quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os 10 animais mais barulhentos do planeta

Saiba mais sobre essas espécies e as características de suas sonoridades
Os 10 animais mais barulhentos do planeta

Você já ouviu o canto de uma baleia cachalote? Mas, o som de um elefante com certeza você já escutou, certo? Pois, esses dois estão na lista dos animais mais barulhentos do planeta. Estalos, uivos, chiados intensos e muitos outros ruídos fazem parte das características desses bichos. Confira abaixo.

1 – Cachalote

Fonte da imagem: Reprodução/mni.sh.edu
O cachalote (Physeter macrocephalus) não só é o animal que tem o cérebro maior do reino animal, mas também é o mais escandaloso. E, em se tratando de barulho, o seu tamanho também acompanha a intensidade do som que faz.
Essas baleias emitem um estalo forte, que dura apenas de 15 a 30 milésimos de segundo, mas pode atingir até 230 decibéis, o que chega a ser de 10 ou 15 decibéis mais forte do que um tiro a menos de um metro distância.

2 – O camarão pistola

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia
A segunda posição fica com o camarão pistola, chamado também de camarão-tigre, que é pequeno, mas emite um som que é uma arma contra os seus predadores.
Com as suas garras, ele cria uma bolha de pressão acústica que pode matar qualquer peixe que estiver perto dele, como uma onda violenta de choque. A bolha é acompanhada por uma "explosão" de cerca de 200 decibéis, que é mais poderosa do que disparar uma arma. Você pode conferir mais detalhes sobre esse animal neste outro artigo do Mega Curioso.

3 – O morcego-pescador

O Noctilio leporinus, mais conhecido como morcego pescador, utiliza o som para se movimentar, uma característica comum entre os morcegos. Além de se guiarem por sons externos, eles também fazem o seu próprio barulho, que pode ser bastante estrondoso entre os animais.
O som que o morcego-pescador emite pode chegar a 140 decibéis. Apesar disso, ele não é perceptível pelo ouvido humano já que a frequência é superior a 20 kHz, sendo uma emissão de 15 até 200 kHz.

4 – A cigarra

Fonte da imagem: Shutterstock
A Cicadidae, mais conhecida pelo nome cigarra, também é bem barulhenta e você já deve ter ouvido muitas vezes o seu canto, principalmente no verão. Esse som pode chegar a 120 decibéis, podendo ser ouvido a dois quilômetros de distância.
A sua emissão sonora ocorre no aparelho estridulatório, que é localizado no abdômen. Esta região tem membranas quitinosas conhecidas como timbales e sacos de ar, que funcionam como uma caixa de ressonância e criam aquele som tão distinto.

5 – O kakapo

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia
O kakapo é uma espécie de papagaio noturno da Nova Zelândia que está em risco de extinção. Ele é famoso também por ser o único papagaio que não pode voar. Em compensação, ele é bem escandaloso. Seu grito de acasalamento pode alcançar 132 decibéis, atingindo uma distância de seis quilômetros e meio.

6 – Macaco bugio

Não são apenas os lobos que uivam. Este gênero de primatas também emite esse tipo de som, tanto que eles são chamados também de macacos uivadores. Seus uivos podem atingir 128 decibéis e podem alcançar uma área de 5 km. Os uivos de um grupo de bugio simula o som do vento, porém muito mais poderoso e estável.

7 – O elefante

Fonte da imagem: Shutterstock
Ele pode incomodar muita gente e muitos outros animais sim, mas pelo seu som estridente. Os elefantes são muito inteligentes e usam vários sons para se comunicar. O mais famoso é o que parece o som de trombetas, que eles fazem quando estão com raiva ou muito animados. Sua intensidade é de 117 decibéis, sendo perceptível a 16 quilômetros de distância.

8 – O lobo cinzento

Fonte da imagem: Shutterstock
Famoso pelo seu uivo, o lobo cinzento emite seu som característico que pode ser ouvidos por outros lobos a uma distância de até 190 quilômetros! A intensidade varia entre 90 e 115 decibéis. De acordo com um artigo publicado no Current Biology, o uivo é um reflexo da qualidade das relações entre os membros de um rebanho.

9 – A hiena

Fonte da imagem: Shutterstock
Ela tem fama de emitir um som que parece uma risada, criando uma percepção de que é um animal simpático. No entanto, a hiena é um dos bichos mais carniceiros do mundo e que tem a mordida mais poderosa entre os mamíferos. Essa falsa “risada” que falamos antes é seu som característico, que é muito semelhante a um riso macabro de um vilão. Esse barulho pode chegar a 112 decibéis.

10 – O Leão

Fonte da imagem: Shutterstock
É claro que o rei da selva não poderia ficar de fora. O rugido de um leão pode ser chegar a 114 decibéis. Assim, ele marca o seu território e manda pra longe os machos rivais.

Conheça 7 das cidades fantasma mais curiosas do mundo

Que tal visitar algumas localidades desoladas que se encontram completamente abandonadas?
Conheça 7 das cidades fantasma mais curiosas do mundo

Em tempos de superlotação global — afinal, somos 7 bilhões de pessoas no planeta! — é difícil imaginar que existam por aí povoados inteiros que foram, pouco a pouco, sendo abandonados por seus habitantes, transformando-se no que conhecemos como “cidades fantasma”.
No entanto, esses locais — que não são poucos! — existem sim, e diversos deles são tão interessantes que acabaram virando populares destinos turísticos. Selecionamos para vocês sete dessas cidades, as quais você pode conferir na lista a seguir:

1 – Sanzhi, Taiwan

A curiosa localidade acima, repleta de casas futuristas que mais se parecem com naves espaciais, nunca chegou a ser ocupada. A versão oficial é de que o responsável pelo empreendimento faliu antes de completar a obra, destinada ao turismo.
No entanto, um importante jornal local revelou que milhares de esqueletos foram descobertos na área, e que inúmeros assassinatos teriam ocorrido ali. As informações jamais foram confirmadas, mas Sanzhi continua sendo uma cidade fantasma.

2 – Famagusta, Chipre

Fonte da imagem: Reprodução/trutv
Na verdade, trata-se mais precisamente o bairro de Varosha que, na década de 70, era um espetacular destino turístico a beira-mar. Contudo, em 1974 toda a população fugiu do local durante a invasão turca ao país, e a área foi completamente cercada. Tudo foi deixado como estava — lojas, casas, refeições à mesa e até lâmpadas acesas —, e o bairro acabou ficando congelado no tempo.
Varosha continua sob o controle das Forças Armadas Turcas até os dias de hoje, e apenas os antigos moradores têm permissão — concedida pela ONU — para entrar na área, embora um que outro aventureiro se arrisque a atravessar as barreiras que rodeiam a localidade para fotografá-la.

3 – Castelnuovo dei Sabbioni, Itália

Fonte da imagem: Reprodução/trutv
Este pitoresco vilarejo localizado na Toscana se encontra abandonado desde a década de 70. Entretanto, o local foi palco de um terrível massacre executado por tropas nazistas, que fizeram uma enorme fogueira com móveis e 78 habitantes. Outro fato sinistro relacionado com Castelnuovo dei Sabbioni, são diversas ilustrações como pentagramas, peixes e outras figuras estranhas, que até hoje ninguém conseguiu decifrar.

