quinta-feira, 18 de julho de 2013

Policiais presos em operação recebiam até R$ 300 mil de propina de traficantes


Eles são suspeitos de passar informações das investigações aos criminosos

Promotores fizeram buscas dentro da sede do Denarc nesta segunda-feira
Os policiais civis presos durante operação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil recebiam até R$ 300 mil de propina de traficantes por ano. A informação foi confirmada pelo promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) de Campinas, após coletiva de imprensa na sede da SSP (Secretaria de Segurança Pública), na tarde desta segunda-feira (16).
Até as 16 h de hoje, sete policiais já haviam sido presos. Destes, dois são delegados. Segundo o Ministério Público, foram expedidos pela Justiça 13 mandados de prisão, que devem ser cumpridos ainda nesta segunda-feira. Todos são policiais ou ex-policiais do Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos).
Um dos delegados detidos é o supervisor da unidade de investigações do Denarc, Clemente Castilhone Junior. Segundo seu advogado, João Batista Augusto Filho, não foi informado o motivo da prisão.
Os policiais investigados são suspeitos de roubo, corrupção e extorsão mediante sequestro. Durante esta manhã, promotores realizaram buscas dentro da sede do Denarc por cerca de quatro horas.

Nordeste concentra as cidades mais violentas para os jovens


Simões Filho (BA) e Rio Largo (AL) estão em primeiro no ranking, diz estudos

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A violência, que antes se concentrava nas capitais e regiões metropolitanas, migrou para o interior e para estados que até dez anos atrás registravam taxas de homicídio mais baixas. Mas a principal vítima continua a mesma: o homem jovem, de cor preta ou parda. Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2013 — Homicídios e Juventude no Brasil, do sociólogo Julio Jacobo.
O Nordeste, em especial Alagoas e Bahia, concentra as cidades mais violentas para os jovens brasileiros. Foram excluídas do levamento cidades com menos de 10 mil jovens, para evitar distorção nos dados. A cidade mais perigosa para os jovens é Simões Filho, na Bahia, com taxa de 378,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil.
Em segundo lugar, está Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió, com 324,1 assassinatos por 100 mil jovens. Em seguida está a própria capital alagoana, Maceió (288,1). Alagoas é, inclusive, o estado mais violento, com 156,4 homicídios para cada 100 mil jovens.
Fora do Nordeste, destacam-se negativamente Pará, Goiás e Paraná. Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, é a quarta cidade com maior taxa de homicídio entre os jovens: 286 por 100 mil. Em Goiás, a região mais perigosa é o entorno de Brasília. São Paulo é o estado menos violento para os jovens.
No Rio, há quatro cidades entre as cem piores: Duque de Caxias (135,2 assassinatos por 100 mil jovens), Macaé (119,1), Cabo Frio (115,1) e Nova Iguaçu (94,2). Em todo o Estado do Rio, foram 58 jovens assassinados em 2011 por 100 mil.
Para OMS, taxa é epidemia
Em 2011, em todo o Brasil, houve 27,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, número que pouco mudou em relação a 2010, quando a taxa foi de 27,5. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa é quase o dobro. Em 2011, de cada 100 mil jovens, 53,4 foram assassinados, um pouco abaixo dos 54,7 do ano anterior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera epidemia quando a taxa fica acima de dez casos por 100 mil pessoas.
Jacobo explicou que estados mais violentos há dez anos, como São Paulo, Rio e Pernambuco, tiveram mais investimentos em segurança. Outras regiões, onde surgiram novos polos de crescimento econômico, viram a criminalidade crescer. Além de atraírem mais pessoas, não se prepararam para o crescimento econômico e populacional dos últimos anos.
Entre as capitais, todas têm taxa acima da considerada epidêmica. Mesmo em São Paulo, onde os números são os mais baixos do país, houve 20,1 homicídios para cada 100 mil jovens em 2011. O Rio é a quinta capital menos violenta para os jovens: 41,4 assassinatos por 100 mil.
O estudo aponta também que o número de homicídios entre os jovens brancos caiu de 6.596 em 2002 para 3.973 em 2011. Entre os pretos e pardos, subiu de 11.321 para 13.405 no mesmo período. Segundo Jacobo, na Guerra do Iraque, entre 2004 e 2007, a taxa de mortes foi de 64,9 por 100 mil habitantes: ou seja, comparável com a taxa de várias cidades e estados brasileiros.
Em 2011, no país, foram 23,2 mortes no trânsito para cada 100 mil pessoas. Quando considerados apenas os jovens, a taxa sobe para 27,7.

