quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Pessoas bonitas parecem mais legais (mas não são)



Você costuma simpatizar mais com as pessoas bonitas e considerá-las, à primeira vista, mais simpáticas e educadas? Se sim, infelizmente, a maioria pensa como você. Maaaas sua visão pré-concebida não anda assim tão certeira.
Foi o que alguns psicólogos da Universidade de Jerusalém e da Open University descobriram. Eles mostraram a 118 estudantes vídeos de mulheres fazendo coisas do dia-a-dia, como caminhar ou ler a previsão do tempo. Primeiro os participantes da pesquisa avaliaram a beleza de cada uma delas. Na sequência, tiveram de classificar quais pareciam ser extrovertidas, abertas a novas experiências, organizadas, amigáveis e compreensivas, ou neuróticas. Fim da história: as mais bonitas sempre levavam a melhor, enquanto as menos agraciadas pagavam de neuróticas e chatas.
Só que eles se enganaram. As mulheres dos vídeos também responderam a algumas perguntas, para contar um pouco mais sobre a própria personalidade. E, olha só, não havia nenhuma relação entre beleza e simpatia. Algumas beldades eram mais introvertidas e menos amigáveis do que as mulheres consideradas menos bonitas.
Viu, só? Agora vê se para de analisar o conteúdo do produto só pela embalagem.
Crédito da foto: flickr.com/drmaccon

Os fatores que levaram ao fim da escolástica



Este artigo é a última parte da série sobre os pós-escolásticos.  Leia a primeira e a segunda parte.