4 – Spinalonga, Grécia

Fonte da imagem: Reprodução/trutv
Atualmente, a ilha Spinalonga é conhecida como uma importante atração turística da Grécia graças à sua longa história — e pela lenda de que uma sereia habita as águas próximas. Apesar de ter servido como fortaleza durante vários séculos, o local acabou sendo transformado em uma colônia para leprosos, que ficou em funcionamento até o final da década de 50, quando a cura para a doença foi descoberta.

5 – Kolmanskop, Namíbia

A cidade de Kolmanskop foi fundada no início do século 20 no meio do deserto depois que um funcionário de uma companhia de trens encontrou um diamante na areia. Porém, o preço desse mineral despencou depois do fim da Primeira Guerra Mundial, levando os habitantes a abandonar o local. Como você pode imaginar, as areias do deserto tomaram o vilarejo, que se transformou em um popular destino turístico.

6 – Bodie, EUA

A cidade de Bodie — que em sua época foi uma das maiores da Califórnia — abrigou mineiros ávidos por fortuna durante o século 19. Mas o intenso frio do inverno e o fim da corrida pelo ouro acabaram espantando a população, que chegou a ser de 8.500 habitantes. Hoje, apenas cerca de 10% dos 2 mil edifícios que existiam no local continuam de pé, e Bodie se tornou um curioso destino turístico, no qual os visitantes podem ver antigas casas e lojas cobertas de pó.

7 – Oradur Sur Glane, França

A história de Oradur Sur Glane é bem triste, na verdade. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidadezinha foi ocupada por tropas nazistas, que mataram mais de 600 pessoas e destruíram tudo o que encontraram pela frente. Casas e veículos queimados ficaram congelados no tempo, servindo de testemunho do terrível massacre que ocorreu ali, que ficou conhecido como um dos mais lamentáveis da História.

Terremoto no Paquistão faz surgir uma ilha misteriosa perto da costa

Terremoto no Paquistão faz surgir uma ilha misteriosa perto da costa

Terremoto no Paquistão faz surgir uma ilha misteriosa perto da costa

Diversos jornais internacionais anunciam as consequências de um terremoto que registrou uma magnitude de 7.7 e atingiu o Paquistão na última terça, dia 24. Além de destruir cidades e deixar uma série de mortos e feridos, o abalo sísmico também favoreceu o surgimento de uma nova ilha próxima à costa da cidade de Gwadar.
Os sismologistas ainda não conseguiram encontrar uma explicação para o aparecimento da estrutura, que é formada por sedimentos do mar, como lama, pedras e areia. Segundo os pesquisadores, esses materiais são indícios de que a ilha pode ter sido formada a partir dos chamados vulcões de lama, que estão presentes em diferentes partes do mundo.
Fonte da imagem: Reprodução/BBC
Porém, os especialistas também defendem a ideia de que a ilha é passageira e pode desaparecer dentro de alguns meses. “É um fenômeno transitório. Provavelmente terá ido embora dentro de uns dois meses. É apenas uma grande pilha de lama que estava no fundo do mar e foi puxada para cima”, comenta Bill Barnhart, geofísico do US Geological Survey.

Conheça melhor a ilha

Logo após o terremoto, se espalhou a notícia de que uma ilha haveria aparecido próximo ao porto de Gwadar, uma cidade litorânea do Paquistão. Até o momento, é possível saber que a estrutura tem cerca de 20 metros de altura, até 91 metros de larguras e aproximadamente 37 metros de comprimento. De acordo com o National Geographic, os cálculos mostram que a ilha misteriosa surgiu a cerca de 400 quilômetros do epicentro do terremoto.
Embora o surgimento repentino da ilha tenha surpreendido a população local e os especialistas, esta não é a primeira vez que esse tipo de fenômeno acontece na região. Uma ilha de lama bastante semelhante a essa apareceu no Paquistão após um terremoto em 2011 e Barnhart lembra que ela durou um ou dois meses e desapareceu.
Mesmo que os vulcões de lama estejam presentes em diferentes partes do mundo, nem todos necessariamente produzem ilhas. De qualquer maneira, os cientistas continuarão estudando a estrutura para tentar explicar como ela realmente foi formada.