Agora, o referendo


por Samuel Celestino
       
        O Congresso Nacional está a tentar enganar o grito das ruas. Determinou um “recessozinho branco” que começa hoje e termina no início de agosto. Tudo isso e mais alguma coisa combinado entre os líderes partidários, que já não escutam o eco das manifestações espontâneas que abalaram as grandes e médias cidades brasileiras em três semanas consecutivas no mês passado. O temor passou, pelo que se observa. Além do recesso, resolveram, ainda, depois das tentativas de mini-constituinte impossível e do plebiscito fracassado, lançar mão da terceira opção: o referendo.
 
        Os lideres congressistas tentarão, em agosto e setembro, costurar uma reforma política enganadora e apresentar ao eleitorado para que seja referendada. Desse modo, esperam que nas eleições do próximo ano possa estar inclusa no processo eleitoral. Será uma reforma, presume-se, ao gosto e de acordo com os interesses dos atuais partidos. Tudo isso foi construído de última hora, arrematado na terça feira, depois de projetos desencontrados e dificuldades para compor o grupo encarregado de “fabricar” a reforma, cuja coordenação ficará ao cargo do petista Vacarezza.
 
       Enquanto o Congresso cuidava dos seus interesses enganatórios, a presidente Dilma sofria novo abalo com a divulgação da pesquisa CNT-MDA, que apresentou uma queda significativa nas suas intenções de votos. Em apenas um mês caiu de 54,2% para 31,3%. Acendeu-se, o que, aliás, já havia acontecido com a pesquisa DataFolha, uma forte luz amarela no Palácio do Planalto com significado de sobressalto, não mais do que isso, porque embora seja certo (por ora) um segundo turno com Dilma, ela também ganharia no segundo em todos os cenários da pesquisa.
 
       O problema é como estancar a queda. A luz amarela é de tal sorte amedrontadora que o ministro da Educação, porta-voz atual de Dilma para todas as missões, inclusive política, Aloizio Mercadante, considerou-a como um fato superável. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na mesma linha, afirmou que a pesquisa “reflete um momento”. Ambos usaram o óbvio do óbvio porque pesquisa  sempre significou um resultado momentâneo. Assim como Dilma desabou em um mês, pode recuperar a perda mais adiante. Como os ministros não tinham o que dizer, lançaram mão deste conceito antigo sobre as consultas eleitorais.
 
        O problema da presidente não está na questão “momento”, e sim na situação que o Brasil atravessa, assistindo à sua economia capotar com o PIB descendo a ladeira e a inflação subindo. Além de as contas correntes desabarem, na medida em que o País não consegue exportar, perdendo para as importações, em consequência da desvalorização do Real.  O País está mais para a Argentina do que para um emergente. Não consta que a situação possa ter melhoras repentinas, ou em pouco tempo, porque os Estados Unidos estão em processo de crescimento. É natural, óbvio para usar novamente a palavra, que os investidores prefiram ficar por lá do que descerem para estes trópicos complicados de Congresso corrompido e de negócios escusos.
 
