estadunidense tem três entre os dez modelos preferidos do consumidor. O Focus é o segundo colocado no ranking, com vendas de 815.456 unidades, a picape F está em terceiro lugar (veja quadro), com 657.767 e o Fiesta em nono (517.020).
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A Toyota tem dois carros no topo do ranking: além do líder tem o sedã Camry em quinto lugar, com 593.040 unidades; a Volkswagen colocou o Gol na oitava posição e o Polo na décima e outras três marcas têm um modelo cada na lista: o Elantra, da Hyundai, é o quarto colocado; o Cruze, da GM, é o sexto e o utilitário esportivo CRV, da Honda é o sétimo.
Os EUA dominam o ranking, com quatro modelos; os japoneses têm três, os europeus dois e os coreanos um.
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Briga de gigantes
Depois de muitos anos na liderança o Corolla foi suplantado pelo Focus no ano passado e em 2013 os dois estão na briga. A diferença entre eles é de apenas 27 mil unidades no período janeiro-setembro.
O carro da Ford fechou o primeiro semestre na frente, posição contestada pela Toyota na época, alegando que a consultoria Polk, fornecedora dos dados, não computa as vendas em alguns pequenos mercados onde a Toyota está presente. A consultoria dava a liderança para o Focus com 589.709 unidades no primeiro semestre e a Toyota rebatia com 590.760 unidades para o Corolla.
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Segundo a Focus2move, até setembro o Corolla está na frente, mas como a diferença é pequena, a liderança não está garantida. Vai depender do desempenho nos dois últimos meses do ano e de um levantamento confiável, que seja aceito pelas duas montadoras.

Brasil é o segundo país mais favorável a privatizações na América Latina

Brasil é o segundo país mais favorável a privatizações na América Latina 

Sílvio Guedes Crespo
O Brasil é o segundo país da América Latina cuja população mais apoia a privatização de empresas estatais, segundo a mais recente edição do Latinobarômetro, uma pesquisa anual sobre democracia e economia.
No total, 44% dos brasileiros entrevistados disseram que estão “de acordo” ou “muito de acordo”, com a ideia de que as privatizações de empresas estatais beneficiaram o país. Somente os equatorianos se mostraram mais favoráveis, com 57% da população endossando a desestatização.
privatizacao america latina latinobarometro opiniao achados economicos 1
Quando perguntados quanto à satisfação com os serviços públicos privatizados, os brasileiros continuam em segundo: 37% disseram ter ficado “mais satisfeitos” ou “muito mais satisfeitos” com os serviços privatizados. No Equador, 59% afirmaram isso.
A pesquisa dá uma ideia de como está a opinião pública num momento em que o governo toca um programa de privatização da infraestrutura e em que a questão do grau de intervenção do Estado na economia se torna central.
Importante notar que, embora o Brasil apareça em segundo lugar no ranking, somente no primeiro, o Equador, mais de 50% da população apoia privatizações.
No final dos anos 1990, quando diversas nações latino-americanas implementavam seus programas de desestatização, esse tipo de medida era bem mais popular.
Em 1998, a privatização era apoiada por pelo menos 50% da população em países como Brasil, México, Chile e Venezuela.
A Guatemala foi a nação em que a venda de estatais mais perdeu adesão: 61% da população apoiava essa medida em 1998, contra 28% hoje.
privatizacao america latina latinobarometro opiniao achados economicos 1998
Desde 1998, o percentual de brasileiros favoráveis à privatização é superior à média simples da América Latina. No Brasil e no restante da região, o apoio caiu a partir daquele ano, de modo que em 2003, quando Lula assumiu a Presidência do país, apenas 33% da população endossava esse tipo de medida.
O apoio à desestatização voltou aos poucos e atingiu novo pico em 2009, com 50% de respostas favoráveis – curiosamente, um ano antes da eleição que levou Dilma Rousseff ao Planalto.
privatizacao america latina latinobarometro achados economicos serie temporal

Cinco maiores bancos da América Latina são brasileiros, diz estudo

Cinco maiores bancos da América Latina são brasileiros, diz estudo 

Sílvio Guedes Crespo


O Banco do Brasil superou o Itaú e se tornou o maior banco da América Latina, segundo uma pesquisa do site britânico The Banker, que pertence ao grupo que publica o jornal “Financial Times”.
As cinco primeiras instituições financeiras do ranking são brasileiras: BB, Itaú, Bradesco, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal.
O levantamento usa como referência para medir o tamanho dos bancos um indicador chamado “tier 1”, que reúne apenas os ativos de melhor qualidade de cada instituição financeira.

