sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Por que o estado cresce? (E o que podemos fazer quanto a isso)


por  

leviathan.jpgApesar de toda a retórica política de que vão tirar o governo de cima de nossos ombros e de nossas carteiras, o leviatã a cada dia vai se tornando incontrolavelmente mais opressivo e mais dispendioso.  E essa é uma tendência mundial. Independente de qual seja o partido no poder, em qualquer país, parece não haver limites para a tributação, para a gastança, para o endividamento, para a inflação monetária e para toda a intrusão estatal em nossas vidas.  Nada disso é algo predestinado, inevitável, como todos os políticos querem nos fazer pensar; antes, é algo completamente reversível, desde que suas causas sejam compreendidas.  Somente se entendermos as razões para o crescimento governamental é que teremos alguma chance de revertê-lo.
1. Grupos de Interesse
Há duas maneiras de uma pessoa ganhar a vida: voluntariamente através do processo de mercado ou coercivamente através do processo político.  Os grupos de interesse que optam pelo último método aglomeram-se em torno do governo como moscas ao redor de uma lata de lixo. Esses trombadinhas com ternos Armani assaltam o Tesouro e manipulam o aparato regulatório governamental em benefício próprio.  E os políticos, quase sem exceção, se mostram excepcionalmente contentes em ser parceiros dessa gente, porque assim garantem reeleições, mais dinheiro e mais poder.
Os grupos de interesse de maior êxito (1) têm um propósito bem definido e uma estratégia coerente; (2) têm uma disposição para direcionar muito dinheiro para seus esforços; (3) dependem fortemente da intervenção governamental, pois uma ligeira mudança nas regulamentações pode significar a diferença entre o sucesso e bancarrota total; (4) recebem polpudos e óbvios benefícios do governo, ao passo que o custo fica escondido e disperso por toda a economia; (5) possuem a suprema capacidade de revestir suas depredações em um manto de preocupação pelo bem-estar geral.
Os gastos assistencialistas, por exemplo, só vêm crescendo desde a década de 1980, tudo em nome da ajuda aos pobres.  Mas o dinheiro vai em grande parte não para os pobres, que ficam com as migalhas, mas para aqueles grupos de interesse poderosos o suficiente para subornar e fazer lobby a favor da redistribuição.  O dinheiro real vai é para os "pobristas" — os reais defensores da pobreza —, para os consultores, para as empreiteiras que constroem as moradias populares, para os funcionários de hospitais públicos, e principalmente para os próprios membros da burocracia que coordena todo o esquema.  Os pobres são maldosa e intencionalmente transformados em uma subclasse perpétua, dependente do governo, para que alguns parasitas possam viver confortavelmente bem à custa de todo o resto da sociedade.  Graças ao estado assistencialista, praticamente não há mais uma genuína mobilidade social. Os degraus mais baixos da escada foram retirados em nome da compaixão.
2. Permanência nos cargos
Liberais clássicos, como Thomas Jefferson, queriam que todo o aparato do governo fosse demitido de seus cargos após cada eleição, para impedir que alguns indivíduos se entrincheirassem perpetuamente na máquina. Contudo — e apesar de a democracia ter a idéia da renovação —, a maioria dos funcionários estatais se tornapermanente, assim como os próprios políticos, constantemente reeleitos.  Os auxiliares dos deputados também se tornaram perenes, sendo que as contratações não param de subir. Os trabalhadores do setor privado precisam trabalhar cada vez mais para sustentar toda essa mamata.  Como Jefferson temia, criou-se uma classe que melhora de vida à medida que rouba a todos nós.