          Aliás, o ex-presidente Lula escreveu na terça um artigo publicado pelo New York Times. Primou pela egolatria e esqueceu que foi ele quem inventou Dilma Rousseff. Para justificar os protestos ocorridos em junho, escreveu lá um disparate no qual diz que os protestos que ocorreram por essas bandas “são reflexos dos sucessos do seu governo nos campos econômico, político e social”. Numa tradução do seu “inglês” (este que está aspeado, aparece mascarado de português), significa que o seu sucesso agora derrapa nos três campos por ele referidos. Então, ele não tem nada a ver com isso (e não tem mesmo) porque acontece no governo da presidente da qual ele é avalista das ações, enfim daquilo que faz.
 
          Com o Congresso em recesso, a presidente talvez respire aliviada porque não terá a aperreá-la a briga que se desenvolve no campo da sua base aliada, que pouco a pouco dela se afasta. Também, como explicam seus ministros sobre a pesquisa do CNT-MDA, pode ser que sim, pode ser que não. Os políticos raciocinam de acordo com seus interesses políticos e pessoais. Se o governo estiver bem e o fisiologismo azeitado, eles estarão sempre junto do poder. Caso contrário, eles se afastam. São essas as regras do jogo. Dilma não soube agradar, a economia desabou, a inflação cresceu, as manifestações explodiram e ela não sabe o que faz. Já os políticos profissionais...

Ator de "007" é encontrado morto no sul da Inglaterra, diz site




Paul Bhattacharjee, ator que participou do filme "007: Cassino Royale", foi encontrado morto na beira de um penhasco em Seaford, no sul da Inglaterra, na última sexta-feira (12). As informações são do site da revista "Variety". De acordo com o site da revista "The Hollywood Reporter", a polícia londrina achou o corpo na sexta, porém, apenas nesta quarta (17) a Scotland Yard confirmou que era do ator.
Os oficiais também afirmam que não há indícios de crime na morte.

Indícios de crime na morte.
O ator britânico estava desaparecido há uma semana, segundo informações da Scotland Yard. A polícia londrina, que abriu um inquérito para investigar o desaparecimento, havia afirmado que Bhattacharjee tinha sido visto pela última vez ao sair do teatro Royal Court, na Sloane Square, por volta das 18h do dia 10 de julho.  
De acordo com o site, o ator estava de bom humor logo após participar de um ensaio com a companhia de teatro. "Ele foi embora na quarta em ótimo estado de espírito, mas não apareceu para ensaiar no dia seguinte", declarou uma porta-voz do Royal Court, em comunicado.  

A Scotland Yard informou que o ator de 53 anos enviou uma mensagem para o celular de sua namorada por volta das 21h do dia 10, sendo esse seu último contato com alguém conhecido. Os policiais ainda descreveram o sumiço de Bhattacharjee como "totalmente atípico". Nascido em Redbridge, nordeste de Londres, o ator fez sua última aparição no cinema em "O exótico hotel Marigold" (2011) e, na TV, participou das séries "The East Enders" e "MI-5". (G1)

ESTUPRADOR É ENTERRADO VIVO COM CAIXÃO DA VÍTIMA POR CIMA.



Um jovem acusado de estuprar e matar uma mulher foi enterrado vivo na Bolívia por uma multidão em fúria, informou nesta quinta-feira a promotoria local. “O suposto agressor, Santos Ramos Colque, de 18 anos, foi enterrado vivo em uma cova, com as mãos amarradas e a barriga parabaixo, com o caixão da vítima sendo colocado por cima.
Depois cobriram tudo com terra”, relatou o promotor Gilberto Cruz à rádio Erbol. O incidente ocorreu no domingo passado, no povoado de Colquechaca, 400 km ao sul de La Paz, revelou Cruz. De acordo com investigações preliminares, o jovem foi acusado pelos camponeses pelo estupro e morte de uma mulher de 35 anos. “Bateram muito e depois o enterraram, ainda vivo”, disse o promotor. O pequeno contingente policial de Colquechaca não pôde conter a turba “de cerca de 100 pessoas”, explicou o promotor.