Scholar.jpg6. Os últimos pós-escolásticos e o declínio do escolasticismo
Além de Mariana, os historiadores costumam destacar mais dois escolásticos tardios contemporâneos a ele: Leonardo Léssio (1554-1623) e Juan de Lugo (1583-1660).
Léssio, jesuíta nascido na Bélgica, sustentava que o preço justo de qualquer bem era aquele determinado pela estimativa comum de mercado. Embora admitisse que um preço determinado pelo governo também pudesse ser justo, apontou diversos casos em que o preço de mercado teria de ser escolhido em detrimento do preço legal. Primeiro, quando o preço de mercado é menor e, segundo, quando, "na alteração de circunstâncias de aumento ou diminuição da oferta e fatores semelhantes, as autoridades forem negligentes em alterar o preço legal".
Ainda mais fortemente, até mesmo um indivíduo poderia pedir um preço acima do teto legal caso as autoridades estivessem "mal informadas sobre as circunstâncias comerciais", o que, segundo ele, seria provável de acontecer praticamente sempre. Para ele, a demanda do mercado era o fator determinante dos preços e isso não dependia das despesas dos comerciantes: caso essas despesas fossem maiores (ou menores) do que o preço de venda, os comerciantes deveriam assumir os prejuízos (ou auferir os lucros).
Como ressalta Jesús Huerta de Soto no livro editado por Holcombe, Léssio enxergou com bastante clareza como os mercados econômicos estão inter-relacionados, inclusive o mercado cambial. Aplicou a boa teoria econômica também no campo monetário e no dos salários, que para ele deveriam ser determinados pelas leis da demanda e oferta, tal como qualquer outro preço, o que configuraria a existência de justiça. A respeito do que seria um "salário mínimo ideal", ele percebeu que a simples existência de outra(s) pessoa(s) disposta(s) a executar o mesmo trabalho recebendo aquele salário era um indicador de que esse salário não poderia ser "injusto". Sustentava também o que chamava de "salário psíquico": "Se a obra traz consigo status social e emolumentos, o pagamento pode ser baixo porque o status e vantagens associados são, por assim dizer, uma parte do salário".
Escreveu também que os trabalhadores são contratados pelo empregador por causa dos benefícios que aqueles lhes proporcionam, benefícios esses que devem refletir a produtividade. Assim, Léssio estabeleceu um esboço muito bem elaborado da teoria da produtividade marginal da demanda por mão de obra e, consequentemente, uma teoria para explicar a determinação dos salários, bem semelhante ao que foi estabelecido pelos austríacos e outros economistas neoclássicos, no final do século XIX.
Enfatizou ainda a importância do empreendedorismo na determinação do lucro: a qualidade do empreendedor, a "indústria" de combinar eficientemente fatores de produção, é escassa e, portanto, o empreendedor pode ganhar uma renda muito maior do que os que não são aquinhoados com esse dom. Léssio também fornece uma análise sofisticada da moeda, em que demonstra que seu valor depende de sua oferta e de sua demanda. Quando há excesso de oferta de uma dada moeda, ela valerá menos, tanto para a compra de bens como para a compra de moeda estrangeira e, mutatis mutandis, uma escassez de moeda aumenta o seu valor.
Contribuiu também para o banimento da "lei da usura", com o argumento carentia pecuniae, segundo o qual o credor sofre pela falta de sua liquidez durante o prazo do empréstimo e que, portanto, ele tem o direito de cobrar juros por esta perda. O tempo de renúncia à liquidez, dessa forma, é moralmente justificável. Argumenta que letras de câmbio, ou quaisquer direitos a dinheiro futuro, devem sempre ter um desconto, que é, naturalmente, a taxa de juros. Assim, para Lessius, o preço a ser recebido pela renúncia ao dinheiro em que o emprestador incorre durante o período do empréstimo deve ser estabelecido nos mercados organizados de empréstimos, os"loanable funds markets".
Para diversos estudiosos do escolasticismo, com a cláusula carentia pecuniae Leonard Léssio contribuiu para acabar de uma vez por todas com a proibição da usura, embora, formalmente, ainda tivesse mantido a proibição. Mas foi, sem dúvida, o teólogo cujas visões sobre a usura mais decididamente marcaram a chegada de uma nova era. Foi um precursor do mundo financeiro moderno.
O derradeiro grande nome dos escolásticos tardios de Salamanca foi o cardeal jesuíta Juan de Lugo, no século XVII, em que o poder da Espanha na Europa já estava em declínio. Estudou Direito e Teologia em Salamanca e em seguida foi para Roma lecionar no colégio jesuíta da capital italiana. Depois de ensinar Teologia em Roma por 22 anos, Lugo foi feito cardeal e tornou-se membro de várias comissões influentes da Igreja em Roma. Um teórico bastante respeitado, Lugo é considerado por muitos como o maior teólogo moral desde São Tomás. Escreveu um livro sobre Psicologia e outro sobre Física e sua obra mais importante sobre Direito e Economia foi a De Justitia et Jure, publicado em 1642, livro que passou por várias edições.
Sua Teoria do Valor é uma joia preciosa da Escola de Salamanca, que provê uma explicação subjetiva e bastante avançada para a época a respeito da determinação do valor. Os preços dos bens, observou, flutuam "por conta de sua utilidade em relação à necessidade humana, e apenas por conta da estimativa, pois as joias são muito menos úteis do que o milho, e ainda assim seu preço é muito maior". É fácil perceber que essa afirmativa soa como uma premonição da teoria subjetiva do valor de acordo com a utilidade marginal e para destrinchar o "paradoxo do valor": o milho é mais abundante do que as joias e, portanto, tem maior valor de uso, mas é mais barato no preço. A resposta para o paradoxo é que as estimativas subjetivas ou avaliações diferem do valor objetivo de uso, e este por sua vez é afetado pela escassez relativa.
Para tornar essa explicação perfeita, faltou apenas a Lugo incluir o conceito de utilidade marginal. A subjetividade de Lugo significa que as estimativas ou valorações são feitas tanto por pessoas prudentes como também por pessoas imprudentes ou, em linguagem moderna, de maneira racional ou não racional. Portanto, o preço justo é o preço de mercado determinado pela demanda e valorização do consumidor e, se os consumidores são tolos ou avaliarem tolamente, paciência, pois o preço de mercado será um preço justo de qualquer forma.
Ao abordar o comércio, Lugo acrescenta ao conceito de custo de oportunidade os gastos mercantis. Um comerciante só vai continuar a fornecer um produto se o preço cobrir suas despesas e a taxa de lucro que ele poderia ganhar caso exercesse outras atividades.
Em sua teoria monetária, Lugo é um autêntico escolástico tardio: o valor ou poder de compra da moeda é determinado pela qualidade de seu conteúdo metálico, sua oferta e sua demanda. E a moeda sempre se move da área onde seu valor é inferior para onde seu valor é maior.
No que diz respeito à usura ele não concorda com as implicações claras de Léssio e outros de que a proibição da usura deve terminar. Por essa razão, ele se recusa a aceitar o argumento de Léssio de que o credor tem o direito de cobrar pela falta de seu dinheiro durante o período do empréstimo. Mas, por outro lado, admite poderosas armas favoráveis à cobrança de juros, a saber, o risco e o lucrum cessans. Chega a ampliar o conceito de risco explicitamente e também amplia a cláusula do lucrum cessans, pois permite que o credor inclua não apenas o lucro provável de seu empréstimo, mas também a expectativa do lucro que poderia obter em uma aplicação alternativa.
Outro autor importante desse mesmo período foi o filósofo e jurisconsulto genovês Sigismundo Scaccia, cujoTractatus de Commerciis et Cambiis foi publicado em 1618 e reeditado com frequência na Itália, França e Alemanha, até cerca de meados do século XVIII. O ensino de Scaccia é baseado principalmente no da Escola de Salamanca e em Léssio, embora também muitas vezes ele se refira aos escolásticos medievais. Sobre o valor dos bens, ele cita Covarrubias e Azpilcueta no sentido de que as coisas valem menos quando são abundantes e mais quando são escassas e argumenta que um artigo ser "abundante" significa que muitas pessoas o ofertam para a venda para venda, e "escasso" quando mais compradores de vendedores surgirem nos mercados. Em seu capítulo sobre as bolsas estrangeiras, Scaccia menciona e endossa a explicação dada por Soto para o prêmio cobrado sobre letras de câmbio negociadas na Antuérpia e em Espanha e sustenta que a doutrina de Soto se aplica de uma forma muito lúcida para as trocas entre França e Itália.
É evidente que a teoria monetária da Escola de Salamanca espalhou-se por vários países durante as décadas iniciais do século XVII e que continuou a ser desenvolvida e aplicada nos principais tratados sobre Teologia e Jurisprudência. Embora a maioria dos membros originais da Escola tenham sido dominicanos, entre os escritores do século XVII que continuaram seu ensino havia muitos jesuítas. Como moralistas práticos, os jesuítas eram muito influentes naquele momento, uma vez que grande parte de seu trabalho estava no confessionário. Assim, produziram um grande número de manuais para uso dos confessores, em que muitas vezes discutiam problemas complicados de ética comercial com linhas escolásticas.
Pode-se supor que suas doutrinas tenham sido filtradas através dos leigos. Como salienta Marjorie Grice-Hutchinson, "não estou sugerindo que estes trabalhos tediosos constituíam a leitura favorita do "honnête homm" e médio, mas só temos a quem recorrer em Pascal, em suas Cartas Provinciais, para perceber como foi grande a influência dos teólogos jesuítas sobre a vida comum e o pensamento na França naquele período". 
Pascal empregou toda a sua verve irônica atacando muitos dos escritores cuja obra analisamos  (ele dedica a Carta Oitava para impugnar a sua doutrina da usura), e é evidente que, escrevendo em 1656, ele olhou para os nossos escritores espanhóis e todas as suas obras como uma força viva e perigosa para seus padrões. [pp. 160-163]
Por sua vez, pensadores do calibre de Condillac, Turgot, Galiani e outros afirmaram que sua própria ênfase na utilidade e raridade era uma novidade. Todos os três escritores foram famosos por seu ensino, especialmente na Teologia e na Jurisprudência e é difícil acreditar que não tinham lido nenhum dos pós-escolásticos. Como filósofos do século XVIII, talvez tenham relutado em reconhecer sua dívida para com os casuístas. Mas nenhuma relutância pode ser estendida a Grotius, Pufendorf, ou Hutcheson. Pode-se supor, como Hutchinson, que Galiani se deparou com os elementos essenciais da sua teoria do valor no trabalho em alguns autores anteriores e que a inteligência e graça com que ele expressa estas verdades antigas fez com que parecessem inovações para seus contemporâneos. No entanto, a existência de uma teoria subjetiva do valor na obra dos escolásticos tardios e seus sucessores pode ter pavimentado o caminho para a recepção favorável concedida à grande obra de Galiani.
7. A decadência do escolasticismo
Às portas da Renascença, a Escolástica já se encontrava moribunda. Com o declínio dos impérios português e espanhol, a filosofia medieval cristã praticamente desapareceu, enquanto o cartesianismo, o positivismo e o agnosticismo kantiano alcançavam o seu ápice.
O chamado iluminismo, um movimento intelectual da elite europeia do século XVIII, que procurou mobilizar o poder da razão para reformar a sociedade e o conhecimento herdados da tradição medieval, muitas vezes é apontado como sendo responsável pelo fim do escolasticismo. O Iluminismo floresceu até cerca de 1790-1800, após o qual a ênfase na razão deu lugar à ênfase na emoção e surgiu um movimento contra-iluminista. No entanto, quando o movimento iluminista eclodiu, praticamente já não existiam autores escolásticos. Apenas no final do século XIX é que houve uma tentativa de resgatar o escolasticismo sob um prisma mais moderno, principalmente com Jacques Maritain (1882-1973), um filósofo francês de orientação católica e tomista, cujas obras influenciaram a democracia cristã.
O ataque fatal à Escolástica veio de dois campos contrastantes, um externo e o outro interno, mas curiosamente aliados: o aumento dos grupos de protestantes calvinistas e a Igreja, que a denunciou por sua suposta decadência e defeitos de formação moral.
O brilho dos argumentos pós-escolásticos para justificar a usura não impressionou seus inimigos, nem mesmo com toda a escolástica jesuítica de "casuísmo", isto é, de aplicar princípios morais, naturais e divinos para os problemas concretos da vida quotidiana. Pode-se pensar que a tarefa da casuística deve ser considerada importante e nobre, pois, se existem princípios morais gerais, por que não deveriam ser aplicados à vida diária? Mas ambos os conjuntos de adversários conseguiram rapidamente fazer da própria palavra "casuísmo" um termo vulgarizado (o que acontece até hoje), a obediência estrita a rigorosos preceitos morais e a imposição de dogmas ultrapassados e "reacionários".
