domingo, 29 de setembro de 2013

Música para viver melhor!

Música para viver melhor!

para Karyni, Karolyni e Eduardo

Sou do tempo do disco de vinil – Long Play (LP). Uma época na qual a aquisição de um disco exigia aperto no orçamento. Recordo que aos sábados íamos à São Caetano, ABC paulista, em lojas tipo saldão que vendiam LPs a preços módicos. Às vezes, o gosto musical induzia ao sacrifício orçamentário para comprar o vinil novo. Forço a memória, mas não consigo lembrar o primeiro disco comprado. Também pudera! Estou nas raias do cinqüentenário e lá se foram os anos. Contudo, recordo do presente que ganhei: o LP duploBee Gees Greatest. Inesquecível! Foi a fase do sucesso, quase que uma febre, do Saturday Night Fever (Osembalos de sábado à noite) e Grease – nos tempos da brilhantina.
Já naquela época o meu gosto musical era democrático – ou, como se diz, eclético. Ouvia samba, música caipira, trilhas sonoras de novela, músicas românticas, rock nacional e internacional e o que tocava nas discotecas. Mas havia limites! Não gostava, por exemplo, de música clássica. Era quase que um preconceito. Quando, anos depois, ouvi Vivaldi, Beethoven, etc., me rendi. Já era o tempo do CD e, entre os primeiros que adquiri, um era a música de Antonio Vivaldi. Fiquei maravilhado com o som do CD.
Hoje, dezenas e centenas de CDs cabem num HD, no formato MP3. Fico admirado com as possibilidades do acesso a qualquer estilo musical. Gosto de experimentar, de ouvir o que não conheço! Nada se compara, porém, à experiência de ouvir música ao vivo. Fui a poucos shows. Certa vez, quando ainda cursava o secundário na Escola Estadual Mário Casassanta, bairro da Vila Alpina, zona leste de São Paulo, teve a apresentação de bandas de rock. Gostei daquela barulheira! Doutra feita, fui ao show do Chico Buarque; também assisti à apresentação do Língua de Trapo, Zé Geraldo, Geraldo Azevedo, etc.
Das minhas vivências musicais há três experiências marcantes: a apresentação da orquestra na Fundação Santo André (quando graduava em Ciências Sociais); da Karyni Da Vila e a irmã Karolyni Da Vila; e o show daOrquestra de Sopros de Paranavaí (PR), da qual participa o Eduardo Amaral.
Como é envolvente o som da orquestra! Fico admirado com a harmonia entre os diversos instrumentos, os músicos e as musicistas. É simplesmente maravilhoso ver e ouvir o som harmônico produzido por tamanha diversidade. Não é menos impactante o solo ou, como na apresentação da Karyni e Karolyni, a harmonia musical de dois instrumentos, a viola de arco e o violoncelo (o primeiro tocado pela Karyni; o segundo pela Karolyni). Elas se apresentaram aos calouros do curso de Ciências Sociais (DCS/UEM), no início deste semestre. Nada sei do que se passava nos corações e mentes dos futuros cientistas sociais presentes naquele dia, mas foi uma experiência de vida inesquecível. Agradeço a elas por aceitarem o convite.*
O passar do tempo contribui para o aprendizado e também para o refinamento do gosto musical – embora, diz o senso comum, gosto não se discute. Conheci o Blues, a história do Blues e, por este caminho cheguei ao Jazz e à História do Jazz. Hoje, adoro Blues e Jazz. Ouvir a Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR)** foi a oportunidade de vivenciar ao vivo o som que aprendi a gostar apenas ouvindo CDs, MP3 e/ou assistindo documentários que encontrei na internet.
Nada se compara ao ver e ouvir in loco. O olhar se perde no admirar, a alma se enleva, o corpo reage à variação do tom e a música comanda os sentidos. Sentir a música, se envolver no ritmo dos instrumentos e se deixar levar pela atmosfera harmoniosamente criada. Viver a experiência como única e intransferível. Momentos como estes deixam marcas indeléveis na alma e fazem a vida valer a pena ser vivida! A música estimula a imaginação, revivifica as lembranças, mas também faz esquecer. Seja como for, faz bem ouvir música – especialmente, ao vivo!

* A Karyni estuda música na UEM; a Karolyni é graduanda em Filosofia. Elas participam da Orquestra Filarmônica do Cesumar. O vídeo tem a participação delas.
** O vídeo  foi gravado com câmara digital. É apenas uma mostra parcial do trabalho da Orquestra de Sopros de Paranavaí, para que o leitor conheça.