Cultura e liberdade - uma entrevista com Hans-Hermann Hoppe




Entrevista concedida a Joel Pinheiro da Fonseca para a revistaDicta&Contradicta

Um bom termo para descrever o pensamento de Hans-Hermann Hoppe é radical. Um pensamento que afirma, sem medo, todas as consequências a que uma ideia originária leva, e que, para resolver qualquer problema social ou filosófico que se impõe, retorna àraiz das questões discutidas para dela extrair — dedutivamente se possível — uma solução universal.
Passando da forma ao conteúdo, Hoppe se insere, via seu mentor Murray Rothbard, em uma linhagem muito particular da chamada escola austríaca de economia. Essa "escola" (no sentido de uma tradição de pesquisa com certos pressupostos básicos comuns) de pensamento econômico ficou, a partir de meados do século 20, fortemente associada à defesa do liberalismo econômico. Rothbard foi herdeiro da forma austríaca de se entender o funcionamento do mercado e a integrou a uma outra matriz de pensamento: a tradição libertária dos direitos naturais, segundo a qual todo homem tem direito absoluto e irrestrito sobre seu próprio corpo e sua propriedade; qualquer agressão contra ele, vinda de onde vier (inclusive do estado), é ilegítima. Foi ele quem originou, assim, a síntese conhecida como austro-libertarianismo. Hoppe foi ainda mais longe que seu mentor, ao apresentar uma demonstração a priori da existência dos direitos naturais no ensaio "A ética e a economia da propriedade privada", demonstração que — não pela conclusão mas pela forma — remete à ética do discurso proposta por outra influência sua: seu orientador de doutorado, Jürgen Habermas.
Sua contribuição mais notória — e polêmica —, contudo, é outra: Hoppe é um ferrenho oponente daquele sistema político comumente considerado o melhor: a democracia. Em seu livro Democracia - o deus que falhou , ele aplica o princípio da tragédia dos comuns ao próprio estado. Na monarquia absoluta, argumenta, o estado é propriedade privada: tem um dono que, via de regra, zelará por manter seu valor de longo prazo. Já na democracia, o estado torna-se propriedade pública: todos têm acesso a seus (muitos) benefícios e cargos; e então todos quererão para si quantas dessas benesses puderem pegar no menor prazo possível (pois quem não o fizer pagará a conta dos benefícios alheios).
Assim, sob a democracia, o estado sempre tende a crescer, as liberdades individuais a diminuir, e a cultura a refletir a disciplina aprendida pela dinâmica da tragédia dos comuns: o aumento da taxa de desconto intertemporal, isto é, a priorização do curto prazo sobre o longo. Desta forma, a monarquia deveria ser preferida à democracia. Hoppe, no entanto, é o primeiro a lembrar que a monarquia já é, ela própria, pior do que — e historicamente uma degeneração da — anarquia, ou seja, da ausência de estado. Longe de se pautar pelos valores democráticos hoje em voga, a sociedade genuinamente anárquica seria, segundo Hoppe, desigual, elitista e hierárquica. E isso, para ele, é um grande mérito.
Nesta breve entrevista concedida à Dicta&Contradicta, nosso interesse centrou-se em dois temas: (1) a intersecção entre o libertarianismo conservador de Hoppe e a cultura e as artes; e (2) o papel do intelectual e das ideias na sociedade atual.
I. Libertarianismo e Cultura
A mudança de uma sociedade estatista para uma sociedade libertária promoveria ou dificultaria a produção de alta cultura?
Uma sociedade libertária seria significativamente mais próspera e rica e isso certamente ajudaria tanto a alta quanto a baixa cultura. Mas uma sociedade livre — uma sociedade sem impostos e subsídios e sem os assim chamados "direitos de propriedade intelectual" — produziria uma cultura muito diferente, com uma gama também muito diferente de produtos, produtores, estrelas e fracassos.
Em seus escritos, o senhor identifica uma ligação causal entre a forma de governo de uma sociedade e seus valores morais e desenvolvimento social. O senhor vê uma ligação similar entre a forma de governo e os critérios estéticos e a qualidade da arte e do entretenimento?
Sim. O governo de um estado democrático promove sistematicamente o igualitarismo e o relativismo. No campo da interação humana, leva à subversão e, em última análise, ao desaparecimento da ideia de princípios eternos e universais da justiça. A lei é soterrada e submersa pela legislação. No campo das artes e do juízo estético, a democracia leva à subversão e ao desaparecimento da noção de beleza e dos critérios universais de beleza. A beleza é soterrada e submersa pela chamada "arte moderna".
As posições éticas e políticas libertárias têm alguma relação com juízos estéticos e artísticos determinados? Há alguma incoerência em um libertário que seja, digamos, apreciador do realismo soviético?