Essa dupla aliança externa e interna contra a Escolástica teve efeitos muito mais profundos do que a discussão sobre a usura. Na raiz do catolicismo como religião, Deus pode ser compreendido pelas faculdades do homem, ou seja, não apenas por meio da fé, mas também pela razão e os sentidos. O protestantismo e, especialmente, o calvinismo, coloca Deus severamente fora das faculdades do homem e considera, por exemplo, modalidades sensoriais de amor do homem por Deus, como pinturas ou esculturas, como constituindo atos de idolatria e blasfêmia, que precisam ser eliminados para limpar o caminho para a única comunicação adequada com Deus, que seria a pura fé na revelação. A ênfase tomista na razão como meio de apreender a lei natural de Deus e até mesmo aspectos da lei divina choca-se com a ênfase protestante na fé na vontade arbitrária de Deus.
A tendência protestante básica, com raras exceções, era opor-se a qualquer lei natural para derivar Ética ou Filosofia Política a partir do uso da razão do homem, pois o homem era muito pecaminoso e corrupto em sua razão e seus sentidos, uma personificação da corrupção e, portanto, só a fé pura em comandos arbitrários, e revelada por Deus, era aceita como base para a ética humana. Essa descrença por parte dos protestantes na lei natural os impedia de criticar as ações do Estado. Com efeito, o calvinismo e até o luteranismo foram incapazes de contestar o Estado absolutista que floresceu em toda a Europa durante o século XVI e triunfou no século XVII.
Como explica Rothbard: 
Se o protestantismo abriu o caminho para o Estado absoluto, os secularistas dos séculos XVI e XVII, o abraçaram. Despojado de leis naturais críticas do Estado, os novos secularistas, como o francês Jean Bodin, adotaram o Direito Positivo do Estado como o único critério possível para a política. Assim como os protestantes antiescolásticos exaltaram a vontade arbitrária de Deus como fundamento da ética, os novos secularistas levantaram a vontade arbitrária do Estado ao status de "soberano" incontestável e absoluto. No nível mais profundo da questão de como sabemos o que sabemos, ou "epistemologia", tomismo e escolástica sofreram os assaltos contrastantes, mas aliados, dos defensores da "razão" e do "empirismo". No pensamento tomista, a razão e o empirismo não estão separados, mas aliados e entrelaçados. A verdade é construída pela razão em uma base sólida na realidade empiricamente conhecida. O racional e o empírico foram integrados em um todo coerente.
Rothbard prossegue sua excelente narrativa escrevendo que na primeira parte do século XVII, dois filósofos contrastantes conseguiram fortalecer o racionalismo e o empirismo, que continuam a assolar o método científico até os dias atuais. Foram eles o inglês Francis Bacon (1561-1626) e o francês René Descartes (1596-1650). Descartes foi o campeão de uma "razão" dissecada matematicamente e divorciada da realidade empírica, enquanto que Bacon foi o defensor de peneirar incessantemente os dados empíricos. Rothbard afirma enfaticamente: 
Tanto o ilustre advogado inglês, que passou a se tornar Lord Chancellor (Lord Verulam), Visconde do reino e juiz corrupto e o aristocrata francês tímido e errante, concordaram em um ponto crucial e destrutivo: o rompimento da razão e do pensamento a partir de dados empíricos. Assim, a partir de Bacon surgiu a tradição inglês "empirista", mergulhada sem pensar em dados incoerentes, e de Descartes a tradição puramente dedutiva e, por vezes, a tradição matemática do "racionalismo" continental.
O resultado foi que a lei natural, que antes integrava o racional com o empírico, foi vítima de um verdadeiro assalto, resultando em uma mudança drástica e sistemática no pensamento europeu no período "pré-moderno" (séculos XVI e XVII, especialmente), Ocorreu em razão disso uma mudança radical nas universidades.
Os teólogos e filósofos que escreveram e pensaram sobre Economia, Direito e outras disciplinas da ação humana durante os períodos medieval e renascentista eram professores universitários. Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca, Roma e muitas outras universidades foram as arenas para a produção intelectual e de combate durante séculos. E mesmo as universidades protestantes do início do período moderno eram centros de ensino do Direito Natural.
Mas dos grandes teóricos e escritores dos séculos XVII e XVIII quase nenhum foi um professor. Eram panfletários, empresários, errantes aristocratas, como Descartes, funcionários públicos menores, como John Locke, e clérigos como o bispo George Berkeley.  Essa mudança de foco foi muito facilitada pela invenção da imprensa por Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (1398-1468), que tornou muito menos dispendiosa a publicação de livros e escritos e criou um mercado muito mais amplo para a produção intelectual. A impressão foi inventada em meados do século XV e no início do século XVI tornou-se possível, pela primeira vez, ganhar a vida como escritor independente, com a venda de livros.
Uma das consequências dessas mudanças foi o esfacelamento da Escolástica e do tomismo do pensamento ocidental, facilitado pela substituição do latim – que na Idade Média era o idioma em que todos escreviam – para o vernáculo de cada país. Esse fato contribuiu para desfazer uma comunidade intelectual que até então tinha uma linguagem comum. Os protestantes tiveram papel decisivo nessa alteração, pois julgavam que a Bíblia deveria ser lida e estudada por todos na linguagem que dominavam.
Por fim, houve um verdadeiro ataque contra a Cia. de Jesus, que despontou em França com o manual Escobar. O assalto foi liderado por um grupo de cripto-calvinistas influentes dentro da Igreja Católica francesa, que desfecharam forte ataque sobre o que diziam ser a "suposta frouxidão moral da Ordem dos Jesuítas". Essa guerra aos jesuítas e sobre sua devoção à razão e à liberdade da vontade tinha começado na Bélgica e foi acelerada no final do século XVI por Michael Bay, chanceler da grande Universidade de Louvain. O bayanismo atacou Leonardo Léssio e os jesuítas na faculdade. No início do século XVII, dois discípulos de Bay, ex-alunos dos jesuítas, tomaram a defesa de sua causa, sendo o mais importante Cornelius Jansen, fundador do movimento neocalvinista jansenista, que se tornou extremamente poderoso na França. Jansen, como muitos teólogos protestantes, instou abertamente a volta à pureza moral de Santo Agostinho e das doutrinas cristãs dos séculos IV e V.
O filósofo e matemático francês Blaise Pascal assumiu a causa jansenista com um ataque aos jesuítas, particularmente Escobar, por seu suposto fracasso moral em ser condescendente com a usura. Pascal ainda inventou um novo termo popular, "escobarderie", com o qual denunciou a disciplina importante da casuística como sendo evasiva e repleta de tergiversações. Outra vítima da caneta venenosa de Pascal foi o austero jesuíta francês Etienne Bauny que, em Somme des Pechez (1639), estendeu o enfraquecimento da proibição da usura, indo longe demais — segundo Pascal — para justificar taxas de juros superiores à taxa máxima permitida por decreto real, com o argumento de que "os devedores as aceitaram voluntariamente". Embora os jansenistas tenham sido condenados pelo Papa, a agitação indecente de Pascal contra os jesuítas produziu um efeito considerável para ajudar a acabar com a primazia do pensamento escolástico, pelo menos na França.
Em suma, a visão de mundo humanista sofreu diversos ataques, vindos de vários fronts e um dos muitos efeitos perversos dessas críticas foi o que denomino de "desumanização" da Economia e das demais ciências da ação humana, fenômeno que foi aguçado na primeira metade do século XIX com o advento do positivismo de Auguste Comte. Um estrago quase que irreparável e que a Escola Austríaca até hoje tenta neutralizar.
8. Conclusões
Podemos extrair conclusões gerais a partir de nosso estudo da teoria econômica da Escola de Salamanca. A principal é que algumas das principais ideias da teoria econômica moderna têm uma história mais longa do que muitas vezes se supõe. Creio que o leitor que tenha despendido tempo para estudar aqueles antigos tratados não pode deixar de ficar impressionado com a grande medida de acordo sobre os problemas fundamentais da teoria econômica, que uniram os homens de todos os países e períodos, vivendo em vários sistemas religiosos, culturais, sociais e econômicos. Hutchinson, a esse respeito, cita Marshall. "As novas doutrinas têm complementado o velho, o estenderam, desenvolveram, e às vezes o corrigiram, e muitas vezes lhes deram um tom diferente ou uma nova distribuição de ênfase, mas muito raramente o subverteram". [pp 165-166]
Muitas vezes somos advertidos contra o pecado de desejarmos ler nossas próprias ideias em trabalhos de escritores mais velhos. Muitas vezes, de fato, a literatura econômica antiga agora parece remota sob o ângulo de nossas próprias formas de pensamento e por isso não nos desperta muito interesse. Com isso a história das doutrinas econômicas passa a ser considerada como um luxo, como algo supérfluo, já que os refinamentos – especialmente os modelos matemáticos com sua elegância - da teoria moderna deixam menos tempo para isso. Os economistas nos últimos 120 anos vêm apresentando uma lamentável tendência de desprezar os autores do passado e isso vem se acelerando a partir da segunda metade do século XX, quando as técnicas econométricas se desenvolveram rapidamente e os computadores foram popularizados.
Com isso, infelizmente, a Economia, uma ciência que lida claramente com a ação humana no processo de mercado em condições de incerteza genuína passou a receber tratamento semelhante ao de uma ciência exata. Um desastre. Desumanizaram algo que é humano, sob o pretexto de estarem produzindo "ciência".                                 
Mas há certos eventos na história do pensamento econômico que são familiares para a maioria dos estudantes. Sabemos, por exemplo, que a Saxônia foi o cenário de uma controvérsia monetária famosa no século XVI, que a Itália foi o país com a melhor teoria monetária e a pior política monetária no século XVII, que os fisiocratas inventaram um esquema elaborado chamado de Tableau Économique. E os britânicos sentem orgulho de Adam Smith, David Ricardo e Alfred Marshall.
No entanto, a literatura econômica pós-escolástica, particularmente a do século XVII e XVIII, em Espanha, Portugal e na Itália, é tão extensa e interessante que exige que lhe façamos justiça. É uma tarefa, sem dúvida, que temos que cumprir se quisermos de fato re-humanizar a Ciência Econômica.
Creio que, depois de tudo o que foi abordado no artigo sobre as ideias econômicas dos escolásticos tardios, desejo apenas, primeiro, enfatizar que suas doutrinas econômicas eram compatíveis com a da Escola Austríaca e, segundo, reforçar — já que demonstrá-lo demandaria substancial pesquisa adicional — que suas ideias influenciaram importantíssimos pensadores não escolásticos, como Turgot, Galeani,  Condilac,  Say, Bastiat, Molinari,  Rocher e, por fim, Carl Menger.
Espero que este despretensioso artigo tenha servido para deixar claro que foi no ambiente da "Escolástica Tardia" que se produziram muitas importantes concepções do jus-naturalismo e da ideia de Direito Internacional, além dos tratados de Economia que viriam a influenciar a escola marginalista e o liberalismo da Escola Austríaca nos séc. XIX e XX.
Por isso, posso encerrar com as palavras de meu amigo Alejandro Chafuen que, na conclusão de seu famoso livroEconomia y Etica: Raices Cristianas de La Economia de Mercado, escreve:
Es imposible probar que todos lós escritos de la escolástica tardia favorecían el libre mercado. Tampoco podemos concluir diciendo que para ser um buen Cristiano hay que creer em la economia libre. El hecho de que gente santa defienda uma cierta teoria no es garantia de certeza. El análisis de lós escritos de estos autores sugiere que lós economistas modernos defensores de la libertad econômica tienen para com ellos uma deuda mayor de la que se imaginan. Lo mismo podemos decir de la sociedad libre. [p. 201]
E as últimas palavras de sua conclusão são:
"La propriedad privada está fundamentada em la libertad humana, que a su vez se desprende de la naturaleza humana que, como toda naturaleza, es creada por Dios. La propriedad privada es um prerrequisito esencial para El respeto de las libertades econômicas. La misma seguirá siendo amenazada desde vários frentes y su defensa dependerá de uma nueva generación de escolásticos, hombres de buena formación em El campo de la filosofía moral y de lãs ciências sociales". [p. 202, negrito meu]
O que posso acrescentar a essas palavras de Chafuen, a não ser um "é verdade" repleto de esperança nos jovens que cada vez se interessam mais pela Escola Austríaca, a mais condizente com os valores da ética e da liberdade individual dentre todas as Escolas de Pensamento Econômico?
É verdade, Alex! Como escreveu São Paulo aos coríntios (II Cor 3,17): "Ubi autem Spiritus Domini, ibi libertas". Esta frase do apóstolo dos gentios, que escolhi como lema para minha página na Internet, significa que onde estiver o Espírito do Senhor, aí estará também a liberdade.