MAIORES BANCOS DA AMÉRICA LATINA

BancoCapital tier 1 (US$ bi)Ativos totais (US$ bi)Lucro antes dos
impostos (US$ bi,
em 2012)
Banco do Brasil36,35557,5
Itaú35,24969,8
Bradesco32,33917,6
Santander Brasil31,92062,7
Caixa Econômica Federal13,83472,3
  • Fonte: The Banker
Os dados do site The Banker nem sempre batem com os rankings comuns, que medem o total de ativos. Por exemplo, a Caixa Econômica Federal tem um total de ativos maior que o do Santander Brasil. No entanto, aparece em posição inferior no ranking de capital “tier 1″.
Outro dado a ser observado é que o lucro dos bancos nem sempre significa aumento do capital de qualidade. O Banco do Brasil lucrou menos que o Itaú, mas o capital “tier 1″ do primeiro avançou 12,3% em um ano, enquanto o do segundo subiu 7,9%.
Lucro
O Banco do Brasil lucrou R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2013, o que representa uma ligeira queda de 0,9% em relação ao verificado um ano antes.
Já o Itaú teve o maior lucro de sua história. No terceiro trimestre, ganhou R$ 4 bilhões. Deve-se considerar que os dados do site The Banker se referem ao ano de 2012, por isso não captam a boa performance do Itaú em 2013. No trimestre passado, o banco não só aumentou seu lucro como reduziu o nível de inadimplência dos seus clientes e com isso gastou menor com provisões.
Ganhos com juros
Os maiores bancos brasileiros estão entre os que mais ganham com juros no mundo. Um levantamento anterior feito pelo mesmo site mostrou que o Itaú é o 13º do planeta nesse quesito, apesar de ser só o 39º em tamanho (pela medida de de “tier 1″). O BB aparece em 14º no ranking de juros (36º no de capital “tier 1″), enquanto o Bradesco está em 16º (42º em tamanho).
O fato de que os três bancos ocupam uma posição bem mais alta no ranking de juros do que no de capital sugere que os ganhos dessas instituições com empréstimos são desproporcionais ao tamanho delas, se compararmos com concorrentes do exterior.
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História dos bancos no Brasil32 fotos

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A Casa dos Contos abrigou a sede do Banco do Brasil de 1815 a 1829, sendo demolida em 1870 Leia mais Acervo Arquivo Histórico do Banco do Brasil

Apoio ao capitalismo aumenta entre brasileiros, mas com políticas sociais

Apoio ao capitalismo aumenta entre brasileiros, mas com políticas sociais 

Sílvio Guedes Crespo
dolar reuters

A mais recente edição do Latinobarômetro mostrou um aumento do apoio dos brasileiros à economia de mercado, ou seja, ao capitalismo. Ao mesmo tempo, a maior parte dos pesquisados vê o Estado como uma entidade capaz de acabar com grande parte da pobreza, senão toda ela.
Em texto anterior, este blog informou que o apoio à privatização, entre os brasileiros, é o segundo maior da América Latina.
Os dados sugerem que a população apoia um equilíbrio na relação entre Estado e mercado. A maioria (63%) acredita que as empresas privadas são indispensáveis para o desenvolvimento do país. Por outro lado, 77% confiam na capacidade estatal de combater a pobreza.
Veja abaixo alguns dos resultados da pesquisa.
Apoio ao capitalismo
O apoio da população à economia de mercado atingiu o maior nível desde 2005.
latinobarometro economia de mercado achados economicos
Políticas sociais
A população brasileira é a segunda da América Latina entre as que mais confiam na capacidade do Estado de resolver grande parte da pobreza, senão toda ela.
Do total de entrevistados, 77% disseram que o poder público é capaz de combater totalmente ou grande parte desse problema. Somente no Paraguai o otimismo com essa capacidade do Estado é maior.
pobreza latinobarometro achados economicos

Análise: economia brasileira interrompe ritmo de retomada


Sílvio Guedes Crespo
industria folhapress rafael andrade
Os dados que o Banco Central divulgou hoje (14) sobre a economia brasileira são capazes de agradar ao mesmo tempo gregos e troianos – e desagradar a ambos, também, como se pode notar nos comentários da notícia.
Os números do IBC-Br, um indicador que tenta antecipar o cálculo do PIB (produto interno bruto), indicam que a economia brasileira caiu 0,12% no terceiro trimestre em relação ao segundo.
Ao mesmo tempo, apontam que a economia cresceu 2,32% no terceiro trimestre em comparação com um ano antes.
O primeiro número cai como uma luva para os colecionadores de más notícias. É o argumento perfeito para quem torce por uma catástrofe. No limite, pode parecer um sinal de que estamos próximos de entrar em uma recessão.
O segundo atende aos propósitos de quem crê indiscriminadamente na propaganda governista e no otimismo exagerado do ministro Guido Mantega (Fazenda).
Crescimento medíocre
Para quem está interessado em entender o que acontece no país e não tem paciência para tentar fazer uso partidário desses dados, minha sugestão é olhar para ambos os números e também para alguns outros.
Resumindo, o cenário que temos hoje é o seguinte:
  • no ano passado, a economia foi mal (cresceu apenas 0,9%);
  • durante o primeiro semestre deste ano, melhorou. No período de abril a junho, especialmente,surpreendeu muitos analistas ao crescer 1,5%, mais do que países como Coreia do Sul e México. Continuasse nesse ritmo, o PIB acumularia alta de 6,1% em um ano;
  • no terceiro trimestre, nossa economia perdeu vigor (caiu 0,12% em relação ao segundo trimestre), mas não tanto a ponto de voltarmos ao mau desempenho do ano passado (em comparação com o terceiro trimestre de 2012, produzimos 2,32% mais neste ano).
Enfim, o que esses e outros dados mostram é que este ano estamos com um desempenho econômico medíocre. Há os que se contentam com a mediocridade e os que querem fazê-la parecer sinônimo de desastre.
Em minha visão, o melhor é entender que não estamos bem e que temos um grande potencial de melhora. Falta, por exemplo, o governo trocar a ideia de se confrontar com investidores pela de combater o desperdício de gastos públicos.
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Veja quais são os presidentes que tiveram 'pibinho'8 fotos