Dez grandes mitos econômicos



rothbard.jpgEstamos cercados por um grande número de mitos econômicos, mitos que distorcem a noção do público a respeito de problemas importantes e nos levam a aceitar políticas governamentais perigosas e frágeis. Aqui estão dez dos mais perigosos desses mitos e uma análise do que há de errado neles.
Mito 1: Déficits são a causa da inflação; déficits não têm nada a ver com a inflação.
Nas décadas recentes, sempre temos tido déficits federais. A reação invariável do partido fora do poder, qualquer que seja ele, é denunciar esses déficits como sendo a causa da inflação perpétua. E a reação invariável de qualquer que seja o partido no poder tem sido de alegar que déficits não têm nada a ver com a inflação. Ambas as declarações antagônicas são mitos.
Déficits significam que o governo federal está gastando mais do que está recolhendo em impostos. Esses déficits podem ser financiados de duas maneiras. Se eles são financiados pela venda de títulos do Tesouro ao público, então os déficits não são inflacionários. Nenhum dinheiro novo está sendo criado; o público e as instituições simplesmente tiram dinheiro de seus depósitos bancários para pagar pelos títulos, e o Tesouro, então, gasta esse dinheiro. O dinheiro simplesmente foi transferido do público para o Tesouro, que então gastará esse dinheiro com outros membros do público.
Por outro lado, o déficit pode ser financiado pela venda de títulos ao sistema bancário. Quando isso ocorre, os bancos criam novo dinheiro ao criar novos depósitos bancários e usá-los para comprar os títulos. O novo dinheiro, na forma de depósitos bancários, é então gasto pelo Tesouro, e entra, portanto, permanentemente na corrente de gastos da economia, aumentando preços e causando inflação. Através de um processo complexo, o Banco Central possibilita que os bancos criem esse novo dinheiro permitindo que eles gerem reservas bancárias de um décimo daquela quantidade. Assim, se os bancos forem comprar $100 bilhões de novos títulos para financiar o déficit, o Banco Central compra aproximadamente $10 bilhões de títulos velhos do Tesouro. Essa compra aumenta as reservas bancárias em $10 bilhões, permitindo que os bancos, através do multiplicador monetário, criem novos depósitos bancários — ou seja, dinheiro é criado do nada — em uma quantia 10 vezes maior que essa quantidade inicial de $10 bilhões. Em resumo, o governo e o sistema bancário que ele controla acabam, na prática, "imprimindo" dinheiro novo para pagar pelo déficit federal.
Assim, déficits são inflacionários quando são financiados pelo sistema bancário; eles não são inflacionários quando são financiados pelo público.
Alguns governantes apontam para o período de 1982-1983, quando o déficit estava se acelerando e a inflação estava se abatendo, como uma "prova" estatística de que déficits e inflação não têm relação mútua. Isso não é prova alguma. Mudanças de preços gerais são determinadas por dois fatores: a oferta de, e a demanda por, dinheiro. Durante o período de 1982-1983, o Banco Central americano criou dinheiro novo a uma taxa muito alta, a aproximadamente 15% ao ano. Muito desse dinheiro foi para financiar o déficit que estava em expansão. Maspor outro lado, a depressão severa daqueles dois anos aumentou a demanda por dinheiro (isto é, diminuiu o desejo de se gastar dinheiro em bens) como resposta às perdas severas dos negócios. Esse aumento temporário e compensatório na demanda por dinheiro não torna os déficits menos inflacionários. Na verdade, assim que começou a recuperação, o gasto aumentou e a demanda por dinheiro caiu, e o gasto do novo dinheiro acelerou a inflação.
Mito 2: Déficits não têm um efeito de crowding-out no investimento privado.
Em anos recentes tem havido uma compreensível preocupação a respeito da baixa taxa de poupança e investimento nos Estados Unidos. Uma preocupação é que o enorme déficit federal vai desviar poupança para gastos improdutivos do governo, levando a um crowding out do investimento produtivo, gerando dificuldades cada vez maiores para melhorar ou até mesmo para manter o padrão de vida do público, no longo prazo.
Alguns responsáveis por políticas econômicas mais uma vez tentaram refutar essa acusação com estatísticas. Eles declaram que em 1982-1983 os déficits foram altos e crescentes, ao passo que a taxa de juros caiu, indicando, portanto, que déficits não têm um efeito de crowding-out.
Esse argumento mais uma vez mostra a falácia de se tentar refutar a lógica com estatísticas. As taxas de juros caíram devido à queda dos empréstimos ao setor privado em função da recessão.  As taxas de juros "reais" (taxa de juros menos a taxa de inflação), porém, permaneceram em níveis altos como nunca antes visto — parcialmente devido ao fato de muitos de nós termos esperado inflação renovada, parcialmente devido ao efeito crowding-out. Em qualquer caso, a estatística não pode refutar a lógica; e a lógica nos diz que, se a poupança vai para os títulos do governo, vai haver necessariamente menos poupança disponível para o investimento produtivo, e as taxas de juros serão maiores do que seriam sem os déficits. Se os déficits são financiados pelo público, então esse desvio da poupança para projetos do governo será direto e palpável. Se os déficits são financiados por inflação bancária, então o desvio é indireto, e o novo dinheiro "impresso" pelo governo vai competir por recursos contra o dinheiro velho poupado pelo público. A tendência é que haja o crowding-out do dinheiro velho pelo dinheiro novo
Milton Friedman tenta refutar o efeito de crowding-out dos déficits, alegando que todo o gasto governamental, não apenas os déficits, provoca da mesma maneira o crowding-out da poupança privada e do investimento. É verdade que o dinheiro extraído por impostos poderiam ter ido para a poupança privada e para investimentos. Mas os déficits têm um efeito crowding-out bem maior que os gastos gerais, já que os déficits financiados pelo público alteram a poupança e a poupança somente, ao passo que impostos reduzem o consumo do público, assim como a poupança.
Dessa forma, qualquer que seja a forma com que você encare os déficits, eles causam graves problemas econômicos. Se eles são financiados pelo sistema bancário, eles são inflacionários. Mas mesmo se eles forem financiados pelo público, eles ainda causam severos efeitos de crowding-out, pois desviam a tão necessária poupança dos investimentos privados e produtivos para os desperdícios governamentais. E, mais ainda, quanto maiores os déficits, maior será a carga tributária incidente sobre a população para pagar os juros da dívida, um problema agravado pelas altas taxas de juros trazidas pelos déficits inflacionários.
Mito 3: Aumento de impostos é a cura para os déficits.
Aquelas pessoas que estão corretamente preocupadas com os déficits, infelizmente oferecem uma solução inaceitável: aumentar impostos. Curar os déficits através de aumento de impostos é o equivalente a curar a bronquite de alguém dando-lhe um tiro. A "cura" é bem pior do que a doença.
Uma razão, como muitos críticos já apontaram, é que aumentar impostos simplesmente dá mais dinheiro ao governo, e, dessa forma, políticos e burocratas irão provavelmente reagir aumentando os gastos ainda mais. Parkinson disse tudo em sua famosa "Lei": "Os gastos sobem de encontro à receita." Se o governo está disposto a ter, digamos, um déficit de 20%, ele vai pegar as altas receitas e vai simplesmente aumentar os gastos ainda mais para manter a mesma proporção do déficit.
Mas mesmo deixando-se de lado esse sutil juízo sobre psicologia política, pergunto: por que alguém deveria acreditar que um imposto é melhor que um aumento de preços? É verdade que a inflação é uma forma de taxação, na qual o governo e aqueles que recebem primeiramente o dinheiro novo estão aptos a expropriarem os outros membros do público, cuja renda nesse processo de inflação só aumenta depois. Mas, ao menos com inflação, as pessoas ainda estão colhendo alguns benefícios da troca. Se o preço do pão vai a $10, isso é lamentável, mas ao menos você ainda pode comer o pão. Mas se os impostos sobem, seu dinheiro é expropriado para os benefícios de políticos e burocratas, e você é deixado de lado, sem receber nenhum serviço ou benefício. O único resultado é que o dinheiro do produtor é confiscado para o benefício de uma burocracia que vai usar parte desse dinheiro confiscado para benefício de seus apaniguados, piorando a situação.