Referências bibliográficas:
CALZADA, Gabriel.Las Orígines de la Escuela Austriaca, palestra proferida em 24/1/ 2008 na Universidade Francisco Marroquin, encontrada em:   http://www.newmedia.ufm.edu    
CATHARINO, Alex. Antiguidade e Idade Média, A Filosofia Moral e a Teoria Política de Santo Tomás de Aquino, Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista - Cieep, Rio de Janeiro, sem data.
CHAFUEN, Alejandro A. Economia y Etica: Raices Cristianas de la Economia de Libre Mercado,Rialp, Madrid, 1991
GRICE-HUTCHINSON, Marjorie. The School of Salamanca, Oxford at Clarendon Press, London, 1952, disponível na forma de iBook em: www.mises.org.br    
HOLCOMBE, Randall G. "The Great Austrian Economists." Ludwig von Mises Institute, 1999, iBook.
IORIO, Ubiratan J. Economia e Liberdade: A Escola Austríaca e a Economia Brasileira, Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997 (2ª ed.)
LAURES, John, S.J. The Political Economy of Juan de Mariana, New Yoork, Fordham University Press, 1928, disponível em: www.mises.org em pdf.
ROTHBARD, Murray. Economic Thought Before Adam Smith: An Austrian Perspectiveon the History of Economic Tought, vol. I, Elgar, 1995
SANTOS, Renan. Escolástica: A filosofia durante a Idade Média, em:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/escolastica-a-filosofia-durante-a-idade-media.htm
SOTO, Jesus H. A Escola Austríaca, S. Paulo, Instituto Mises Brasil, 2ª ed, 2010, cap. 3