3. Burocracia
A burocracia é necessariamente ineficiente porque não opera dentro do sistema de lucros e prejuízos do mercado.  Sem a pressão para economizar recursos, até mesmo os burocratas bem intencionados acabam gastando sobremaneira.  E, é óbvio, a maioria dos burocratas não é bem intencionada.  A sua única motivação é aumentar o próprio poder, a própria renda e os próprios benefícios, os quais eles ganham ao aumentarem o número de burocratas sob seu comando no organograma estatal e ao gastarem cada centavo que lhes é alocado. Se os burocratas de uma agência estatal gastarem menos do que lhes foi alocado, sua fatia no orçamento do ano seguinte pode ser cortada.  Sendo assim, eles gastam seus recursos freneticamente até o fim do ano fiscal.  E então essa agência — com a ajuda dos grupos de interesse afiliados a essa agência, em quem o dinheiro é gasto — vai correndo ao Congresso e ao presidente pedir mais dinheiro.  E ambos, eleitos com a ajuda financeira desses grupos de interesses, autorizam um aumento orçamentário para esse importantíssimo serviço público que, coitado, estava sofrendo de insuficiência de fundos.
(Sempre me regozijei com essa idéia de "servidor público".  Pode observar: "servidor público", curiosamente, é aquele sujeito que só anda de carro chique, trabalha em ambiente com ar condicionado e sequer tem qualquer contato com o "povo", embora seja o "povo" quem forçosamente lhe sustenta. Quando dizem que algo é "serviço público" pode saber que estão enfiando a mão no seu bolso para benefício próprio.  Serviço público genuíno só pode ser encontrado na iniciativa privada.  O verdadeiro servidor público é aquele sujeito que mantém sua loja de conveniências aberta 24 horas para que você possa tomar uma Coca diet às 3 da manhã.  É aquele sujeito que abre sua padaria às 5 da manhã para que você possa comer algo ainda quente antes de ir trabalhar.  É a rede defast food a quem você recorre quando seu estômago está vazio e as opções se esgotaram.  Isso, meus caros, é que é serviço público.)
4. Crises
O governo sempre cresce mais rapidamente durante crises, sejam elas guerras ou depressões.  Uma crise é a desculpa perfeita para dar ao governo mais poder e dinheiro para "resolver" o problema, ao mesmo tempo em que o partido da situação paralisa a oposição.  E isso vale para qualquer país do mundo.  Isso ocorreu de modo mais patente nos EUA de 1929-1952, na Europa de 1920-1945, na China de Mao e no Japão até o fim da Segunda Guerra.  Em 1987, o crash da bolsa permitiu à SEC (a CVM americana) adquirir mais poderes sobre os mercados, o que deu combustível à criação do Banco Central Europeu e, consequentemente, do euro.  Isso, porém, não impediu a crise de 2001-2002, que criou a lei Sarbanes-Oxley, cuja função de regular ainda mais os mercados financeiros apenas pioraram as coisas.  Com a recente crise financeira, totalmente causada pelo governo americano (que havia aprovado uma lei que obrigava os bancos a financiar mutuários sem qualquer comprovação de crédito — o decreto CRA) e por seu banco central (que manteve os juros artificialmente baixos, o que sempreestimula bolhas), uma nova rodada de regulamentações vem sendo criada, bem como conversas cada vez mais revigoradas sobre um banco central mundial.  O professor Robert Higgs, em seu grande livro Crisis and Leviathan, mostra que o público sempre perde no final, pois é ele quem fica sobrecarregado com um governo ainda maior depois que a emergência acaba.
5. A mídia
Sempre nos dizem que a grande mídia é oposição ao governo, qualquer que seja ele — um mito muito útil para ambos.  Na realidade, governo e mídia são aliados em todos os assuntos fundamentais.  Tomando-se o exemplo para apenas uma área, a mídia sempre estimula a expansão estatal ao papaguear as declarações econômicas do governo: seja a última enganação declarada pelo Banco Central, sejam algumas alegações presidenciais sobre cortar gastos, toda a mídia nada mais é do que uma câmara de ressonância.
O governo, sendo a instituição dominante em nossa sociedade, utiliza a mídia como o fiel da balança que vai determinar quais os limites aceitáveis da opinião popular; e ele faz isso por meio dos interesses especiais que controlam grande parte da publicidade veiculada na mídia.   Por exemplo, nada seria melhor para o país, e pior para a burocracia, do que a abolição do imposto de renda físico e jurídico, bem como a abolição do Banco Central.  Mas tais idéias jeffersonianas são logo rotuladas de extremistas e indignas de consideração, graças ao conluio entre governo, mídia e grupos de interesse.