Sobre o humano

Sobre o humano

A reprodução dos trechos abaixo tem o simples objetivo de estimular a reflexão sobre a natureza humana, o humano demasiado humano como diria Nietzsche. Não é apenas sobre o passado que as palavras se referem; elas dizem muito a respeito do presente…
***
“(Dostoiévski conta em seu diário que na Sibéria, em meio a multidões de assassinos, estupradores e ladrões, nunca encontrou um único homem que admitisse ter agido mal).”[1]
“Essa atitude “objetiva” – falar dos campos de concentração em termos de “administração” e dos campos de extermínio em termos de “economia” – era típica da mentalidade da SS, e algo que Eichmann ainda muito se orgulhava no julgamento.”[2]
“… os assassinos não eram sádicos ou criminosos por natureza; ao contrário, foi feito um esforço sistemático para afastar todos aqueles que sentiam prazer físico com o que faziam.”[3]
***
“… o longo hábito de não pensar que uma coisa seja errada lhe dá o aspecto superficial de ser certa, e ergue de início um temível brado em defesa do costume. Mas o tumulto não tarda em arrefecer. O tempo cria mais convertidos do que a razão.”[4]
***
“A autêntica religião em geral, e a fé cristã em particular, com sua incansável ênfase sobre o indivíduo e seu papel na salvação, conduzindo à elaboração de um catálogo de pecados maior que o de qualquer outra religião, nunca poderiam ser utilizados como tranqüilizantes. As ideologias modernas, sejam elas políticas, psicológicas ou sociais, são muito mais qualificadas para imunizar a alma do homem contra o impacto traumatizante da realidade do que qualquer religião tradicional que conheçamos. Comparada com as diversas superstições do século XX, a pia resignação à vontade de Deus é como um canivete de criança em competição com armas atômicas.”[5]
***
“São raríssimas as vezes que os homens são inteiramente maus ou inteiramente bons.”
“… os homens não sabem ser honrosamente maus, nem perfeitamente bons, e como uma maldade tem em si alguma coisa de grande ou é generosa em alguma parte, os homens não sabem praticá-la.”[6]
***
“Que juízo se pode fazer da beleza moral dessas almas, que passavam a existência a cortar de açoites as carnes de míseros escravos e que aceitavam como legítimo viver do trabalho destes desgraçados, cuja vida será um martírio contínuo?”[7]
“Cativos, martirizados, eles se enforcam em séries, atiram-se às caldeiras de garapa fervente – o suicídio é o fato comum; é por exceção que matam o senhor algoz. Relativamente, são raríssimas as vinganças e represálias. A escrava martirizada ontem pela senhora toma-lhe hoje o filho e o cria, amorosa, solícita, com o cuidado e a ternura da maternidade desinteressada. Ainda hoje, os descendentes destes escravizados de três séculos afagam por aí, com o seu carinho esquecido e submisso, o egoísmo do branco absorvente.”[8]
Padre Antonio Vieira
***
“Eles mandam, e vós servis; eles dormem, e vós velais; eles descansam, e vós trabalhais; eles gozam o fruto de vossos trabalhos, e o que vós colheis deles é um trabalho sobre outro. Não há trabalhos mais doces que os das vossas oficinas; mas toda essa doçura para quem é? Sois como as abelhas, de quem disse o poeta: ‘Sic vos non vobis mellificatis apes[9][10]
***
“Afora os artistas e os intelectuais, poucos agentes sociais dependem tanto, no que são e no que fazem, da imagem que têm de si próprios e da imagem que os outros e, em particular, os escritores e artistas, têm deles e do que eles fazem.”[11]
***
“Nos séculos IV e V, quando os cristãos atacavam os pagãos, destruíam seus santuários e lugares sagrados, as exceções eram os sacerdotes, que eram atacados, como sempre, apenas pela queima de seus livros. Quando os pagãos atacaram os cristãos na última “grande” perseguição, tentaram destruir seus livros, confiscando as Escrituras cristãs e queimando-as. A tarefa não foi fácil, pois os cristãos haviam produzido tantos livros diferentes que poderiam lhes entregar alguma coisa considerada “hierática”.”[12]
***
E você, caro(a) leitor(a), qual a sua reflexão sobre estas breves citações? Quais palavras que você acrescentaria?

[1] ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 60.
[2] Idem, p. 83.
[3] Idem, p. 121.
[4] PAINE, Thomas. Senso Comum e outros escritos políticos. São Paulo: IBRASA, 1964, p. 3. (Clássicos da Democracia)
[5] ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo, Editora Perspectiva, 2001, p. 179.
[6] MAQUIAVEL, Discorsi, I, 27, apud in BIGNOTO, Newton. Maquiavel Republicano. São Paulo: Loyola, 1991, p. 103.
[7] BONFIM, Manuel. A América Latina. In: SANTIAGO, Silviano. (Org. ) Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2000, pp. 607-917 – a citação é da p. 652.
[8] Id., p. 792.
[9] Verso atribuído a Virgílio: “Assim vós, mas não para vós, fabricais o mel, abelhas”.
[10] Padre Antonio Vieira, citado em: BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Editora Cultrix, 2006, p. 46.
[11] BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo, Editora Perspectiva, 1974, p. 108.
[12] FOX, Robin Lane. Cultura escrita e poder nos primórdios do cristianismo. In: BOWMAN, Alan K. e WOOLF, Greg. (Org.) Cultura escrita e poder no mundo antigo. São Paulo, Ed. Ática, 1998, p. 155.