Não, a única cura eficiente para os déficits é simples, porém quase nunca mencionada: cortar o orçamento federal. Como e onde? Em qualquer lugar e em todo o lugar.
Mito 4: Sempre que o Banco Central aperta a oferta monetária, as taxas de juros sobem (ou caem); sempre que o Banco Central expande a oferta monetária, as taxas de juros sobem (ou caem).
O jornalismo financeiro agora entende de economia o suficiente para ficar observando semanalmente, como falcões, os números da oferta monetária; mas ele inevitavelmente interpreta esses números de uma forma caótica. Se a oferta monetária aumenta, isso é interpretado como uma queda dos juros e, logo, inflacionário; isto também é interpretado, frequentemente no mesmo artigo, como um aumento nos juros. E vice versa: se o Banco Central contrai o crescimento de dinheiro, isto é interpretado tanto como um aumento dos juros quanto como uma queda nos juros. Algumas vezes, parece que todas as ações do Banco Central, não importa o quão contraditórias sejam, devem resultar em aumento da taxa de juros. Claramente algo está muito errado aqui.
O problema é que, assim como no caso do nível de preços, existem vários fatores causais operando nas taxas de juros, e em direções diferentes. Se o Banco Central expande a oferta monetária, ele faz isso gerando mais reservas bancárias, expandindo assim a oferta de créditos bancários e depósitos bancários. A expansão do crédito necessariamente significa um aumento da oferta no mercado de crédito e, logo, uma queda no preço do crédito, ou da taxa de juros. Por outro lado, se o Banco Central restringe a oferta de crédito e o aumento da oferta monetária, isso significa que a oferta no mercado de crédito declina, o que leva a um aumento da taxa de juros.
E isso é precisamente o que acontece na primeira década, ou em duas, de inflação crônica.  Uma expansão do Banco Central diminui as taxas de juros; uma contração do Banco Central as aumenta. Mas após esse período, o público e o mercado começam a perceber o que está acontecendo. Eles começam a perceber que a inflação é crônica devido à expansão sistêmica da oferta monetária. Quando eles perceberem esse fato, eles também vão perceber que a inflação prejudica o credor em benefício do devedor. Assim, se alguém arruma um empréstimo a 5% ao ano, e a inflação é de 7% para aquele ano, o credor perde com isso, ao invés de ganhar. Ele perde 2%, já que ele é pago de volta com dólares que agora têm 7% menos de poder de compra. Dessa maneira, é o devedor quem ganha com a inflação. Assim que os credores começam a perceber as coisas, eles colocam um prêmio de inflação na taxa de juros, e os devedores estarão dispostos a pagá-lo. Assim, no longo prazo, qualquer coisa que alimente as expectativas de inflação irá aumentar os prêmios de inflação nas taxas de juros; e qualquer coisa que arrefeça essas expectativas irá diminuir esses prêmios. Portanto, uma contração do Banco Central tenderá agora a arrefecer as expectativas inflacionárias e diminuir as taxas de juros; uma expansão do Banco Central vai estimular essas expectativas novamente e aumentar os juros. Portanto, existem duas correntes opostas em ação que causam essas reações. E, assim, a expansão ou a contração do Banco Central podem tanto aumentar quanto diminuir as taxas de juros, dependendo de qual corrente é a mais forte.
E qual delas será a mais forte? Não há maneira de saber ao certo. Nas primeiras décadas de inflação, não haverá prêmio de inflação; mas nas últimas décadas, como nessa na qual estamos, haverá. A força relativa e o tempo de reação dependem das expectativas subjetivas do público, e essas não podem ser previstas de maneira exata. E essa é uma razão pela qual previsões econômicas jamais podem ser feitas corretamente.
Mito 5: Economistas, usando gráficos ou modelos computacionais avançados, podem acuradamente prever o futuro.
O problema de prever as taxas de juros ilustra as armadilhas de se fazer previsões em geral. As pessoas são criaturas contraditórias cujos comportamentos, ainda bem, não podem ser previstos antecipadamente. Suas valorações, idéias, expectativas e conhecimentos mudam a todo momento, e mudam de maneira imprevisível. Qual economista, por exemplo, poderia ter previsto (ou realmente previu) a febre do Cabbage Patch Kid[1] no natal de 1983? Cada quantia econômica, cada preço, compra, ou renda são números que englobam milhares, até mesmo milhões, de escolhas imprevistas feitas por indivíduos.
Muitos estudos, formais e informais, têm sido feitos sobre a capacidade de previsão dos economistas, e os resultados são desanimadores. Esses previsores alegam que eles poderiam acertar sempre, desde que as tendências atuais continuassem indefinidamente; o que eles têm dificuldades em fazer é justamente perceber essas mudanças de tendência. Mas é claro que não há nada de especial em extrapolar tendências atuais para o futuro próximo. Você não precisa de modelos computacionais sofisticados para isso; você pode fazer melhor e bem mais barato usando simplesmente uma régua de cálculo. O grande lance está em precisamente prever quando e como as tendências vão mudar, e os previsores têm sido notoriamente ruins nisso. Nenhum economista previu a seriedade da depressão de 1981-1982, e nenhum previu a força do boom de 1983.
Da próxima vez que você for influenciado pelo jargão ou pela aparente perícia de um previsor econômico, faça uma pergunta a si próprio: se ele realmente pode prever o futuro tão bem, por que ele está perdendo tempo divulgando circulares ou fazendo consultoria quando ele próprio poderia estar ganhando trilhões de dólares nos mercados financeiro e de commodities?
Mito 6: Há um tradeoff entre desemprego e inflação.
Sempre que alguém pede que o governo abandone suas políticas inflacionistas, políticos e economistas pró-establishment alertam que o resultado inevitavelmente será um severo desemprego. Estamos, portanto, presos em jogo entre inflação versus alto desemprego — e ficamos persuadidos de que temos que aceitar um dos dois.
Essa doutrina é um refúgio para keynesianos. Originalmente, os keynesianos nos prometeram que, ao manipular os déficits e gastos governamentais, fazendo uma sintonia-fina neles, eles poderiam e iriam nos trazer prosperidade permanente e pleno emprego sem inflação. Então, quando a inflação se tornou crônica e cada vez maior, eles mudaram o tom e passaram a alertar sobre o alegado tradeoff, de modo a enfraquecer qualquer possível pressão feita com o intuito de pedir que o governo parasse sua criação inflacionária de dinheiro.
A doutrina do tradeoff é baseada na "Curva de Phillips," uma curva inventada muitos anos atrás pelo economista britânico A.W. Phillips. Phillips correlacionou aumento nos salários com desemprego, e alegou que os dois se moviam inversamente: quanto maior o aumento nos salários, menor o desemprego. De cara, essa é uma doutrina peculiar, já que vai de encontro à lógica teórica e ao senso comum. A teoria nos diz que quanto maior os salários, maior o desemprego, e vice versa. Se todos fossem aos seus empregadores amanhã e insistissem em dobrar ou triplicar os salários, muitos ficariam imediatamente sem emprego. Ainda assim, esse achado bizarro foi aceito como um evangelho pelo establishment econômico keynesiano.
Hoje, já deveria estar claro que esse achado estatístico viola os fatos, bem como a teoria lógica. Durante a década de 1950, a inflação foi de apenas um ou dois por cento, e o desemprego flutuou entre três e quatro por cento. Depois, o desemprego atingiu entre oito e 11%, e a inflação entre cinco e 13%. Nas últimas duas ou três décadas, em resumo, ambos o desemprego e a inflação aumentaram abrupta e severamente. Se houve algo, nós tivemos foi uma curva de Phillips reversa. Houve qualquer coisa, menos um tradeoff entre inflação e desemprego.