6. Intervencionismo
A economia de livre mercado é uma intrincada e cuidadosamente equilibrada rede de preços e trocas. Quando o governo intervém nesse conjunto com a desculpa de corrigir algum suposto problema, ele perturba esse equilíbrio, causando ainda mais problemas, o que consequentemente gera uma desculpa para mais intervenções. Ludwig von Mises chamou esse fenômeno de "a lógica do intervencionismo"; e é exatamente por isso que uma economia mista é inerentemente instável.  Um sistema intervencionista estará sempre se movendo em direção a mais intervencionismo — socialismo/fascismo.
7. Idéias
Uma última razão por que o estado cresce ilimitadamente é a ausência de entendimento sobre o que é o livre mercado.  As escolas e as universidades são dominadas por esquerdistas e intervencionistas de todos os tipos. Os livros-textos até que melhoraram, mas todos ainda pregam que o intervencionismo é necessário.  E assim todo o público permanece ignorante dos males causados pelo estado.
Essas são apenas algumas das razões por que o estado continua crescendo. E como podemos nos opor a isso?
Primeiro, devemos expor todos os crimes do governo, rasgando o manto de mentiras sob o qual se escondem as reais intenções dos grupos de interesse. Da próxima vez que você ouvir alguém clamando por mais gastos assistencialistas, mostre como o assistencialismo destrói os pobres ao mesmo tempo em que enriquece os verdadeiros recebedores do assistencialismo — os grupos de interesse — às nossas custas e com o auxílio da coerção estatal.  A verdadeira caridade só pode ser privada e voluntária, como bem sabe qualquer um que já lidou com o trabalho de igrejas e já comparou esse serviço com aquele realizado por assistentes sociais governamentais.
Segundo, devemos trabalhar em prol de mudanças radicais — como abolir programas e burocracias ao invés de simplesmente melhorá-los ou torná-los mais eficientes (embora de início possamos aceitar isso).  Se o nosso lado começar condescendente, se já entrarmos no debate concedendo de antemão várias vantagens ao adversário, teremos ainda menos chance de obter melhoras marginais e estaremos tacitamente concordando com todo o sistema e sua base imoral de roubo e fraude.
Terceiro, devemos não só nos recusar a acreditar nas propagandas pró-governo, como também devemos solapá-las, refutá-las e arruína-las ao máximo perante terceiros, apoiando fontes alternativas de notícias e informações.
Quarto, devemos nos esforçar para colocar professores e alunos pró-livre mercado e pró-liberdade nas instituições de estudo superior, e tentar mobilizar as pessoas através de apelos de justiça e de eficiência econômica.  Não há nada mais eficiente para incitar a ação do que atinar para o fato de que você está sendo roubado.
Para nós libertários, que compartilhamos da mesma crença de Lord Acton, a maior virtude política é a liberdade. A nossa visão é a de que a sociedade voluntária, em termos práticos e morais, é a melhor forma de sociedade possível, ao passo que o estado não passa de uma gangue de ladrões em larga escala. O estado pode fazer as mesmas coisas que, se feitas por indivíduos, seriam corretamente consideradas ilegais e criminosas. Só ele é capaz de fazê-las de forma a aparentar que é pelo bem comum e pelo interesse nacional (você sabe, todas aquelas expressões que as escolas públicas e a mídia nos ensinaram).
Em uma definição resumida, para nós libertários o estado não está acima das leis morais. O que é errado para um indivíduo em sua vida privada também é errado para o estado em toda a sua esfera. É errado roubar, mas o estado faz isso e chama de 'inflação' ou de 'tributação'; é errado escravizar, mas o estado faz isso e chama de 'serviço militar obrigatório'; é errado matar, mas o estado faz isso e chama de 'erro policial' ou de 'serviço de saúde inadequado' — ou, em caso de homicídio em massa, de 'guerra'.