De um ponto de vista puramente lógico, o libertarianismo é compatível com todo e qualquer juízo ou estilo artístico e estético. Não sou o primeiro a notar, por exemplo, que a obra literária da célebre libertária Ayn Rand tem uma clara semelhança estilística com o realismo soviético socialista. Similarmente, constato que é possível ser um libertário "perfeito", que nunca agride nenhuma pessoa ou propriedade, e ainda assim ser um sujeito plenamente inútil, desagradável ou mesmo podre.
Psicologicamente, contudo, as coisas são diferentes. Aqui, no campo da psicologia, sentimos que o estilo de vida de um vagabundo pacífico ou de um apreciador do realismo soviético é de alguma maneira incompatível e oposta ao estilo de vida de um libertário consciente. Quando vemos tal conduta ou gosto manifestos em alguém que se diz libertário, isso nos causa um desconforto e a sensação de uma dissonância emocional ou estética. E com razão, penso eu. Pois a experiência humana é caracterizada pela integração de três habilidades: a capacidade de se reconhecer a verdade, a justiça e a beleza. Podemos distinguir o verdadeiro do falso, o certo do errado, e podemos distinguir o belo (e o perfeito) do feio (e do imperfeito); podemos refletir e falar sobre as três noções e suas antíteses. Uma vida humana integral e completa deveria, então, ser não apenas veraz e justa; deveria ser também uma vida boa. Talvez não bela e perfeita, mas uma vida que almejasse a beleza e a perfeição. Uma vida exemplar, moral e esteticamente edificante, inspiradora. É nisso que o vagabundo pacífico e o amante do realismo soviético pecam.
Alternativamente, tem a arte um papel a desempenhar na formação de ideias políticas e filosóficas? É possível que isso se dê sem que seja como propaganda para uma dada ideologia?
O propósito das artes visuais e da música é a criação da beleza em todas as suas manifestações. Ainda assim, a beleza visual e musical e o libertarianismo têm algo importante em comum. O libertarianismo também é belo. Não esteticamente, é claro, mas logicamente, por ser uma teoria social simples e elegante.
Quanto às artes total ou parcialmente discursivas — narrativas —, sim, elas podem servir como veículo para a promoção de ideias políticas e filosóficas. Você pode chamar isso de propaganda. Mas essas ideias podem ser verdadeiras e boas ou falsas e más. E embora eu não seja muito chegado em arte, prefiro que haja mais artistas propagandeando as ideias boas e verdadeiras da propriedade privada e do capitalismo, como Ayn Rand, e menos artistas propagandeando as ideias falsas e más da propriedade pública e do socialismo, como, digamos, Bertolt Brecht. Uma agenda filosófica, por sua vez, tampouco é necessária para que haja arte – pode-se contar uma história como um fim em si. Para que haja arte uma narrativa tem de se caracterizar pela veracidade (no sentido mais amplo do termo), pela inteligibilidade, coerência lógica, domínio da língua, expressão e estilo, e por um sentido de humanidade e de justiça humana: de agência, do que há de intencional e não intencional na vida, do certo e do errado, do bom e do mau.
Vale a pena ler literatura? Qual é seu livro literário favorito?
Isso é algo que cada um tem de decidir por si. Pessoalmente, nunca li muita literatura. Se quero uma leitura mais "leve", em geral leio História, incluindo romances históricos, biografias ou crítica literária e cultural à la H. L. Mencken ou Tom Wolf.
II. Intelectuais
As ideias discutidas pelos intelectuais têm algum efeito prático na história da humanidade?
Não sou fã de John Maynard Keynes. Mas creio que ele estava certo quando disse que "as ideias dos economistas e filósofos políticos, estejam elas certas ou erradas, são mais poderosas do que comumente se percebe. Com efeito, elas governam o mundo quase sozinhas. Homens práticos, que se acreditam isentos de qualquer influências intelectual, costumam ser escravos de algum economista defunto". Ironicamente, ele mesmo, Keynes, é o economista defunto por excelência — emitindo, por sinal, ideias falsas —; aquele por quem os homens práticos de hoje são escravizados intelectualmente.
Dado que comunidades libertárias poderiam banir livremente qualquer um que discordasse de alguma opinião, num mundo libertário haveria mais ou menos liberdade de discussão intelectual em comparação ao nosso? E em comparação a um mundo composto de monarquias tradicionais?
A propriedade privada dá a seu dono o direito de discriminar: de excluir ou incluir outros em sua propriedade e de determinar as condições de entrada e inclusão. Tanto a inclusão quanto a exclusão têm seus custos e benefícios para o proprietário, os quais ele pesa na hora de tomar uma decisão. De qualquer maneira, a decisão do proprietário é motivada por sua razão e pelo seu interesse por sua propriedade. Seu pensamento pode calhar de estar certo, e ele atinge seu objetivo, ou pode calhar de estar errado, mas de qualquer modo, sua decisão é uma decisão pensada.