Pode existir amizade entre o professor e o aluno?


Pode haver amizade entre o(a) professor(a) e os(as) alunos(as)? Se a amizade pressupõe igualdade, ela não tem espaço onde as relações humanas se pautam por relações de poder. A autoridade do professor pode ser exercida democrática ou autoritariamente, mas não deixa de expressar relação de poder. Ambos, professores e alunos, de certa forma, representam papéis diferentes. Como escreve Vernant (2002, P. 31)*:
“Um professor age como um ator quando chega numa sala de aula. Mas existem diferentes formas de atuar. Podemos bater na mesa e mostrar toda a distância que separa alunos do professor. Podemos jogar o jogo contrário, e foi o que fiz quando dei aulas no colégio: não só sendo informal com os alunos, mas procurando abolir, até nas roupas e no vocabulário, qualquer indício de autoridade conferida por uma hierarquia social. Evidentemente, o professor sabe muito bem, seja qual for a estratégia que adotar, que não é a mesma coisa ser professor e ser aluno.”
O aluno também tem plena consciência da realidade que o interpõe ao professor. Ele joga o jogo e pode vislumbrar na postura do professor uma simples manifestação demagógica – como também pode se convencer, simplesmente, de que o professor é um tolo. Faz parte da sua estratégia de sobrevivência diante das regras sociais e burocráticas. É compreensível. Por mais que o professor se mostre democrático e amigo, ambos, ele e o aluno, sabem que: “Aquele que está sentado em sua carteira e aquele que se encontra atrás da mesa não possuem o mesmo estatuto. A estratégia da não-distância pode ser muito eficiente ou, ao contrário, conduzir aquele que a usa para a catástrofe” (p. 31-32).
Professor e aluno expressam uma relação social. Contudo, a representação democrática implica a idéia de que ambos compartilham do mesmo grupo, constituem uma comunidade. Neste sentido, é possível estabelecer um jogo que questione a hierarquia socialmente definida. Para Vernant, não se trata apenas de uma habilidade, mas de “uma estética, e de uma ética da relação social” (p. 32). O professor ético não tenta iludir seu aluno, até porque este sabe que o poder burocrático-institucional legitima a função professoral.
“É preciso começar por deixar de ser professor para poder sê-lo”, afirma Vernant. Mas é possível ao professor deixar de sê-lo, abdicar do seu papel e mesmo do seu poder? E ainda que o faça não soará como falso ao seu aluno? A amizade implica um cimento que une os iguais em suas diferenças e permite a constituição da comunidade. A idéia de que professores e alunos constituem uma comunidade, um grupo, indica que, apesar do jogo de poder, eles são cúmplices:
“Esse elemento fundamental é o sentimento de cumplicidade, de uma comunidade essencial sobre as coisas mais importantes. Na relação do professor com seus alunos, é o fato de compartilhar uma certa imagem do que deve ser uma pessoa, de ter em comum uma forma de sensibilidade e de abertura para o outro, de concordar com a idéia de que ser outro significa também ser semelhante” (Id.).
É preciso anular a distância que separa professores e alunos, mas é possível? Não se pode ser simultaneamente professor e aluno. Também não se deve perder de vista que “as estratégias igualitárias têm um aspecto hipócrita, demagógico, e podem na verdade reforçar as posições de poder” (Id.). E os limites entre o democrático e demagógico são tênues. Porém, se o ser professor indicar uma atitude fundada em algo mais forte do que a relação de poder. Ou seja, se há ética na relação social e a compreensão de que professor e aluno constituem uma comunidade, então é possível diminuir a distância que os separa e fortalecer a relação fundada no sentimento de amizade. Este sentimento não indica harmonia, mas pertencimento à mesma comunidade. Ao pautarmos a relação por esta ética e sentimento, a amizade nos transforma. Assim, se o professor demonstra amor pelo que faz e respeito aos seus alunos, maior será a possibilidade destes se verem numa relação social formadora de uma comunidade cimentada por laços de solidariedade.
A amizade “sempre implica afinidades relativas às coisas essenciais” (p. 33). Trata-se de colocar em destaque o que é fundamental na relação professor-aluno para que eles se reconheçam enquanto um grupo constituído, uma comunidade. Pois a amizade também implica em que os diferentes compartilhem para que possam criar algo juntos. Nesta relação, o professor se constrói e também aos seus alunos: na medida em que está aberto ao outro, este outro se reflete nele e ele se transforma; mas, simultaneamente, transforma o outro. Nessa interação, que é conflitante e contraditória, a amizade torna-se possível.
E você, caro(a) leitor(a), considera possível a amizade entre professores e alunos? Como avalia os argumentos expostos acima?