O roubo, a escravidão e o homicídio são coisas imorais, sejam eles privados ou públicos.  Difundir as idéias da liberdade, do livre mercado e de uma moeda forte, e denunciar, agitar e trabalhar contra os criminosos, é a nossa única chance de ter êxito.  Os obstáculos são, obviamente, imensos.  Mas temos um mundo a ganhar.
Lew Rockwell é o presidente do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.


Tradução de Leandro Roque

O que é o estado?


por  

leviata.jpg
Em todos os países democráticos, o debate sempre gira em torno de uma única questão: de que maneira o poder do estado deve ser expandido.  A esquerda tem a sua lista específica; a direita, também.  Ambas representam uma grave ameaça à única posição política que é verdadeiramente benéfica para o mundo e seus habitantes: a liberdade. 
O que é o estado?  É um grupo dentro da sociedade que clama para si o direito exclusivo de controlar a vida de todos.  Para isso, ele utiliza um arranjo especial de leis que permite a ele fazer com os outros tudo aquilo que esses outros são corretamente proibidos de fazer: atacar a vida, a liberdade e a propriedade.
Por que uma sociedade, qualquer sociedade, permitiriaque tal quadrilha desfrutasse incontestavelmente desse privilégio?  Mais ainda: por que uma sociedade consideraria legítimo esse privilégio?  É aqui que a ideologia entra em cena.  A realidade do estado é inquestionável: trata-se de uma máquina de extorsão, encarceramento e assassinato — tudo isso em larga escala.  Sendo assim, por que tantas pessoas clamam por sua expansão?  Aliás, por que sequer toleramos sua existência?  A própria ideia da instituição estado é tão implausível por si só que é preciso que ele, o estado, vista uma roupagem ideológica para que consiga apoio popular.
Na antiguidade, os estados tinham uma ou duas roupagens: ou eles prometiam lhe proteger contra inimigos externos ou eles eram ordenados pelos deuses.  Em maior ou menor escala, todos os estados modernos ainda empregam essa lógica, mas o estado democrático atual é muito mais complexo.  Ele utiliza uma vasta gama de argumentos ideológicos — espertamente divididos entre esquerda e direita — que refletem as prioridades sociais e culturais de certos nichos grupais, ainda que todos esses argumentos sejam contraditórios.
A esquerda quer que o estado redistribua riqueza, estabeleça a igualdade material (e até espiritual) entre todos, regule pesadamente toda a iniciativa privada, sustente todos os trabalhadores, alimente e abrigue os pobres, proteja o meio ambiente, imponha a sua cultura e nos dê uma identidade nacional de cunho secular.
A direita, por sua vez, quer que o estado puna os malfeitores (incluindo viciados e pessoas de outras religiões), apóie a família, subsidie estilos de vida que ela considera corretos, dê segurança contra inimigos externos, imponha a sua cultura e nos dê uma identidade nacional de cunho religioso.
Como todos esses interesses conflitantes são resolvidos?  Ambos os grupos se aglomeram, fazem conchavos e chamam o resultado de democracia.  Esquerda e direita concordam em deixar que cada uma tenha sua fatia do bolo, desde que nada seja feito para prejudicar seus respectivos interesses.  O truque é manter o equilíbrio.  Quem será o beneficiado da vez vai depender apenas de quem estiver no comando.  Desde que o revezamento de comando esteja garantido, ambas terão seus desejos assegurados.  E pronto.  Temos aí uma descrição sucinta do estado moderno.  Trata-se apenas de uma disputa de poder entre quadrilhas, cada qual visando seus próprios interesses e os de sua base de apoio.  Quem está interessado apenas em liberdade, não apenas está sem representação como também é obrigado a sustentar ambos os grupos.  E caso você se rebele e resolva exercer sua liberdade — isto é, parar de sustentar a quadrilha — será condenado e encarcerado por algumas décadas, tão poderosa e ciosa de seus interesses essa quadrilha é.  Se você fugir de um assaltante de rua, você está livre.  Se você fugir do estado, você vai preso.