Mas ideólogos raramente encaram os fatos, mesmo que eles continuamente aleguem "testar" suas teorias com fatos. Para salvar o conceito, eles simplesmente concluíram que a curva de Phillips ainda permanece um tradeoff entre inflação e desemprego, exceto que agora a curva inexplicavelmente se "moveu" para um novo arranjo de alegados tradeoffs. Sob esse tipo de argumentação, é claro, ninguém poderia jamais refutar qualquer teoria.
De fato, a inflação corrente, mesmo que ela reduza o desemprego no curto prazo ao fazer com que os preços aumentem bem mais que os salários (portanto reduzindo os salários reais), vai apenas criar mais desemprego no longo prazo. Em algum momento, os salários vão passar a subir junto com a inflação — e toda inflação inevitavelmente traz recessão e desemprego em seu rastro. Depois de mais de duas décadas de inflação, estamos agora vivendo esse "longo prazo."
Mito 7: Deflação — queda de preços — é impensável, e causaria uma catastrófica depressão.
A memória do público é curta. Esquecemos que, do início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, até o início da Segunda Guerra Mundial, os preços geralmente caíram, ano após ano. Isso porque um contínuo aumento da produtividade e da produção de bens, gerado pelo livre mercado, levou a uma queda nos preços. Não houve depressão, no entanto, já que os custos caíram junto com os preços de venda. Em geral, os salários permaneceram constantes, enquanto que o custo de vida caiu — de tal forma que os salários "reais", ou o padrão de vida de todos, aumentou constantemente.
Praticamente a única época em que os preços subiram, naqueles dois séculos, foi em períodos de guerra (Guerra de 1812, Guerra Civil, Primeira Guerra Mundial). Os governos em guerra inflaram descontroladamente a oferta monetária para pagar pela guerra, de modo que essa inflação foi bem maior do que os ganhos em produtividade — o que levou ao aumento dos preços.
Podemos ver como o capitalismo de livre mercado — quando não oprimido por inflação do governo ou de um banco central — funciona se olharmos para o que tem acontecido nos últimos anos com o preço dos computadores. Mesmo um simples computador costumava ser enorme, custando milhões de dólares. Agora, com o incrível surto de produtividade trazido pela revolução do microchip, os preços dos computadores estão caindo nesse mesmo momento em que escrevo. A indústria computacional tem tido sucesso apesar da queda dos preços porque seus custos têm caído, e a produtividade, subido. Na verdade, essa queda de custos e de preços permitiu a ela produzir para uma variada massa de consumidores, uma característica do crescimento dinâmico do capitalismo de livre mercado. A "deflação" não trouxe nenhum desastre para a indústria.
O mesmo ocorre para outras indústrias com alto crescimento, como a de calculadoras eletrônicas, aparelhos de TV, e videocassetes. Deflação, longe de trazer uma catástrofe, é a marca tradicional de um crescimento econômico sadio e dinâmico.[2]
Mito 8: O melhor imposto é o imposto de renda "flat" (de alíquota única), proporcional à renda para todos os segmentos, sem isenções ou deduções.
Geralmente os proponentes do imposto "flat" acrescentam que, eliminando tais isenções, o governo federal poderia diminuir substancialmente a alíquota corrente.
Mas essa visão, pra começar, assume que as deduções atuais do imposto de renda são subsídios imorais ou "meios de evasão" (loopholes) que devem ser extintos pelo bem de todos. Uma dedução ou isenção somente é um "meio de evasão" se você assumir que o governo é dono de 100% da renda de uma pessoa — e que permitir que parte daquela renda permaneça isenta de taxação constitui um irritante "meio de evasão." Permitir que uma pessoa mantenha parte de sua própria renda não é nem um "meio de evasão" nem um subsídio. Diminuir a carga tributária total abolindo deduções para gastos com saúde, pagamento de juros, ou perdas que não estavam seguradas, é simplesmente baixar os impostos para um grupo de pessoas (aqueles que têm poucos gastos com saúde, ou poucos juros à pagar, ou pequenas perdas sem seguro) às custas de aumentá-los para aqueles incorreram em tais gastos.
Não há também nenhuma garantia, nem mesmo probabilidade, de que, uma vez que as isenções e deduções estiverem seguramente fora do caminho, o governo vá manter sua carga tributária nesse nível mais baixo. Vendo os antecedentes de governos, antigos e atuais, há toda razão para pressupor que mais do nosso dinheiro seria levado pelo governo assim que ele aumentasse a alíquota de volta (no mínimo) ao nível anterior, consequentemente sugando uma maior quantidade de recursos dos produtores para a burocracia.
Supõe-se que o sistema tributário deveria ser análogo àquele de preços ou rendimentos no mercado. Mas a precificação no mercado não é proporcional às rendas. Seria um mundo peculiar se, por exemplo, Rockefeller fosse forçado a pagar $1,000 por um pedaço de pão — isto é, um pagamento proporcional à sua renda em relação ao homem comum. Isso significaria um mundo no qual a igualdade de renda seria forçada de uma maneira particularmente bizarra e ineficiente. Se um imposto fosse aplicado como um preço de mercado, ele seria igualpara todo "consumidor," e não proporcional à renda de cada consumidor.
Mito 9: Um corte no imposto de renda ajuda a todos; não apenas o contribuinte, mas também o governo vai se beneficiar, já que as receitas vão aumentar quando a taxa for cortada.
Esta é a chamada "curva de Laffer," criada pelo economista californiano Arthur Laffer. Ela foi promovida como um meio de permitir que políticos pudessem fazer o impossível: cortar impostos, manter os gastos em níveis correntes, e equilibrar o orçamento. Tudo ao mesmo tempo. Dessa maneira, o público iria desfrutar de um corte de impostos, se deliciaria com um orçamento equilibrado, e ainda receberia o mesmo nível de subsídios do governo.
É verdade que se as alíquotas de imposto fossem de 99%, e daí fossem cortadas para 95%, as receitas iriam aumentar. Mas não há nenhuma razão para crer em tais simples conexões em outras situações.  Na verdade, essa relação funciona bem melhor para um imposto sobre o consumo em nível local do que para um imposto de renda nacional. Alguns anos atrás, o governo do Distrito de Columbia decidiu aumentar a receita simplesmente aumentando severamente o imposto sobre a gasolina. Não funcionou, pois os motoristas podiam simplesmente atravessar a fronteira com a Virginia ou com Maryland e encher o tanque a um preço bem menor. As receitas do imposto sobre a gasolina em D.C. caíram e, para grande vexame e assombro dos burocratas de D.C, eles tiveram que revogar o imposto.
Mas não é provável que isso aconteça com o imposto de renda. As pessoas não vão parar de trabalhar ou deixar o país por causa de um relativamente pequeno aumento de impostos, ou fazer o inverso por causa de um corte de impostos.
Há outros problemas com a curva de Laffer. A quantidade de tempo que se deve esperar para que o efeito Laffer ocorra nunca é especificada. Mas ainda mais importante: Laffer supõe que o que todos nós queremos é maximizar a receita de impostos para o governo. Se — e um grande se — nós estamos realmente na metade de cima da Curva de Laffer, todos nós deveríamos então querer ajustar as alíquotas de impostos para aquele ponto "ótimo." Mas por quê? Por que deveria ser o objetivo de cada um de nós maximizar a receita do governo? Por que, em resumo, estaríamos interessados em elevar ao máximo a fatia do produto privado que é canalizado para as atividades do governo? Eu penso que estaríamos mais interessados em minimizar a receita do governo derrubando as alíquotas de impostos para em nível muito, muito abaixo de qualquer que seja o nível de Ótimo de Laffer.