* Esta reflexão resulta de notas de leitura da obra Entre Mito e Políticade Jean-Pierre VERNANT (São Paulo: Edusp, 2002). Todas as citações se referem a este livro.

Sobre a Amizade

Sobre a Amizade

*“Entre amigos tudo é comum”, já diziam os gregos. Eles foram os primeiros a estabelecerem a separação público e privado. A esfera pública diz respeito ao que deve ser compartilhado, colocado em comum; já o âmbito do privado se refere ao que pertence a cada indivíduo, à sua singularidade. A amizade se tece na interface entre o público e o privado. Através dela publicizamos a nossa individualidade, compartilhamos nossos desejos e sonhos. Mas isto não se dá aleatoriamente, e sim em comunidade. Esta é a chave da amizade: os amigos formam uma comunidade de compartilhamento, sentem-se em comum. Não se trata, portanto, de uma relação restrita a dois indivíduos, mas a um fórum mais amplo que inclui os que constituem “os amigos”. Isto não quer dizer que tudo entre eles é “comum”, nem que a relação de igualdade suprima as diferenças A amizade supõe um certo igualitarismo, fundado no que é comum, e divergências.
A amizade pressupõe partilha, igualdade. Não pode haver amizade em relações de poder, em que um se sobrepõe ao outro e um dos pólos se submete. “Quando se é amigo, mesmo se existir discordância ou rivalidade, é-se igual. Para um grego, só é possível ter amizade por alguém que é, de alguma forma, um semelhante: um grego para com outro grego, um cidadão para com outro cidadão” (p.28). [1] A política do “inimigo meu inimigo teu” exige submissão ao indivíduo que se considera o líder ou se imagina a personificação do grupo. A homogeneidade do grupo não pode descartar a diferença. “Não há philía sem rivalidade, éris” (Id.). A amizade pressupõe conflitos e, portanto, uma relação democrática. Sem discussão não se tem amizade, mas sim submissão.
A amizade inclui os amigos, mas também os colegas. A diferença talvez esteja no grau de intensidade: se considero alguém meu amigo, sinto-me mais próximo dele e mais predisposto a compartilhar; já o colega é alguém mais distante, porém, como o amigo, compõe o círculo, a comunidade, isto é, constitui uma referência.
A amizade pressupõe igualdade e partilha, mas não em qualquer circunstância e com qualquer um. Na verdade, escolhemos com quem compartilhar, quem é o nosso igual. A amizade é eletiva e seletiva. “As pessoas que escolhemos, aqueles com quem temos afinidades são aquelas que nos inspiram uma confiança total. Existe nisso algo da ordem da escolha, da avaliação; o “nós” não existe necessariamente apenas porque trabalhamos no mesmo setor ou porque temos as mesmas idéias” (p.30). É preciso sentir-se em comunidade. “E não existe comunidade sem philía, sem o sentimento de que, entre o outro e nós, alguma coisa circula, a qual os gregos podiam representar sob a forma de um daímõn alado, que voa de um para o outro” (p.31).
“Existimos com e pelos outros, que, ao mesmo tempo, são e não são como nós” (p.35). A amizade não é um percurso harmonioso, fácil de percorrer. Implica conflitos, transformações do eu e do outro. “É assim que se tece a amizade, por meio de percursos mais ou menos difíceis, de fracassos, de contra-sensos, de retomadas… Não existe imediato no homem. Tudo acontece por meio de construções simbólicas” (Id.).
A amizade pressupõe a luta por sua construção; ela não está dada a priori, tem que ser tecida. Se ela pressupõe fidelidade, como o amor, pode ocorrer a necessidade do rompimento, que se corte o tecido para ser fiel a si mesmo. Há indivíduos que precisam romper com os outros e com eles mesmos. “Só conseguem ser eles mesmos cortando não só o tecido que os une aos outros, como também aquele que os une a si mesmos” (p.37). Um exemplo dessa dupla ruptura é as cisões políticas e/ou religiosas. Muitos não conseguem consolidar o rompimento sem que se transforme no oposto do que eram.