Mercantilismo versus livre comércio - os primórdios


por   

seaport.jpgA descoberta de novos continentes durante as últimas décadas do século XV ampliou as fronteiras do comércio internacional e levou a uma alteração em sua natureza e a uma expansão em seu volume.  Como resultado da abertura de novas minas de prata nas Américas entre 1540 e 1600, a Europa passou a ser fartamente abastecida por uma abundância de dinheiro metálico, o que facilitou o estabelecimento de uma verdadeira economia baseada em um sistema de preços.
Esta alteração ocorrida no comércio, em conjunto com a ampliação do uso do dinheiro, acelerou o desenvolvimento de um novo espírito de livre iniciativa, pavimentando o caminho para o triunfo das classes mais endinheiradas.  Com efeito, tal fenômeno levou a uma grande transição em todo o arranjo econômico: várias economias até então meramente locais se fundiram em uma grande economia nacional; o feudalismo deixou de existir e deu lugar ao capitalismo comercial; um arranjo de comércio comparativamente pequeno abriu espaço para uma época de extenso comércio internacional.  Esta mudança na estrutura econômica costuma ser rotulada, pelos historiadores econômicos, de "Revolução Comercial".
No mundo das ideias, esta alteração na estrutura econômica encontrou sua expressão naquilo que é conhecido como "mercantilismo".
Em primeiro lugar, todos os mercantilistas entendiam que o objetivo supremo de toda e qualquer atividade econômica era o benefício do estado.  Para eles, os interesses do estado sempre deveriam ter prioridade em relação aos interesses do indivíduo.  O propósito de todas as doutrinas mercantilistas é — e sempre foi — aumentar o poder econômico do estado.  Os interesses do estado de modo algum tinham de estar necessariamente em harmonia com as atividades do indivíduo.  Para os mercantilistas, coisas como salários, juros, indústria e comércio deveriam ser regulados de modo a sempre beneficiar o estado.  Não tardou muito para que tudo isso levasse a uma grande ênfase à importância da acumulação de metais por um estado.
Os motivos oferecidos em defesa da tese da importância da acumulação de metais mudavam de tempos em tempos, mas todos os mercantilistas concordavam que uma nação deveria tentar, de todas as maneiras possíveis, aumentar sua acumulação de metais preciosos.  Em termos gerais, os mercantilistas reconheciam que aqueles países que não possuíam minas de ouro ou prata só poderiam aumentar seus estoques destes metais se apresentassem uma balança comercial favorável (levando-se em conta que apenas meios pacíficos fossem adotados).  Consequentemente, eles passaram a tratar o comércio internacional — e, mais especificamente, os superávits na balança comercial — como sendo a atividade mais imprescindível para as indústrias de uma nação.
Toda a controvérsia entre protecionismo e livre comércio, que começou no final do século XVII, estava ligada ao comércio com as Índias orientais — mais especificamente, às importações trazidas pela Companhia das Índias Orientais.  Na metade final daquele século, as importações de tecidos indianos para a Inglaterra estavam aumentando, especialmente durante as duas últimas décadas.  Devido aos seus altos custos de produção, as indústrias têxteis inglesas não conseguiam lidar com a concorrência dos importados indianos.  O resultado foi que, na última década daquele século, as indústrias de lã e seda inglesas entraram em profunda crise.  Estas indústrias vivenciaram uma forte depressão e um grande desemprego, levando os tecelões e o público em geral a reclamar do comércio com as Índias Orientais.
Os mais conhecidos porta-vozes dos interesses dos tecelões eram John Cary e John Pollexfen.  Assim como outros mercantilistas, eles basearam suas argumentações no conceito de que o estado era uma entidade econômica, e clamaram por uma política econômica nacional específica que beneficiasse o estado.  Cary e Pollexfen julgavam os benefícios do comércio de acordo com a natureza das exportações e importações, e não de acordo com seu volume e valor.  Em outras palavras, "só é vantajoso para o Reino o comércio que exporta nossos produtos e manufaturas; que importa para nós mercadorias que ajudem na fabricação de nossas manufaturas; que nos forneça bens sem os quais não poderíamos manter nosso comércio exterior; e que estimule nossas navegações e aumente nosso número de marinheiros".
Baseando-se nestes critérios, o comércio com as Índias orientais era tido como prejudicial e nada benéfico para a Inglaterra.  Consequentemente, os mercantilistas da época deixaram de valorizar o comércio estrangeiro pelos seus próprios benefícios e até mesmo pelos metais preciosos que ele trazia para o país, mas sim de acordo com seus efeitos sobre as indústrias nacionais.
Os mais hábeis defensores da Companhia das Índias Orientais eram Josiah Child e Charles Davenant.  Eles não negavam o óbvio fato de que o comércio indiano era prejudicial para determinadas indústrias britânicas, mas ainda assim afirmavam que tal fato não era o bastante para condenar o comércio com as Índias orientais.  Em vez de critérios mercantilistas e protecionistas, eles tentaram estabelecer uma nova regra para testar se um determinado comércio era benéfico para um país ou não:
O melhor e mais infalível critério é observar se há um aumento ou uma diminuição de nosso comércio como um todo.  Se o comércio for volumoso e estiver crescendo contínua e diariamente, tanto importações quanto exportações, e se isso estiver ocorrendo não somente por alguns anos, mas por eras, então tal comércio tem de ser nacionalmente proveitoso.
Utilizando este critério e recorrendo a fatos que eles haviam coletado como prova de que o comércio com as Índias orientais vinha promovendo a prosperidade geral da nação, eles foram capazes de apresentar um argumento convincente de que o comércio com as Índias orientais era benéfico para todo o país.  Da mesma maneira, e inversamente, eles tentaram mostrar que as propostas de se proibir o uso de todos os tecidos indianos importados seria deletério para a Inglaterra.
Logo, não deixa de ser extremamente curioso notar que, em toda essa contenda envolvendo fabricantes de tecidos ingleses e importadores de tecidos indianos, embora ambos os lados estivessem argumentando visando a seus próprios interesses especiais, os argumentos apresentados pela Companhia das Índias Orientais — embora nada imbuídos de qualquer genuína devoção ao livre comércio — foram precursores de todos os avanços que posteriormente ocorreriam nos estudos sobre a importância do livre comércio.
E os próprios membros da Companhia das Índias Orientais não poderiam ter assumido essa postura caso não houvessem sacrificado parte de suas doutrinas mercantilistas e recorressem à doutrina do livre comércio.  A seguinte citação talvez seja suficiente para revelar seus principais argumentos:
O comércio, por sua própria natureza, é livre.  Ele é capaz de encontrar seu próprio conduto e é capaz de se dirigir ao melhor arranjo.  Todas as leis criadas com o intuito de impor regras e direções, de limitar e confinar o comércio, irão servir apenas aos objetivos particulares de determinados indivíduo.  Raramente serão benéficos para o público.
Vale enfatizar novamente que tais pessoas não eram devotas do livre comércio.  Elas defendiam deixar o comércio livre de amarras somente na medida em que tal argumento servia aos propósitos de sua Companhia e na medida em que suas ideias constituíam um mero argumento em prol de um interesse especial.  Não obstante, tais homens involuntariamente pavimentaram todo o caminho para a defesa intelectual do livre comércio.