Mito 10: Importação de países onde a mão-de-obra é barata provoca desemprego nos Estados Unidos.
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             Fábrica da Nike no Vietnã           

Um dos vários problemas com essa doutrina é que ela ignora a seguinte questão: por que os salários são baixos em um país estrangeiro, e altos nos Estados Unidos? Começa-se imaginando que esses salários já são determinados, e não se ataca a questão de por que eles são o que eles são. Basicamente, eles são altos nos EUA porque a produtividade do trabalho é alta — porque nos EUA os trabalhadores são ajudados por grandes quantidades de equipamentos tecnologicamente avançados. Os salários são baixos em muitos países estrangeiros porque os equipamentos são pequenos e tecnologicamente primitivos. Sem a ajuda de bens de capital avançados, a produtividade do trabalhador é bem menor do que nos EUA. Os salários em cada país são determinados pela produtividade dos trabalhadores naquele país. Assim, altos salários nos EUA não são uma ameaça fixa à prosperidade americana; eles são o resultado dessa prosperidade.
Mas o que dizer de certas indústrias nos EUA que reclamam barulhenta e cronicamente sobre a "injusta" competição de produtos de países com mão-de-obra barata? Aqui, devemos ter em mente que os salários em cada país são interconectados entre uma indústria — sua ocupação e região — e outra. Todos os trabalhadores competem entre si, e se os salários na indústria A são bem menores que em outras indústrias, os trabalhadores — liderados por jovens trabalhadores começando suas carreiras — iriam sair da indústria A, ou se recusar a ir pra ela, e se dirigir para outras empresas ou indústrias onde o salário é maior.
Dessa forma, os salários nessas indústrias que estão reclamando estão altos devido à competição de todas as outras indústrias nos EUA. Se as indústrias siderúrgicas ou têxteis nos EUA acham difícil competir com suas concorrentes estrangeiras, não é porque as indústrias estrangeiras estão pagando baixos salários, mas porque outras indústrias americanas forçaram para cima os salários americanos a um nível tão alto que as siderúrgicas e as têxteis não estão conseguindo pagar. Em resumo, o que realmente está acontecendo é que siderúrgicas, têxteis e outras firmas do tipo estão usando mão-de-obra ineficientemente em comparação às outras indústrias americanas. Tarifas ou cotas de importação para manter empresas ineficientes ou indústrias em operação são ruins para todo mundo — em cada país — que não está naquela indústria. Elas prejudicam todos os consumidores do país, pois mantêm os preços altos, a qualidade e a concorrência baixas, e distorcem a produção. Uma tarifa ou uma cota de importação é o equivalente a fatiar uma estrada de ferro ou destruir uma companhia aérea, já que a idéia é fazer com que o transporte internacional seja artificialmente caro.
Tarifas e cotas de importação também prejudicam outras indústrias eficientes, pois restringem recursos que de outra forma iriam para usos mais eficientes. E, no longo prazo, tarifas e cotas, como qualquer tipo de privilégio monopolista garantido pelo governo, não garantem lucros nem para as empresas que estão sendo protegidas e subsidiadas, pois, como já vimos nos casos das estradas de ferro e das companhias aéreas, indústrias que gozam de monopólios garantidos pelo governo (sejam através de tarifas ou regulamentações) acabam se tornando tão ineficiente que elas perdem dinheiro de qualquer jeito, e acabam limitadas a ficar somente clamando por mais e mais ajuda do governo, por uma proteção privilegiada, perpétua e sempre em expansão contra a livre concorrência.


[1] Marca de bonecas de grande sucesso nos EUA, que chegava a gerar brigas entre clientes que disputavam, às vezes no tapa, seus raros estoques nas lojas. Ver mais detalhes aqui. (N. do T.)
[2] E atualmente, o mesmo ocorre com a indústria de DVDs, iPods, celulares, máquinas fotógraficas, notebooks, etc. O princípio segue o mesmo: em setores onde o governo se intromete pouco, seja com regulamentações, subsídios, ou impostos, a tendência é que a produtividade aumente e os preços caiam. Como essa deflação pode ser recessiva? (N. do T.)

Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies. 

Albo lapillo notare diem: eis a revista do IMB!