Assim, alguém que fundasse e desenvolvesse uma comunidade privada, provavelmente não discriminaria e excluiria com base numa mera diferença de opinião. Se o fizesse, provavelmente não atrairia mais inquilinos do que o séquito de um guru. Usualmente, a discriminação é baseada em diferenças de conduta, expressão e aparência, no que as pessoas fazem e como agem em público, na língua, religião, etnia, costumes, classe social etc. O proprietário discrimina para atingir um alto grau de homogeneidade de conduta em sua comunidade e assim evitar ou reduzir tensões e conflitos intracomunitários — no jargão econômico: para reduzir os custos de transação. E ele o faz na expectativa de que sua decisão seja boa para sua propriedade e sua comunidade.
Em todo o caso, num mundo libertário haveria de fato muito mais discriminação do que no atual mundo estatista, que é caracterizado por inúmeras leis antidiscriminação e, consequentemente, por uma integração forçada e onipresente. Em particular, quaisquer que fossem os outros critérios usados para inclusão ou exclusão, em um mundo libertário nenhum dono de comunidade privada iria tolerar – e deixar de discriminar — ativistas comunistas ou socialistas em sua propriedade. Como inimigos da própria instituição em que a comunidade se funda, eles seriam excluídos ou expulsos — mas seriam, é claro, livres para estabelecer sua própria comuna comunista, kibbutzim ou qualquer outro "estilo de vida experimental" que imaginassem.
Em suma, e para responder finalmente à sua pergunta, um mundo libertário seria caracterizado por uma variedade muito maior de comunidades diferentes, mas que, internamente, seriam relativamente homogêneas. Consequentemente, o espectro, a diversidade e o vigor da discussão intelectual provavelmente ultrapassariam de longe qualquer experiência presente ou passada.
A vida acadêmica em seu estado atual é um ambiente saudável para um intelectual? É possível que ele sobreviva em qualquer outro meio?
Depende do intelectual. A vida acadêmica pode ser muito confortável para quem vomita platitudes politicamente corretas de esquerda por anos a fio. Por outro lado, para um austro-libertário — e ainda mais para um austro-libertário que seja culturalmente conservador — a vida acadêmica é difícil e não raro enlouquecedora. Com persistência e alguma sorte você pode sobreviver, mas se você não se vender ou ao menos calar a boca, prepare-se para pagar um preço.
Hoje em dia, no entanto, graças à Internet, você também pode sobreviver como um intelectual fora da academia oficial. Com custos de entrada mínimos, a competição é feroz, mas as oportunidades parecem ilimitadas. Felizmente, há já um bom número de intelectuais austro-libertários que conquistaram preeminência e dinheiro por essa via.
Habermas exerceu influência positiva sobre seu pensamento? Houve também influências negativas?
Habermas foi meu principal professor de filosofia e meu orientador de Ph.D durante meus estudos na Universidade Goethe em Frankfurt, de 68 a 74. Por meio de seus seminários eu travei contato com a filosofia analítica britânica e americana. Li Karl Popper, Paul Feyerabend, Ludwig Wittgenstein, Gilbert Ryle, J. L. Austin, John Searle, W. O. Quine, Hillary Putnam, Noam Chomsky, Jean Piaget. Descobri Paul Lorenzen, a Escola de Erlangen e a obra de Karl-Otto Apel. Ainda acredito que tenha sido um treino intelectual muito bom.
TSC.jpgPessoalmente, portanto, não tenho arrependimentos. Já no tocante à influência de Habermas na Alemanha e sobre a opinião pública alemã, ela tem sido um desastre absoluto, ao menos do ponto de vista libertário. Habermas é hoje o intelectual público mais celebrado da Alemanha e o Sumo Sacerdote do "Politicamente Correto": da social-democracia, do estado de bem-estar social, do multiculturalismo, da antidiscriminação (ação afirmativa) e da centralização política, temperada — especialmente para o consumo alemão — com uma dose pesada de retórica "antifascista" e de "culpa coletiva".
Se o senhor pudesse, magicamente, mudar uma crença nas mentes de todas as pessoas do mundo, qual seria ela?
Nesse ponto, estou com meu principal professor, mentor e mestre, Murray Rothbard. Eu iria querer apenas que as pessoas reconhecessem as coisas como elas são: que elas reconhecessem os impostos como roubo, os políticos como ladrões e todo o aparato e burocracia estatais como uma quadrilha de proteção, uma instituição como a Máfia, só que muito maior e mais perigosa. Em suma, eu desejaria que eles odiassem o estado. Se todo mundo o fizesse, então, como mostrou Étienne de la Boétie, o poder do estado desapareceria quase que instantaneamente.