O artigo acima é um trecho do capítulo II do livro An Outline of International Price Theory

Chi-Yuen Wu formou-se na London School of Economics durante a Grande Depressão.  Retornou à China às vésperas da guerra contra o Japão.  No auge da instabilidade econômica do país, após ter sido desalojado de sua casa, ele se refugiou em algum lugar remoto da China ocidental para escrever seu tratado sobre comércio internacional, An Outline of International Price Theory, o qual Murray Rothbard afirmou ser uma contribuição seminal para a teoria dos preços e do comércio internacional. 

A ascensão do capitalismo



EC_Issues_Economy_lg.jpgO sistema pré-capitalista de produção era restritivo.  Sua base histórica era a conquista militar.  Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos.  Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.
Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício).  Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação.  Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção.  Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais.  Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora".[1]  Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos.  Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente. 
Mas então surgiu o capitalismo.  É costume ver as inovações radicais que o capitalismo produziu ao substituir os mais primitivos e menos eficientes métodos dos artesãos pelas fábricas mecanizadas.  No entanto, esta é uma visão bastante superficial.  A feição característica do capitalismo que o distinguiu dos métodos pré-capitalistas de produção era o seu novo princípio de distribuição e comercialização de mercadorias.
O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas.  As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados.  E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão.  Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas.  Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados.  Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.
Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia.  Eles são os consumidores soberanos que "sempre têm razão".  Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade.  Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos.  Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades.  Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem sucedidos em satisfazer seus desejos.
Sob o capitalismo, a propriedade privada dos fatores de produção por si só representa uma função social.  Os empreendedores, os capitalistas e os proprietários de terras são os mandatários, por assim dizer, dos consumidores, e seus mandatos são plenamente revogáveis.  Em um mercado livre e desimpedido, no qual não há regulamentações, subsídios ou protecionismos estatais, para um indivíduo ser rico, não basta ele ter poupado e acumulado capital.  É necessário que ele invista, contínua e repetidamente, naquelas linhas de produção que melhor atendam aos desejos dos consumidores.  O processo de mercado torna-se um plebiscito que é repetido diariamente, e que inevitavelmente expulsa da categoria dos eficazes e rentáveis aquelas pessoas que não empregam sua propriedade de acordo com as ordens dadas pelo público.  Consequentemente, em um mercado livre de protecionismos e privilégios concedidos pelo governo, as grandes empresas — sempre o alvo do ódio fanático de todos os governantes e de pretensos intelectuais — adquirem e mantêm seu tamanho unicamente pelo fato de elas atenderem aos desejos das massas.  As indústrias voltadas para satisfazer os luxos de poucos jamais adquirem um tamanho significativo.
A principal falha dos historiadores e políticos do século XIX foi terem se mostrado incapazes de perceber que os trabalhadores eram os principais consumidores dos produtos das indústrias.  Na visão deles, o assalariado era um homem trabalhando árdua e exaustivamente para beneficiar unicamente uma classe ociosa e parasítica.  Tais pessoas estavam sob a ilusão de que as fábricas haviam prejudicado todos os trabalhadores manuais.  Tivessem eles prestado um pouco mais de atenção nas estatísticas, teriam facilmente descoberto a falácia desta sua opinião.  A mortalidade infantil foi reduzida, a expectativa média de vida aumentou, a população se multiplicou e o cidadão comum passou a usufruir confortos que os mais abastados das épocas mais antigas sequer sonhavam existir.
No entanto, este enriquecimento sem precedentes das massas foi meramente um subproduto da Revolução Industrial.  Sua principal façanha foi retirar a supremacia econômica das mãos dos proprietários de terra e transferi-la para a totalidade da população.  O cidadão comum não mais era um servo que tinha de se satisfazer com as migalhas que caíam das mesas dos ricos.  As três castas párias que caracterizaram as épocas pré-capitalistas — os escravos, os servos, e aquelas pessoas a quem os autores patrísticos e escolásticos, bem como a legislação britânica dos séculos XVI ao XIX, se referiam como 'os pobres' — desapareceram.  Seus descendentes se tornaram, neste novo arranjo econômico, não apenas trabalhadores livres, mas também consumidores.
Esta mudança radical se refletiu na ênfase que as empresas passaram a dar aos mercados.  O que uma empresa necessita acima de tudo é de mercados e mais mercados.  'Atender ao mercado' passou a ser o lema das empresas capitalistas.  Mercados — isto significa clientes, compradores, consumidores.  Sob um capitalismo genuíno, livre de privilégios estatais, há apenas uma forma de enriquecer: servir aos consumidores de uma maneira melhor e mais barata do que fazem as outras pessoas, os concorrentes.
Dentro das empresas e indústrias, o proprietário — ou, nas grandes corporações, o representante dos acionistas, o presidente — é o chefe.  Porém, este controle é apenas aparente e condicional.  Ele está sujeito à supremacia dos consumidores.  O consumidor é o rei, é o verdadeiro chefe, e o produtor estará acabado caso ele não supere seus concorrentes na disputa de melhor servir aos consumidores.
Foi esta grande transformação econômica que mudou a face do mundo.  Ela rapidamente transferiu o poder político das mãos de uma minoria privilegiada para as mãos do povo.  À emancipação industrial seguiu-se o direito ao voto para os adultos.  O cidadão comum, para quem o processo de mercado havia dado o poder de escolher os empreendedores e os capitalistas, adquiriu o poder análogo no campo governamental.  Ele se tornou um eleitor.
Já foi observado por eminentes economistas, creio que primeiramente por Frank A. Fetter, que o mercado é uma democracia na qual cada centavo dá direito a votar.  Seria mais correto dizer que um governo representativo escolhido pelas pessoas é uma tentativa de se arranjar as questões constitucionais de acordo com o modelo do mercado.  Porém, tal intento jamais pode ser completamente realizado.  No campo político, será sempre a vontade da maioria que irá prevalecer, de modo que as minorias devem se limitar apenas a aquiescer.  Já no mercado, as minorias também são servidas, desde que elas não sejam tão insignificantes em número a ponto de se tornarem negligenciáveis.  A indústria de vestuário produz roupas não somente para pessoas normais, mas também para os obesos, e as editoras não publicam somente romances policiais para as massas, mas também livros para leitores específicos e exigentes.
Há uma segunda e importante diferença.  Na esfera política, não há como um indivíduo ou um pequeno grupo de indivíduos desobedecerem à vontade da maioria.  Porém, no campo intelectual, a propriedade privada faz com que rebeliões sejam possíveis.  O rebelde tem um preço a pagar por sua independência; não há prêmios neste universo que possam ser conquistados sem sacrifícios.  Porém, se um homem estiver disposto a pagar o preço, ele é livre para divergir e se afastar da ortodoxia ou da neo-ortodoxia dominante.
Quais teriam sido as condições, nas comunidades socialistas, para heréticos como Kierkegaard, Schopenhauer, Veblen ou Freud? Para Monet, Courbet, Walt Whitman, Rilke ou Kafka?  Em todas as épocas, os pioneiros e desbravadores das novas formas de pensamento e atitude só puderam atuar porque a propriedade privada tornou possível que indivíduos pudessem expressar seu descontentamento para com a maioria e, consequentemente, pudessem praticar sua desobediência.  Apenas alguns poucos destes separatistas eram economicamente independentes o suficiente para desafiar o governo perante as opiniões da maioria.  Os outros tiveram de procurar (e encontraram) na livre economia pessoas preparadas para ajudá-los e lhes fornecer suporte.  O que teria sido de Marx sem seu patrono, o industrial Friedrich Engels?