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Os romanos, em acontecimentos importantes e felizes, costumavam dizer:albo lapillo notare diem, significando que aquela data seria marcada com uma pedra branca, para realçar sua importância. Isto porque, nos hábitos e costumes de Roma, o branco era símbolo de felicidade e o preto de desgraça. Pois hoje a equipe do Instituto Mises Brasil e todos os simpatizantes da Escola Austríaca de Economia estão já com uma pedrinha cuja alvura marca o lançamento de nosso periódico acadêmico, MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia, publicação científica interdisciplinar do IMB, estritamente acadêmica e com periodicidade semestral com o objetivo de divulgar e debater a tradição da Escola Austríaca que, no âmbito do pensamento econômico atual, certamente é a que mais vem crescendo, se multiplicando e se revigorando, especialmente a partir das últimas três décadas e, com ainda maior intensidade, desde 2008.
A revista, além de ser a realização de um antigo sonho, vem para mostrar definitivamente que a Escola Austríaca não pode e nem deve ficar restrita a duas ou três aulas da disciplina de História do Pensamento Econômico (e, quase que invariavelmente, é deturpada por professores de índole keynesiana ou marxista). Somos a mais tradicional das escolas econômicas, pois remontamos aos pós-escolásticos, especialmente os de Salamanca, nos séculos XV e XVI; se ainda somos a menor em termos de adeptos, seguramente somos a que mais vem crescendo nos últimos anos, especialmente quando a crise econômica mundial negou todas as teorias convencionais, tanto as keynesianas, como as monetaristas e de expectativas racionais.
"A Escola Austríaca de Economia na vanguarda" é o título do Editorial que escrevi para o primeiro número de nossa revista, para tirar de uma vez por todas da cabeça de jovens mal informados por seus professores que a Escola Austríaca "acabou", ou que "está ultrapassada", ou que, como não utiliza modelos matemáticos de previsão, "é coisa dos antigos". Nada mais equivocado do que acreditar nessas concepções erradas! Por isso, ostaff da revista procurou com esmero um design que, ao mesmo tempo em que mostrasse a longa tradição da Escola, sugerisse também visualmente ao leitor que seus ensinamentos são inteiramente aplicáveis aos nossos dias. E, mais do que serem, devem ser aplicados, devido à falência manifesta da mainstream economics que o mundo vem experimentando com o fracasso das receitas keynesianas e monetaristas para debelar a crise que explodiu em 2008, mas que os economistas austríacos já previam desde o final dos anos 90.
Mas a EA é ainda praticamente desconhecida na maioria das instituições de ensino brasileiras. Nesse sentido, a principal missão de nosso periódico será introduzir no debate acadêmico, em linguagem apropriada, técnica, científica e jamais panfletária, as importantes reflexões dos autores que seguem a tradição de Carl Menger, considerado o fundador da Escola. A revista também pretende garantir que seja publicada a produção intelectual de professores e pesquisadores brasileiros estudiosos da Escola Austríaca. Contudo, o periódico não assumirá uma posição apologética, contrária ao verdadeiro diálogo acadêmico, publicando apenas textos divulgando e defendendo as ideias desses autores, visto que estaremos abertos para receber e publicar artigos – desde que sejam científicos - criticando o pensamento austríaco, possibilitando o início de um verdadeiro debate intelectual de que nossa comunidade acadêmica tanto carece.
Outro objetivo importante da revista é contribuir para resgatar a importância da interdisciplinaridade — como o próprio título da revista sugere — e do humanismo nas ciências sociais. Com efeito, a tradição iniciada por Carl Menger com a publicação, em 1871, de Grundsätze der Volkwirthschaftslehree (Princípios de Economia Política), é um vasto campo do conhecimento humano, que transcende a economia para abastecer-se sistematicamente no âmbito mais abrangente das ciências sociais, nutrir-se continuamente com a discussão filosófica e impregnar-se permanentemente da boa cultura humanista.
Os economistas, desde a segunda metade do século XIX, com o abandono da tradição humanista, ao mesmo tempo em que dominavam mais conhecimentos técnicos específicos, foram se tornando cada vez menos cultos, e hoje em dia são raros aqueles realmente eruditos, no sentido de dominarem conhecimentos que ultrapassem os contidos nos manuais de Microeconomia e de Macroeconomia.
Não foi por acaso que Friedrich August von Hayek, laureado com o Nobel de Economia em 1974, em seu discurso na Academia Sueca, afirmou que um economista que só enxerga dentro dos limites estritos da teoria econômica, por mais apurados que sejam seus conhecimentos técnicos, nunca poderá ser um economista completo. Para a tradição austríaca não basta que ele domine o estado das artes em sua ciência: é preciso ir muito mais além, é preciso ser, mais do que qualquer outra coisa, um humanista. No entanto, mesmo em se tratando de um campo muito abrangente do conhecimento humano, a Escola Austríaca guarda uma simplicidade que chega a impressionar, mas que se explica pela lógica irrepreensível de suas proposições e postulados. Como escreveu Ludwig von Mises, considerado por muitos como o maior expoente da Escola, good economics is basic economics!
Como salientado anteriormente, a Escola Austríaca é interdisciplinar. Assim sendo e a partir de seu núcleo básico (os conceitos de ação, tempo e conhecimento) e de seus elementos de propagação (as ferramentas da utilidade marginal, do subjetivismo e das ordens espontâneas), ela se estende, entre outros, aos campos da Filosofia, do Direito e da Epistemologia. Apenas para dar um exemplo, a Filosofia Política da Escola Austríaca é uma tentativa de compreender e explicar a história e as instituições sociais à luz dos limites naturais do conhecimento humano. Como escreveu o filósofo italiano Raimondo Cubeddu, professor da Universidade de Pisa, a história e as instituições sociais aparecem frequentemente como produtos das ações humanas individuais, voltadas para a consecução de fins subjetivos.
Menger, Mises, Hayek, Lachmann, Rothbard e outros austríacos não foram apenas economistas que mergulharam no mundo da política, ou sonhadores de um mundo melhor de cunho utópico, mas pensadores que elaboraram uma teoria do melhor regime baseada em uma concepção da ação humana e da natureza da sociedade. E osaustríacos atuais seguem rigorosamente essa linha.
Os grandes economistas austríacos do século XX — cujos nomes mais conhecidos foram Mises e Hayek — mesmo tendo vivido em uma época em que seus colegas faziam questão de se tornarem cada vez mais especializados em áreas crescentemente mais restritas da economia, não permitiram — em nenhum momento! —, que o modismo os fizesse abrir mão de serem generalistas, não no sentido mais vulgar que essa palavra vem adquirindo ultimamente, mas no de valorizarem a vasta cultura e o humanismo.
Os tempos difíceis — a era das pedras negras — vividos por Mises, Hayek e tantos outros austríacos, estão, gradualmente, porém de maneira clara e crescente, com os dias contados. Sem dúvida, a importância e o renascimento dos estudos sobre a Escola Austríaca é uma nova tendência internacional, nas áreas de Filosofia, Economia, Epistemologia, Política, Direito, Sociologia e Antropologia, bem como nas demais áreas em que se manifesta o princípio universal da Praxeologia ou estudo da ação humana, definida como escolhas individuais voluntárias que visam a passar de estados considerados insatisfatórios ou pouco satisfatórios para outros, tidos no momento das escolhas como satisfatórios, ou mais satisfatórios do que os presentes.
MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia manifesta, desde este primeiro número que ora lançamos, seu compromisso estritamente acadêmico, pretendendo ser um espaço de formação, de informação e de debate de ideias. Sendo assim, veiculará, além de textos clássicos dos grandes nomes da tradição austríaca, nunca publicados anteriormente em português, a produção contemporânea de pensadores do Brasil e do exterior que, como dissemos linhas atrás, vem crescendo de maneira sólida e consistente ao longo dos últimos anos.
Por se tratar de uma escola de pensamento marcadamente interdisciplinar, o diálogo com outras disciplinas, bem como com as outras correntes da ciência econômica torna-se algo natural e será uma das características de nosso periódico, que será, assim, além da primeira publicação referendada na Escola Austríaca no Brasil, uma revista aberta permanentemente ao debate intelectual de alto nível, publicando até mesmo críticas ao pensamento austríaco.
Cada uma das duas edições anuais regulares do periódico deverá conter artigos agrupados em cinco seções distintas: 1ª) Epistemologia e Ética, 2ª) Economia e Praxeologia, 3ª) História do Pensamento Econômico, 4ª)Sociedade, Legislação e Política; 5ª) Crítica Cultural. Parece claro que não é necessário discorrer extensivamente sobre a importância de cada uma dessas áreas dentro do pensamento austríaco. Distribuídos nessas cinco seções, este primeiro número enfeixa dezoito artigos.
A compreensão da visão de mundo da Escola Austríaca é caudatária do entendimento filosófico da Epistemologia e da Ética, temas abordados nos três artigos da primeira seção da revista. No primeiro artigo, Ludwig von Mises discute a Epistemologia relacionando-a ao conceito de ação e mostrando sua relevância para a Economia. Gabriel Zanotti ressalta um impasse epistemológico criado por não se levar até as últimas consequências hermenêuticas o próprio subjetivismo, propondo a retomada desse caminho, fundamentado nos elementos hermenêuticos que se encontravam em Mises e Hayek. Jesús Huerta de Soto critica o consequencialismo nas relações sociais e procura justificar o que seria uma ética voltada para a liberdade, além de desenvolver a importante contribuição do trabalho de Israel Kirzner nesse campo.