Hans-Hermann Hoppe é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo eThe Economics and Ethics of Private Property.

Bomba da 2ª Guerra Mundial encontrada na Hungria obriga moradores a deixar suas casas


A bomba, que tem aproximadamente 100 quilos, é de fabricação da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)





Agência Brasil

Pelo menos 10 mil moradores, da cidade de Szekesfehervar, na Hungria, foram retirados dos locais onde vivem por policiais. Os policiais evacuaram a área porque foi encontrada uma bomba da 2ª Guerra Mundial perto de um jardim de infância. A bomba, que tem aproximadamente 100 quilos, é de fabricação da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
A bomba, localizada em Szekesfehervar, contém 25 quilos de explosivos. Ela estava perto de uma caixa de areia de um jardim de infância, em área residencial e bastante povoada. A população da cidade de Szekesfehervar, a 65 quilômetros de Budapeste (capital húngara), é de mais de 100 mil pessoas.
A retirada dos moradores de Szekesfehervar ocorreu um dia depois de a polícia também determinar a saída de 1.500 pessoas, perto do Castelo de Buda, em Budapeste, após encontrar uma bomba.
Cidades e vilas de Hungria, aliada da Alemanha nazista, foram bombardeadas principalmente no final da 2ª Guerra. De acordo com especialistas, ainda há dispositivos não detonados enterrados e descobertos durante os trabalhos de construção. Até agora, houve 14 evacuações em Budapeste desde 2008. Todas as bombas são removidas sem provocar danos ou ferimentos à população, segundo as autoridades.