* Anotações de leitura da obra Entre Mito e Política, de Jean-Pierre VERNANT (São Paulo: Edusp, 2002).

o significado pedagógico da dissidência

Noam Chomsky: o significado pedagógico da dissidência

*Nas livrarias e sebos salta aos olhos a quantidade de biografias à disposição do leitor-consumidor. Há histórias de vidas para todos os gostos: política, ídolos da juventude, livros que alimentam a curiosidade sobre a vida alheia etc. Afinal, por que se escrevem tantas biografias? Do ponto de vista mercadológico a resposta deve estar na possibilidade de atender a expectativa de consumo e, é claro, concretizar o lucro. Mas de onde vem esta expectativa? Por que os indivíduos, mesmo os não dados a leituras cotidianas, são tão fascinados por este gênero literário?
A verdade é que estas vidas, sintetizadas em palavras, transformadas em livros, valor de uso e valor de troca, são vidas modelares. São vivências que extrapolam o viver comum da maioria dos indivíduos; vidas virtuosas que se destacam. Portanto, do ponto de vista do leitor, a biografia cumpre uma função modelar. É o exemplo a ser admirado e, se possível, seguido. Mas é também o exemplo a ser recusado e criticado. Em ambos os casos, para o bem ou para o mal, cumpre uma função pedagógica, tem uma potencialidade educativa e configura uma pedagogia do exemplo.[1] O paradoxo é que a biografia é una, singular e intransmissível. Por mais elogios que o biografado mereça, a sua vida não poderá ser assumida por outro, este não pode vivê-la à sua maneira. Talvez a sua força resida neste paradoxo…
Que o leitor me perdoe por estas digressões. Mas, como aprendi com Paulo Freire, a leitura dialógica pressupõe uma atitude ativa e crítica, isto é, uma interação entre o leitor e o autor, através do seu escrito.[2] Vale a pena ler uma obra quando esta acrescenta algo, quando esta é instigante, quando dialogamos com o lido. O leitor passivo toma o lido enquanto a verdade consubstanciada em palavras. Esta atitude nega a riqueza do diálogo e despreza a necessidade da dúvida metodológica.
Os dissidentes são, em essência, indivíduos insatisfeitos, instabilizadores da ordem, críticos das certezas absolutas. Seria, portanto, um desrespeito, e também a demonstração de nada ter aprendido, se a leitura de um livro sobre a vida de um dissidente se resumisse apenas à passiva atitude de maravilhar-se. A biografia de Noam Chomsky permite este diálogo; não é o tipo de obra a ser lida passivamente. A vida de um dissidente é, em si, ativa, polêmica e instigante.
Noam Chomsky: a vida de um dissidente, de Robert F. Barsky, é dividido em duas partes: os três primeiros capítulos tratam do meio que formou Chomsky; os dois últimos, do meio que ele ajudou a criar, isto é, da sua influência sobre as pessoas nos espaços em que conviveu. Na primeira parte, o autor analisa a influência da família, da cultura e política judaicas, dos primeiros passos no mundo acadêmico e o impacto do pensamento cartesiano e racionalista sobre o desenvolvimento intelectual de Noam Chomsky no campo lingüístico. Na segunda, ele enfatiza a carreira universitária e o ativismo militante do biografado. Por fim, o autor contempla a atualidade, o trabalho de Noam Chomsky em relação ao cenário sóciopolítico contemporâneo.
Escrever sobre a vida de um intelectual à altura de Noam Chomsky não é uma tarefa fácil. O autor a define com “assustadora”. Por que? Eis seu argumento:
“Chomsky é uma das mais importantes figuras deste século e é descrito como um daqueles que serão para as futuras gerações o que Galileu, Descartes, Newton, Mozart e Picasso foram para a nossa. Ele é o ser vivo mais citado do mundo – 4 mil citações de sua obra estão relacionadas no Arts and Humanities Citation Index (Índice de Citações de Artes e Humanidades) de 1980 a 1992 – e é o oitavo numa lista, que inclui Marx e Freud, das figuras mais citadas de todos os tempos”. (BARSKY: 2004, p.15)
O autor continua a exibir dados estatísticos sobre citações, publicações e se refere aos inúmeros prêmios recebidos pelo biografado. È mesmo “assustador”. A responsabilidade do biógrafo não é pequena. Ao tratar de um intelectual desta envergadura, qualquer autor corre o risco de fazer a apologia. Este é um dos dilemas das obras biográficas – excetuando, é claro, aquelas de cunho declaradamente crítico. Como escreve Carino (1999: 155):
“Embora as apologias proliferem, seus autores preferem tentar esconder-se (sem êxito) por detrás de uma pretensa neutralidade. Quando a admiração pelos biografados é forte a ponto de tornar-se incontrolável, os biógrafos preferem renunciar a qualquer distanciamento crítico e deixam-se levar pelas ondas arrebatadoras de sua paixão, tornando-se cegos (como qualquer apaixonado) e chegam muitas vezes a naufragar no ridículo. Em verdade, o que fazem são “hagiografias”, cuidando, eles mesmos, de canonizar seus biografados”.