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Desde 1948, quando o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil começou a ser medido, sete presidentes enfrentaram anos de "pibinho", quando a economia brasileira cresceu menos de 1%, parou, ou até diminuiu. Vejam quais são: Leia maisUOL

O homem subjugado pela paixão

O homem subjugado pela paixão 

Regina Navarro Lins
Ilustração: Lumi Mae
Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso do internauta que não sabe o que fazer com o filho que está sendo explorado por uma mulher e, por isso, dilapidando toda a herança da família.
Sempre ouvi histórias de homens que perderam tudo, ficaram na miséria tentando satisfazer todos os desejos da mulher amada. Elas exigiam apartamentos, jóias, casacos de pele, e eles nem titubeavam, compravam tudo para elas. As mulheres ‘respeitáveis’ observavam de longe e se perguntavam: “O que elas têm que eu não tenho?” E como o sexo devia ser contido para estas, era natural imaginarem que a resposta estava no prazer especial que as outras sabiam proporcionar aos homens. Mas será que o motivo dessa paixão obsessiva pode ser atribuído somente ao sexo? É pouco provável.
A ideia que se tem da mulher fatal é a de uma mulher atraente, tão irresistível que faz o homem abandonar tudo por sua causa e depois, então, acaba com ele, muitas vezes provocando tragédias. Dizem alguns que a “femme fatale” clássica se torna prostituta de categoria depois de ter sido abandonada por um namorado e dedica o resto da vida a se vingar nos homens que conhece. Mas não é sempre assim.
Na História encontramos muitos exemplos de mulheres fatais. A primeira e a mais competente de que se tem notícia parece ter sido mesmo Eva. Ao tentar Adão, teria provocado a desgraça, não só para ele, mas para todos nós. Outra bem prestigiada é Cleópatra. Ela seduziu de tal forma Marco Antônio, que quando Roma toda ficou contra ele o suicídio foi a única saída. Isso aconteceu há muito tempo, mas até hoje elas continuam por aí.
No início do século, algumas cortesãs se misturavam com a alta sociedade e era chique um jovem ser arruinado por uma delas. Quanto mais dilapidavam uma fortuna, mais eram valorizadas. Na Inglaterra, dizem que Eduardo VIII foi vítima dessa perigosa atração ao desistir do trono, em 1936, para se casar com uma divorciada americana. E há quem atribua à atração que Yoko Ono exerceu sobre John Lennon, na década de 70, o lamentável fim dos Beatles.
Mas, afinal, o que faz essas mulheres terem tanta força? Como conseguem dominar homens poderosos e submetê-los aos seus desejos? Talvez a explicação se encontre na forma como as crianças são educadas na nossa cultura. Desde cedo o homem é ensinado a não precisar da mãe para não ser chamado de maricas. Para isso, aprende a considerar a mulher inferior, a desprezá-la. Entretanto, essa atitude não passa de uma defesa por ter sido afastado da mãe quando ainda precisava de seus cuidados e carinho. A mulher, por sua vez, deve ser submissa ao homem, deixar que ele domine a relação e decida as coisas.
A mulher fatal, ao contrário, é forte, dominadora e habilmente induz o homem a fazer o que deseja. Desta forma, não é difícil ele se tornar dependente por encontrar nela a satisfação das necessidades reprimidas desde a infância: ser cuidado e dirigido por uma mulher. Com ela, pode se tornar menino, se sentir protegido. E é claro que sexualmente ela o satisfaz, já que não mede esforços para tê-lo nas mãos. A entrega dele é total.
Sem dúvida, a mulher fatal de hoje é bem diferente das suas antecessoras, mas o fascínio exercido sobre o homem que a deseja não é em nada menor. Dificilmente ele resiste, é capaz de qualquer loucura por ela.