A relação entre Economia e Praxeologia é de grande relevância para a Escola Austríaca por definir o conceito deação humana e possibilitar a integração da Economia com outros ramos do conhecimento. Dedicada a essa temática, a segunda seção da revista apresenta alguns tópicos do debate econômico desenvolvido pela Escola Austríaca em cinco artigos.
No primeiro artigo dessa seção, também de autoria de Ludwig von Mises, é discutido o conceito de atividade econômica e se argumenta que a racionalidade é elemento indispensável para a ação humana no mundo real, além de se mostrar a inviabilidade do cálculo econômico sob o socialismo e se esclarecer o significado de "econômico".
Roderick T. Long mostra como a abstração é entendida na tradição aristotélica e usa a compreensão de Aristóteles (384-322 a.C.) sobre o tema para mostrar como o argumento de Milton Friedman pró-irrealismo é confuso, demonstrando, ainda, que tal crítica aristotélica ao pensamento friedmaniano está implícita na obra de Mises, apresentando a existência de um uso austríaco legítimo para modelos irreais, orem bem diferentes dos usados por Friedman, para, por fim, explicar como a crítica austro-aristotélica ao pensamento friedmanianocontribui para a controvérsia e para os debates austríacos sobre apriorismo metodológico.
Fabio Barbieri faz um estudo do desenvolvimento da teoria austríaca do intervencionismo, em que, depois de examinar a crítica original de Mises ao intervencionismo, analisa a construção da moderna teoria austríaca dos ciclos intervencionistas, que procura explicar os movimentos de expansão e contração do estado.
A partir da "curva de Laffer" e de outros exemplos econômicos e sociais, Walter E. Block discute as implicações do Princípio da Não-Agressão (PNA) do libertarianismo, à luz de exemplos hipotéticos e mostra que tal princípio não é universal e nem fácil de analisar e aplicar.
Finalmente, na segunda seção, Leonidas Zelmanovitz argumenta que nem os atuais sistemas monetários de moedas nacionais fiduciárias e de curso legal forçado e nem qualquer variação do padrão-ouro são arranjos monetários ideais.
Ainda que os pensadores da Escola Austríaca tenham sido os responsáveis pelo descrédito da Escola Historicista Alemã de Economia, eles reconhecem que a História do Pensamento Econômico, apesar de não ser a principal fonte para o estudo da ação humana e da economia, é uma fonte inexaurível de conhecimentos para todos os que se interessam pela Economia como ciência.
Assim, a terceira seção, dedicada à História do Pensamento Econômico, apresenta, na primeira edição, quatro textos. O primeiro artigo, de autoria de Murray N. Rothbard, relata o pensamento da Igreja na Idade Média, focalizando sua atenção nos aspectos da usura, da cobrança de juros e do "preço justo", mostrando como esse pensamento foi evoluindo ao longo do tempo (este texto é a primeira parte de um ensaio, cuja segunda parte será publicada na segunda edição).
Buscando resgatar o elo histórico entre a tradição proto-austríaca e o moderno pensamento austríaco, nosso periódico sempre publicará um documento histórico medieval ou moderno que contribua para o entendimento histórico do pensamento econômico. Tal missão no presente volume é executada por intermédio da publicação — pela primeira vez em Português —, em tradução direta do latim, de uma parte da Suma dos Decretos, escrita no século XII por Rufino de Bolonha, na qual o famoso canonista medieval comenta o Decretum Gratiani, parte importante do Direito Canônico que foi lei válida até 1917, abordando à luz da teologia moral diversos temas econômicos, tais como a propriedade, o lucro, os ganhos sem esforço e a usura.
O terceiro artigo da seção, de autoria de Itamar Flávio da Silveira e de Suelem Halim Nardo de Carvalho, descreve como José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, tratou a questão da industrialização nacional sob a ótica da Economia Política Clássica.
Por fim, Joseph Salerno mostra como a Escola Austríaca se desenvolveu, desde Menger até os dias atuais, analisa as divergências existentes entre os economistas austríacos e como a Escola Austríaca renasceu a partir dos trabalhos e da tenacidade de Murray Rothbard.
As integrações e inserções da Economia com o Direito e com a Ciência Política são fatores de grande importância para os pensadores austríacos, por compreenderem que a economia do mundo real é "ação humana ao longo do tempo em condições de incerteza genuína", sendo influenciada e influenciando, assim, os diferentes aspectos jurídicos e políticos das sociedades nas quais os indivíduos vivem. Por isso, a quarta seção da revista é dedicada ao tema Sociedade, Legislação e Política.
Na presente edição apresentamos quatro artigos sobre a temática. O primeiro, escrito por Friedrich Hayek, discute que tipo de conhecimento deve ser utilizado nas ciências sociais, especialmente na Economia e mostra que no mundo real o dito "conhecimento científico" falha na coordenação da atividade econômica e que o conhecimento "prático", ou "das circunstâncias de tempo e espaço", é o único relevante nas decisões dos agentes econômicos.
No segundo texto da seção, Hans-Hermann Hoppe, partindo de uma economia autista do tipo Robinson Crusoe, compara o sistema atual de monopólio do estado sobre as leis e a segurança dos indivíduos com uma sociedade em que tais serviços fossem produzidos sem o estado e sugere a superioridade desse segundo tipo de organização social sobre a primeira.
Rothbard, em um terceiro artigo da seção, discute quais devem ser as posições dos libertários em relação à defesa das liberdades individuais, às guerras, à intervenção de estados em outros estados e critica as guerras que exterminam inocentes, mostrando a total incompatibilidade entre o libertarianismo e as guerras.
Finalmente, o artigo de Bruno Garschagen discute, sob a perspectiva da Escola Austríaca, de que forma e por que a União Soviética e a Alemanha Nazista conduziram suas sociedades para a barbárie ao violarem sistematicamente os direitos de propriedade e provocarem uma elevada taxa de preferência temporal, impedindo com suas políticas econômicas a moderação dessa preferência, que tornaria possível o processo civilizacional.
As sociedades são compostas por três grandes sistemas: o econômico, o político e o moral-cultural. Cada um desses sistemas possuem ritmos diferentes de evolução e seguem normas distintas, sendo dotados de instituições especiais, bem como de métodos, disciplinas, padrões, propósitos, limites, atrações e repulsões distintos; contudo, há uma continua interação entre esses três sistemas, fator que reforça a advertência de Hayek, em sua Nobel lecture de 1974, afirmando que um economista que só enxerga dentro dos limites estritos da teoria econômica, por mais apurados que sejam seus conhecimentos técnicos, nunca será um economista completo.
Tendo em vista o objetivo de ampliar o campo de visão dos estudiosos da Escola Austríaca, a quinta seção de nosso periódico sempre veiculará ensaios de Crítica Cultural. Na presente edição incluímos dois artigos sobre temas culturais. No primeiro, Jeffrey Tucker e Llewellyn Rockwell Jr. descrevem o pensamento cultural de Mises em suas diversas nuances, abrangendo as concepções do notório economista austríaco sobre igualdade e desigualdade, sexualidade, casamento e amor-livre, feminismo, raça e etnia, multiculturalismo, literatura e artes. Por fim, Alex Catharino analisa a questão da Liberdade na saga O Senhor dos Anéis de Tolkien (1892-1973), tanto no plano filosófico quanto nos aspectos praxeológicos, a partir do conceito de Imaginação Moral de Russell Kirk (1918-1994) e segundo algumas perspectivas teóricas da Escola Austríaca de Economia, principalmente a de Mises, enfatizando, também, as principais características da obra literária tolkieniana.
As resenhas de livros de autores brasileiros que atualmente se dedicam ao estudo do pensamento austríaco em nosso país completam este primeiro número da revista.
Como Diretor Acadêmico do Instituto Mises Brasil e como Editor responsável desse novo periódico acadêmico, é com grande satisfação — e também grande esperança intelectual — que apresento o primeiro número de MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia. Espero que o leitor goste do material da edição inicial e que a revista venha a ser uma referência não apenas no que se refere a seu pioneirismo em termos de ser a primeira especializada na Escola Austríaca em língua portuguesa, mas, principalmente, como veículo acadêmico interdisciplinar de altíssimo nível e como espaço permanentemente aberto ao debate de ideias.
É também com bastante alegria que enfatizo a importância, para que o sonho de nossa revista se pudesse concretizar, das contribuições do presidente do IMB, Helio Beltrão; de Alex Catharino, gerente da revista; e, naturalmente, de toda a excelente equipe que compõe o board do Instituto.
Enfim, uma revista acadêmica austríaca no Brasil, a nossa revista, a revista dos que sabem que a liberdade é fundamental para que o homem se realize como tal; a revista dos que creem, como o novelista alemão Thomas Mann, que opiniões não podem sobreviver se ninguém tem chance de lutar por elas; a revista dos que sabem, como expressou Mises, que ideias são mais poderosas do que exércitos; e a revista, enfim, dos que possuem firmeza na convicção manifestada por Cícero, a de que para homens livres, ameaças são impotentes!  
Albo lapillo notare diem! Vida longa para a revista Mises!
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