Não é o caso desta biografia. A própria personalidade do biografado não o permite. Chomsky não admitiria o culto à personalidade e ele tem claro que a biografia de um indivíduo está vinculada à vida de inúmeras pessoas que não aparecem e que não são objetos dos biógrafos. Seu biógrafo está atento a este aspecto, mas sua biografia se mostra simpática ao biografado. Por outro lado, é importante ressaltar a sua premissa de que “as idéias de Chomsky, e em particular suas idéias políticas, não podem ser totalmente entendidas sem algum conhecimento acerca das organizações, dos movimentos, grupos e indivíduos com os quais ele teve contato”. (BARSKY: 2004, p. 17)
Dessa forma, a leitura da obra nos permite não apenas conhecer a vida de um dissidente, mas também a história, a cultura e sociedade contemporânea, bem como os movimentos políticos judaicos e no âmbito norte-americano. Permite-nos, ainda, aprender sobre o sistema educacional, o campo acadêmico e a intelectualidade norte-americana. O leitor interessado pela lingüística também encontrará farto material sobre o tema.
A vida de Noam Chomsky atualiza alguns problemas candentes para os intelectuais responsáveis diante do mundo. Sua vida é um desafio ao intelectualismo individualista dos que se isolam em suas torres de marfins e, assim, filosofam sobre o mundo sem arriscarem a assumir compromissos práticos que coloquem em xeque as possibilidades de angariar as benesses prometidas pelo status quo. É um desafio à hipocrisia que reina no campo acadêmico, onde os interesses egoísticos solapam qualquer perspectiva de compromisso social e político, em nome de uma pretensa cientificidade e neutralidade axiológica. Chomsky aceita o dilema de agir segundo a vocação dual do cientista e do político e, simultaneamente, respeitar as particularidades de cada espaço:
“Há um terreno intermediário que eu gostaria de ocupar e acho que as pessoas vão ter de achar meios para isso: isto é, tentar manter um compromisso sério com os valores intelectuais e problemas intelectuais e científicos que realmente as preocupam e, ao mesmo tempo, fazer uma contribuição séria e, espera-se, útil para as enormes questões extracientíficas. O compromisso com o trabalho acerca dos problemas de racismo, opressão, imperialismo e assim por diante, nos Estados Unidos, é uma necessidade absoluta”. (Idem, p. 149)
Isto não é simples nem fácil. Aceitar o compromisso de responsabilidade política e social e manter a atividade do cientista, exige dispêndio de tempo nem sempre disponível, sacrifícios no âmbito familiar e individual e pressupõe um conflito pessoal permanente. Isto é ainda mais complexo quando o indivíduo, como exemplifica Chomsky, torna-se uma voz dissidente no campo acadêmico e extra-acadêmico.
Noam Chomsky é o tipo de intelectual que não faz o sacrifício do intelecto. Descendente de família judaica, polemiza com os judeus sobre o sionismo, o Estado de Israel e a liberdade da crítica; influenciado pelo pensamento libertário, entra em rota de colisão com a esquerda vinculada à tradição marxista; intelectual reconhecido em sua área, confronta a autoridade instituída e desafia a ortodoxia; cidadão norte-americano, não poupa críticas às políticas governamentais, mas também não aceita as justificativas de certa tradição esquerdista para quem o equivocado é sempre o outro e nunca os que estão nas próprias fileiras. Em sua obra, Robert F. Barsky, expõe as atividades de Chomsky enquanto cientista e intelectual engajado, suas influências intelectuais e as polêmicas em que se envolveu.
A vida de Noam Chomsky é modelar. E os modelos podem ser “negativos” ou “positivos”, a depender da interpretação do leitor. Porém, não esqueçamos que o leitor não se encontra suspenso no ar, isto é, sua atitude e posicionamento político diante da ordem instituída – dentro e fora da academia – é um fator de profunda influência sobre a sua postura. Em qualquer dos casos, é preciso ter a ousadia intelectual para confrontar nossas certezas e, então, podermos aprender. Só por isso, já vale a pena ler esta obra.
Referências
BARSKY, Robert F. Noam Chomsky: a vida de um dissidente. São Paulo: Conrad Editora, 2004 (271 p.)
CARINO, Jonaedson. “A biografia e sua instrumentalidade educativa”. Educação e Sociedade, Ano XX, agosto de 1999, nº 67, Campinas/SP: Cedes, pp. 154-178.
FREIRE, Paulo. Considerações em torno do ato de estudar. Revista Espaço Acadêmico, nº 33, fevereiro de 2004.