Os chefes supremos dos leviatãs atuais não necessariamente desfilam empertigados em uniformes militares.  Mas os poderes dos quais eles desfrutam fariam com que os Césares da antiguidade morressem de inveja.  O estado totalitário de hoje é mais calmo e ardiloso do que em sua infância — que começou no período entreguerras —, mas de modo algum abandonou seu objetivo de poder supremo e indisputável.
Aqueles que se interessam pela liberdade têm o dever de se tornarem os dissidentes de nossa época, rejeitando todas as demandas de estatismo que advêm tanto da esquerda quanto da direita.  Pois é só nisso que ambas estão interessadas: no poder propiciado pelo controle do estado.  E para lograrmos êxito é necessário desenvolver e promover um programa positivo sobre a liberdade, um programa que seja radical, estimulante, vigoroso e genuíno, como jamais foi.

A mentalidade da esquerda e seus estragos sobre os mais pobres



revolucionário.pngQuando adolescentes criminosos e assassinos são rotulados de "jovens problemáticos" por pessoas que se identificam como sendo de esquerda, isso nos diz mais sobre a mentalidade da própria esquerda do que sobre esses criminosos violentos propriamente ditos.
Raramente há alguma evidência de que os criminosos sejam meramente 'problemáticos', e frequentemente abundam evidências de que eles na realidade estão apenas se divertindo enormemente ao cometer seus atos criminosos sobre terceiros.
Por que então essa desculpa já arraigada?  Por querotular adolescentes criminosos de "jovens problemáticos" e supor que maníacos homicidas são meros "doentes"?
Pelo menos desde o século XVIII a esquerda vem se esforçando para não lidar com o simples fato de que a maldade existe — que algumas pessoas simplesmente optam por fazer coisas que elas sabem de antemão serem erradas.  Todo o tipo de desculpa, desde pobreza até adolescência infeliz, é utilizada pela esquerda para explicar, justificar e isentar a maldade. 
Todas as pessoas que saíram da pobreza ou que tiveram uma infância infeliz, ou ambas, e que se tornaram seres humanos decentes e produtivos, sem jamais praticarem atos violentos, são ignoradas pela esquerda, que também ignora o fato de que a maldade independe da renda e das origens, uma vez que ela também é cometida por gente criada na riqueza e no privilégio, como reis, conquistadores e escravocratas.
Logo, por que a existência do mal sempre foi um conceito tão difícil para ser aceito por muitos da esquerda?  O objetivo básico da esquerda sempre foi o de mudar as condições externas da humanidade.  Mas e se o problemafor interno?  E se o verdadeiro problema for a perversidade dos seres humanos?
Rousseau negou esta hipótese no século XVIII e a esquerda a vem negando desde então.  Por quê?  Autopreservação.  Afinal, se as coisas que a esquerda quer controlar — instituições e políticas governamentais — não são os fatores definidores dos problemas do mundo, então qual função restaria à esquerda?
E se fatores como a família, a cultura e as tradições exercerem mais influência positiva do que as novas e iluminadas "soluções" governamentais que a esquerda está constantemente inventando?  E se a busca pelas "raízes da criminalidade" não for nem minimamente tão eficaz quanto retirar criminosos de circulação?  As estatísticas ao redor do mundo mostram que as taxas de homicídio estavam em declínio durante as décadas em que vigoravam as velhas e tradicionais práticas tão desdenhadas pela intelligentsia esquerdista.  Já quando as novas e brilhantes ideias da esquerda ganharam influência, no final da década de 1960, a criminalidade e violênciaurbana dispararam.
O que houve quando ideias antiquadas sobre sexo foram substituídas, ainda na década de 1960, pelas novas e brilhantes ideias da esquerda, as quais foram introduzidas nas escolas sob a alcunha de "educação sexual" e que supostamente deveriam reduzir a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis?  Tanto a gravidez na adolescência quanto as doenças sexualmente transmissíveis vinham caindo havia anos.  No entanto, esta tendência foi subitamente revertida na década de 1960 e atingiu recordes históricos.