Este artigo foi extraído do livro Liberty & Property.

A paralisação do governo americano e o pavor dos keynesianos



government-closed.jpgO governo americano está, a partir desta terça-feira, 1º de outubro, com pagamentos de funcionários públicos e de fornecedores, bem como repasses a estados e municípios, suspensos por falta de orçamento.  A oposição republicana se manteve irredutível: só votaria o orçamento do ano fiscal de 2014 se a Casa Branca concordasse em postergar em um ano a adoção da reforma da Saúde.  Como isso não ocorreu, o orçamento não foi votado e, como consequência, grande parte do setor público dos EUA será "paralisado" a partir desta terça-feira.
Segundo uma reportagem do governista The Washington Post, a paralisação do governo americano está longe de ser uma genuína paralisação.
Portanto, é hora de começarmos a pensar em como realmente seria esta paralisação do governo federal.
Nem todas as funções do governo irão simplesmente se evaporar no dia 1º de outubro.  Os cheques da Previdência Social continuariam sendo enviados pelos Correios, os quais também continuariam funcionando.  O controle de tráfego aéreo, os pagamentos de pensões, os serviços militares, os serviços médicos e controle de fronteiras, entre outros, também continuarão ativos.  Porém, vários ministérios e agências federais serão fechados, desde o Ministério da Educação até centenas de parques nacionais, e seus funcionários ficarão em casa em licença não-remunerada.
Como é que é?  O Ministério da Educação será fechado?  Uma agência que supervisiona um fracasso universalmente reconhecido será fechada e isso deve ser visto como algo ruim, como uma ameaça? Próxima!
Os parques nacionais serão fechados?  Sem problemas!  O governo pode simplesmente elevar os preços das entradas para conseguir algum lucro.  Cobrar valores inteiros em vez de subsidiados por impostos não é o mesmo que um fechamento.  Mas e se os americanos não quiserem pagar para visitar parques federais?  Aí então a ameaça de um fechamento não é realmente uma ameaça.  Seria apenas o fechamento de algo pelo qual os turistas não querem pagar para visitar.
Keynesianos têm um mantra: os benefícios dos gastos do governo federal sobrepujam os malefícios dos déficits.  Trata-se de um raciocínio econômico tosco.  Já a Escola Austríaca de economia possui um outro mantra: redução de impostos aumenta a liberdade.  Os EUA estão prestes a testar o primeiro mantra.
Esta reportagem da CNN é típica.
Um fechamento do governo poderia custar à ainda debilitada economia americana aproximadamente US$1 bilhão em salários não-pagos a funcionários públicos federais que serão compulsoriamente colocados em licença não-remunerada.  E esta é apenas a ponta do iceberg.
Em primeiro lugar, estima-se que 800.000 funcionários públicos que ficarão sem emprego.  Este é praticamente o mesmo número de trabalhadores empregados por todas as linhas de montagem de automóveis e por todas as fábricas de autopeças do país.
O inchaço federal será reduzido.  Isso apavora os keynesianos.  No entanto, o que pode ocorrer é que dificilmente alguém irá notar a ausência destes burocratas.  O maior perigo é que o cidadão americano descubra que tudo aquilo que estes burocratas fazem à custa dos pagadores de impostos pode perfeitamente ser feito sob um arranjo de "taxas em troca de serviços".  Talvez empresas privadas possam ofertar tais serviços.  Talvez o governo possa, em vez de cobrar impostos universais, cobrar apenas dos usuários destes serviços uma taxa que cubra os custos.
Se um cidadão quer ir a um museu federal ou a um parque nacional, ele que pague para entrar.  É assim que funciona na Disney.  Um grande conceito.  Nada de férias grátis para alguns eleitores que gostam de tais atividades.
Se um cidadão americano quiser um passaporte, ele pode pagar separadamente para o governo lhe vender um.  Por que tal atividade deveria ser subsidiada pelos pagadores de impostos?
Estes trabalhos por acaso exigem grandes habilidades?  Não.  Pode o governo contratar trabalhadores avulsamente, a um salário de US$15 a hora, sem benefícios de aposentadoria e sem ter de pagar seguro-saúde?  É claro que sim.
Este fechamento do governo americano irá revelar aquilo que os cidadãos que realmente pagam impostos já sabem: há muita gordura no governo federal.  Há vários burocratas recebendo salários nababescos e sendo protegidos pelo seu status de funcionário público.  Eles fazem trabalhos que podem ser perfeitamente terceirizados, a custos bem mais baixos, para o setor privado.
Eis uma rápida lista de empregos públicos que serão cortados.
Adicionalmente, o estrago para a economia é muito maior do que apenas o gasto público federal.  Aqueles empregados públicos considerados "não-essenciais" são sim essenciais para vários setores da economia que dependem deles.  Por exemplo, a perda de dados do Departamento da Agricultura fará com que seja mais difícil para agricultores e investidores tomarem decisões.
O que ocorrerá se todo o Ministério da Agricultura for fechado?  Os subsídios e as tarifas protecionistas para os ineficientes acabarão.  Regulamentações restringentes serão abolidas. A produção agrícola irá aumentar.  Os preços dos alimentos cairão.
E então há estes burocratas.
O aparato regulatório também sofrerá.  A Comissão de Valores Mobiliários colocará vários de seus empregados em licença não-remunerada, mas não quis fornecer o número exato.  A Comissão emitiu uma declaração dizendo que a agência "permanecerá aberta e funcional mesmo que o governo federal enfrente um lapso em suas apropriações".
Commodities Futures Trading Commission [responsável pelo mercado de futuros] irá dispensar 652 de seus 680 funcionários.  Isso deixará 28 pessoas para regular boa parte do mercado de derivativos, que gira US$565 trilhões.  Sim, trilhões.
Nenhum destes burocratas é vital.  Nenhum deles foi capaz de alertar sobre a crise de 2008.  O Diário Oficial da União publica 80.000 páginas de novas regulamentações por ano.  E se elas fossem reduzidas a zero?  Os EUA reconquistariam boa parte de suas liberdades.
Quantos destes 800.000 empregos públicos podem ser abolidos ou terceirizados?  Por que não fazer um teste para descobrirmos?
Porém, economistas dizem que o impacto virá não somente destes salários que deixarão de ser pagos aos funcionários públicos, mas também de vários empreendimentos ligados a estes funcionários públicos, os quais terão de retrair ou até mesmo interromper seus negócios.  Isto irá levar a uma retração nos gastos dos trabalhadores destas empresas afetadas.
O impacto econômico total supostamente será pelo menos 10 vezes maior do que o simples cálculo dos salários não-pagos aos funcionários públicos, disse Brian Kessler, economista da Moody's Analytics.  Sua empresa estima que uma paralisação de três a quatro semanas irá custar à economia americana aproximadamente US$55 bilhões.
Isso significa que o impacto econômico de um fechamento de um mês seria praticamente igual aos distúrbios causados conjuntamente pelo furacão Katrina e pela super-tempestade Sandy, desconsiderando os danos físicos causados por essas tempestades.
Em suma: gastos federais são positivos para a economia, pois, dentre outras coisas, ajudam a manter aquelas empresas privadas voltadas exclusivamente para atender às demandas destes gastos públicos.  Um corte de gastos tem o mesmo poder destruidor de um furacão.  Sério.
Várias empresas privadas, como empreiteiras que possuem contratos com o governo federal, terão de reduzir seu quadro de empregados caso não mais consigam os contratos de prestação de serviços que normalmente conseguem junto ao governo.  Há também uma grande variedade de empreendimentos que dependem do governo para conduzirem suas operações rotineiras — por exemplo, empresas de turismo que dependem de os parques nacionais permanecerem abertos.
O corporativismo e o clientelismo serão reduzidos?  Empresas terão de se virar no livre mercado, sem usufruir contratos privilegiados e superfaturados junto ao governo?  Isso soa extremamente produtivo.
Um fechamento do governo irá também afetar pequenos empreendimento, uma vez que [a agência reguladora] Small Business Administration também não mais poderá processar pedidos de empréstimos.
Isso é positivo.  Empreendimentos de alto risco, esbanjadores e subsidiados pelo governo não serão iniciados.
Mas o que realmente preocupa os economistas não é o que ocorrerá em decorrência de um fechamento do governo.  A real preocupação é se a atual batalha legislativa irá impedir que o teto da dívida seja elevado antes que o Tesouro fique sem dinheiro para pagar as contas nacionais.
A não-elevação do teto da dívida seria excelente.  Isso significa menos dinheiro sendo retirado de atividades produtivas para ser desviado para os títulos do governo.  Isso significa que o dinheiro poderá ir para o setor privado em vez de financiar as ineficiências estatais. 
Até agora, tudo está ótimo.
Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, testemunhou perante o Congresso na semana passada e disse que, embora um fechamento do governo vá gerar uma redução no crescimento econômico, a não-elevação do teto da dívida irá forçar o governo a implementar profundos cortes de gastos, os quais iriam rapidamente afundar a economia americana em uma nova recessão.
Isso é keynesianismo em estado bruto.  É sempre bom ter uma chance de testar o keynesianismo em condições de laboratório.
Será que realmente devemos acreditar que é impossível o governo federal equilibrar seu orçamento?  Se isso de fato for verdade, então ele inevitavelmente irá quebrar, e isso o obrigará a equilibrar o orçamento. 
Portanto, o orçamento terá de ser equilibrado de um jeito ou de outro.  Isso deve ser feito agora ou mais tarde?  Meu voto é que seja agora.
Que comece o teste.  Quais burocratas serão dispensados?  Por quanto tempo?  Quais podem ser terceirizados?
Isso irá responder a uma pergunta: "E se nada daquilo com que a maioria dos eleitores realmente se importa for fechado?"
Conclusão
A frase "fechamento do governo" não significa realmente um "fechamento do governo".  Significa "paralisação de atividades improdutivas".  Significa "paralisação de subsídios para grupos de interesse".
E os Correios?  Serão fechados?  Não.
E a CIA?  Será fechada?  Não.
E a agência de bisbilhotagem NSA?  Será fechada?  Não.
E a TSA [Transportation Security Administration] e seus burocratas que apalpam as partes íntimas de passageiros nos aeroportos?  Será fechada?  Não.
E o Departamento de Segurança Interna?  Será fechado?  Não.
Minha sugestão: parem de se preocupar com um fechamento do governo.  Ao contrário, preocupem-se com o fato de que grande parte do governo ainda continuará funcionando.

Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seuwebsite

Pessoas egoístas são mais felizes



Isso se você conseguir escapar do sentimento de culpa.
Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, convidou mais de 200 estudantes para diferentes atividades. Na primeira delas, os participantes receberam 3 dólares e foram divididos em três grupos: uma turma seria obrigada a gastar o dinheiro com coisas para si, outra teria de deixar a “fortuna” numa instituição de caridade, enquanto os outros poderiam escolher entre doar ou não.
Em seguida, eles tiveram de classificar, numa escala de 1 a 7, o nível de satisfação que tiveram com a tarefa. Quem não teve opção, a não ser torrar o dinheiro com qualquer bobeira se sentia bem mais feliz.
segundo teste foi parecido: alguns participantes tinham de comprar cartões de presente para si mesmo, ou para caridade ou podiam escolher uma das duas opções. Mais uma vez, o grupo mais feliz era aquele que não podia escolher e era obrigado a comprar os cartões para si.
No último estudo, os pesquisadores doaram 20 dólares para cada pessoa e perguntaram se gostariam de guardar ou doar a quantia. Em seguida disseram aos participantes que o computador decidiria o destino do dinheiro. Quem ficou com a grana, por escolha do pc, ficou bem mais feliz.
Sei não… você concorda com a pesquisa?
Crédito da foto: flickr.com/55628909@N04

Homens castrados vivem mais



A gente já deu algumas dicas sobre como viver mais. Se você for baixinhoextrovertidotomar café e não ser lá muito feliz, a chance de chegar prolongar a vida é grande. Agora, se for homem e quiser ganhar mais uns 19 anos de vida, a ideia é um pouco mais radical: castração. Topa?
Os coreanos antigos provam isso. Um grupo de pesquisadores da Universidade da Coreia analisou dados genealógicos de 81 eunucos que viveram entre os anos de 1556 e 1861. Entre eles, era comum a prática da castração (por meio da remoção do pênis ou testículos). E eles viviam, em média, até os 70 anos. Já os membros da família real ou classe média, que não eram castrados, viviam aproximadamente 45 anos.
Entre os homens pesquisados, três deles chegaram aos 100 anos. É uma média boa – hoje em dia, só um em cada 4,4 mil americanos chega lá.
Isso significa que, de alguma forma, os hormônios sexuais masculinos influenciam no tempo de vida das pessoas. Segundo a pesquisa, eles podem influenciar negativamente o sistema de defesa do corpo e “predispor os homens a ataques cardiovasculares”.
E aí, alguém a fim de viver mais? Só vale lembrar que quantidade nem sempre é qualidade…
(A foto é do Varys, do Game of Thrones)
Crédito da foto: fanpop.com/