Quem são os intelectuais?

Quem são os intelectuais?

“Quando os intelectuais falam dos intelectuais estão falando, na realidade de si próprios, mesmo se por uma curiosa duplicação de personalidade acabam por falar da própria confraria, como se a ela não pertencessem” (Norberto BOBBIO[1]
A postura sobre o intelectual é carregada de contrariedades. Depende de quem o analisa, e dele próprio. A origem intelectual tem como marco o dia 14 de janeiro de 1898. Nesta data, apareceu em Paris, no jornal L’aurore, oManifeste des intellectuales, assinado por ilustres escritores como Zola, Anatole France, Proust, a favor de Dreyfus. Entao, o termo já estava incorporado e aceito na acepção vigente. Os intellectuales, segundo Bobbio, viam-se como não-políticos e enquanto homens de letras que combatiam “a razão de Estado em nome da razão sem outras especificações, defendendo a verdade da qual se consideram os depositários contra a “mentira útil”. [2]
Antes de ser assumido pelos dreyfusistas, o termo estava associado à palavra russa intelligentsia, que se tornou comum no idioma italiano:
“No particular contexto da história da Rússia pré-revolucionária, de fato, o termo, usado, ao que tudo indica, pela primeira vez, pelo romancista Boborykin, e difundido nos últimos decênios do século XIX, significava o conjunto (não necessariamente constituindo um grupo homogêneo) dos livres pensadores – que iniciaram, promoveram e ao fim fizeram explodir o processo de crítica da autocracia czarista e, em geral, das condições de atraso da sociedade russa.” [3]
No movimento operário socialista, o termo se tornou célebre a partir de Lenin e sua obra Que fazer?(1902), quando ele difundiu a tese de Karl Kautsky, segundo a qual a consciência socialista do proletariado é exterior a este. O que significa afirmar que não resulta espontaneamente da luta direta entre as classes sociais, mas sim como produto do acúmulo de profundos conhecimentos científicos, algo só possível aos intelectuais. Na base desta polêmica está a idéia, já presente em Platão (A República), de que os trabalhadores necessita de uma vanguarda iluminada, de filósofos e líderes que indiquem o caminho. A estes caberia a tarefa pedagógica de educar, no sentido de levar a teoria revolucionária aos trabalhadores, liderá-los e governar. Eis o núcleo central da concepção de partido revolucionário, portador da razão e demiurgo da história.
De qualquer forma, os intelectuais correspondem a uma categoria mais antiga do que imaginamos. Os doutos, philosophes, literatos, gens de lettre, enfim, os intelectuais modernos, tem como predecessores os religiosos, clérigos e outros que, nos diversos contextos sociais, expressaram o poder ideológico. Como ressalta Bobbio:
“Embora com nomes diversos, os intelectuais sempre existiram, pois sempre existiu em todas as sociedades, ao lado do poder econômico e do poder político, o poder ideológico, que se exerce não sobre os corpos como o poder político, jamais separado do poder militar, não sobre a posse de bens intelectuais, dos quais se necessita para viver e sobreviver, como o poder econômico, mas sobre as mentes pela produção e transmissão de idéias, de símbolos, de visões, de ensinamentos práticos, mediante o uso da palavra (o poder ideológico é extremamente dependente da natureza do homem como animal falante)”. [4]
A palavra, escrita e falada, é o instrumento principal do poder ideológico. Os intelectuais são os que têm as condições propícias para o exercício deste poder. A quem favorecem? Contribuem para reprodução ou a crítica do status quo? Nenhum intelectual é política e ideologicamente neutro. Qual é, portanto, o seu papel social, a sua função?
Referência
BOBBIO, Norberto. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo, Editora UNESP, 1997.

CELSO ARNALDO: O duelo virtual, mas pessoal, entre Dilma Bolada e Dilma Rousseff reacende a polêmica: existe uma Dilma oficial?

CELSO ARNALDO ARAÚJO
─ Oi, internautas.
A saudação comicamente pueril, que encabeça qualquer lista dos assombros produzidos por Dilma desde que ela foi obrigada a falar em público, era um aviso: a mineira-gaúcha que fizera fama exclusivamente por seu gênio irascível no subsolo do governo, e fora guindada à condição de candidata à Presidência da República por vontade pessoal de Lula, encontrava-se na era paleolítica do mundo digital.
O “oi, internautas” foi sua resposta sincera, bastante e definitiva, no nível de sua desenvoltura, ao pedido de Marcelo Branco, então guru virtual da candidata-surpresa do PT, para que mandasse uma mensagem aos que a seguiam nas redes.
Mas, pouco a pouco, à medida que ela ia expondo seus pensamentos sobre saúde, educação, agricultura, condição feminina, sempre com uma inclemente pobreza de raciocínio, esse irremediável deserto de ideias foi se alastrando para todos os temas do mundo real.
Os palanques da campanha e, logo em seguida, os do Brasil Maravilha de Dilma/Lula ganharam a presença empolgada da pior oradora de todos os tempos, incluindo as cavernas ainda silenciosas e os milênios por vir. Mas a tentativa inicial de expressar rudimentos de ideias em 140 toques foi sumariamente abandonada em 13 de dezembro de 2010 ─ quando o Twitter oficial da então presidente eleita Dilma Rousseff calou-se prudentemente.
Esta semana, Dilma retornou, triunfalmente, ao estrelato virtual. A campanha de 2014 já começou.
Esta semana, aliás, ela foi do topo do mundo ─ o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, em plena cidade-ícone dos Estados Unidos, onde eriçou o topete para passar outro pito em Obama pelo Spygate ─ aos píncaros da insignificância, recebendo no Palácio do Planalto, para marcar o renascimento de seu perfil oficial no Twitter, o criador do personagem virtual Dilma Bolada, que faz gracinhas domesticadas em perfis com a foto da presidenta. Sátira? Não, exatamente. A tentativa de humor disfarça, ou melhor, não disfarça, o proselitismo escancarado:
No Twitter:
– Sou linda, sou diva, sou Presidenta. SOU DILMA!!! Bjs
No Face:
- Em primeiro lugar, boa noite! Em segundo Marina, em terceiro Aécio, em quarto o Campos tudo ladeira abaixo…Uma coisa é fato: não adianta rogar praga, colocar meu nome na encruzilhada, fazer vodu porque o que o povo guardou pra gente, ninguém tira!
Bem, a estadista que em nome da liberdade cibernética do mundo peita Obama em sua própria casa, a ponto de o presidente americano ter se ausentado, inusitadamente, da abertura da Assembleia da ONU, acolheu no Palácio dois dias depois, com carinho de avó e a leveza descolada de uma fã de Justin Bieber, o quase imberbe e inofensivo Jeferson Monteiro ─ alter ego de Dilma Bolada.
Não, ele não esteve nas ruas em junho. Apesar da aparente causticidade de seus ditos em nome de Dilma, nunca joga uma bola pelas costas. Mas o pessoal da Secretaria da Comunicação fica mesmo diabólico em época de campanha: com esse encontro, numa só jogada, a estadista da ONU demonstrou modernidade, bom humor, desprendimento. Oi, internautas.
O duelo de teclados entre os dois perfis de Dilma ─ a oficial Rousseff e a fake Bolada ─ foi reproduzido, sem qualquer reparo, pela grande mídia. Os blogs financiados foram à cloud. Pois as duas Dilmas, cada qual em seu notebook, mas lado a lado, certamente num dia de pouco movimento na casa, travaram um dos grandes diálogos da história republicana, sem retoques:
Dilma Oficial:
─ Bom dia linda maravilhosa, sempre acompanhei vc. Mas não me dê bom dia. Mas me dê bons resultados.
Dilma Bolada:
─ Bom dia pra mim mesma linda, maravilhosa, sempre eu, @dilmabr, Finalmente o pessoal e profissional se cruzando…
Dilma Oficial (com um toque de Guimarães Rosa soprado pela assessoria)
─ Vocêzinha eu acho que por boniteza, eu por precisão. Lanço hoje o novo @portalbrasil . São + informações,serviços & participação.
Vocêzinha? Huumm.. Portal? Sim, vamos ao que interessa que é ensaio de campanha: além do renascimento do Twitter, nessa pré-estreia de gala com o duo Dilmas, há que cumprir a pauta dos marqueteiros ─ o lançamento do novo Portal interativo e…
Dilma Bolada:
─ Agora é hora de sambar e falar do #MaisMédicos, o programa maravilhoso que tinha que ter até no hospital do Cesar de “Viver A Vida”…
Dilma Oficial:
─ Respeito muito os médicos brasileiros, mas traremos médicos de onde pudermos. Importante é atender melhor a população. Isso é o + médicos
Bem, o resto é o resto ─ incluindo um pito na The Economist pela capa do looping descendente do avião Brasil em torno do Cristo Redentor.
Parece óbvio que Jeferson saiu do Palácio enlevado com o upgrade de seu personagem ─ ele é o caso clássico do imitador que homenageia o ídolo ao longo de toda uma carreira e, um dia, tem a honra de dividir o palco com ele. Em sua primeira tuitada fora do cenário oficial, ele retomou, no Facebook, a linha da sátira a favor, em nome de Dilma Bolada:
─ Gente, o Jeferson Monteiro já foi. Ele até que é gente boa mas despachei logo porque tenho mais o que fazer. Agora ninguém me segura com o twitter lá o outro cá, o Face aqui é o do Planalto também, e o insta @dilmabolada e @palaciodoplanalto. Sambei!
Se cuida Obama!!!
ÊTA PRESIDENTA CONECTADA!!!
Os três anos que separam o último tweet da primeira fase do Dilma Oficial desse renovado “o”” da presidente aos internautas, no diálogo non sense com Dilma Bolada, foram deixando no caminho evidências cabais de que a Dilma Oficial, a que ora ocupa a Presidência e caminha para a reeleição, é a verdadeira Dilma Bolada: uma criação ficcional, um falso perfil, que tomou corpo e forma reais. Por isso, não é surpresa que Dilma Bolada, através da figura deslumbrada de seu oportunista criador, tenha sido admitido no Palácio do Planalto.
Dilma Rousseff, a Oficial, chegou lá três anos antes.
Quanto a Jeferson, o futuro do falso outsider brincalhão está garantido ─ agora, com a melhor madrinha, ele é Oficial.
Por falar nisso, alguém sabe por onde anda o Dilmaboy?