Desarmamento
Uma das mais antigas e mais dogmáticas cruzadas da esquerda é aquela em prol do desarmamento.  Aqui, novamente, o enfoque está nas questões externas — no caso, nas armas.
Se as armas de fato fossem o problema, então leis de controle de armas poderiam ser a resposta.  Mas se o verdadeiro problema são aquelas pessoas malvadas que não se importam com a vida de outras pessoas — e nem muito menos para as leis —, então o desarmamento, na prática, fará apenas com que pessoas decentes e cumpridoras da lei se tornem ainda mais vulneráveis perante pessoas perversas.
Dado que a crença no desarmamento sempre foi uma grande característica da esquerda desde o século XVIII, em todos os países ao redor do mundo, seria de se imaginar que, a esta altura, já haveria incontáveis evidências dando sustentação a esta crença.  No entanto, evidências de que o desarmamento de fato reduz as taxas de criminalidade em geral, ou as taxas de homicídio em particular, raramente são mencionadas por defensores do controle de armas.  Simplesmente se pressupõe, de passagem, que é óbvio que leis mais rigorosas de controle de armas irão reduzir os homicídios e a criminalidade.
No entanto, a crua realidade não dá sustento a esta pressuposição.  É por isso que são os críticos do desarmamento que se baseiam em evidências empíricas, todas elas magnificamente coletadas nos livros "More Guns, Less Crime", de John Lott, e "Guns and Violence", de Joyce Lee Malcolm. [Veja nossos artigos sobre desarmamento].  Mas que importância têm os fatos perante a visão inebriante e emotiva da esquerda?
Pobres
A esquerda sempre se arrogou a função de protetora dos "pobres".  Está é uma de suas principais reivindicações morais para adquirir poder político.  Porém, qual a real veracidade desta alegação?
É verdade que líderes de esquerda em vários países adotaram políticas assistencialistas que permitem aos pobres viverem mais confortavelmente em sua pobreza.  Mas isso nos leva a uma questão fundamental: quem realmente são "os pobres"?
Se você se baseia em uma definição de pobreza inventada por burocratas, como aquela que inclui um número de indivíduos ou de famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estipulado pelo governo, então realmente é fácil conseguir estatísticas sobre "os pobres".  Elas são rotineiramente divulgadas pela mídia e gostosamente adotadas por políticos.  Mas será que tais estatísticas têm muita relação com a realidade?
Houve um tempo em que "pobreza" tinha um significado concreto — uma quantidade insuficiente de comida para se manter vivo, ou roupas e abrigos incapazes de proteger um indivíduo dos elementos da natureza.  Hoje, "pobreza" significa qualquer coisa que os burocratas do governo, que inventam os critérios estatísticos, queiram que signifique.  E eles têm todos os incentivos para definir pobreza de uma maneira que abranja um número suficientemente alto de pessoas, pois isso justifica mais gastos assistencialistas e, consequentemente, mais votos e mais poder político.
Em vários países do mundo, não são poucas as pessoas que são consideradas pobres, mas que, além de terem acesso a vários bens de consumo que outrora seriam considerados luxuosos — como televisão, computador e carro —, são também muito bem alimentadas (em alguns casos, até mesmo apresentam sobrepeso).  No entanto, uma definição arbitrária de palavras e números concede a essas pessoas livre acesso ao dinheiro dos pagadores de impostos.
Esse tipo de "pobreza" pode facilmente vir a se tornar um modo de vida, não apenas para os "pobres" de hoje, mas também para seus filhos e netos.
Mesmo quando esses indivíduos classificados como "pobres" têm o potencial de se tornar membros produtivos da sociedade, a simples ameaça de perder os benefícios assistencialistas caso consigam um emprego funciona como uma espécie de "imposto implícito" sobre sua renda futura, imposto este que, em termos relativos, seria maior do que o imposto explícito que incide sobre o aumento da renda de um milionário.
Em suma, as políticas assistencialistas defendidas pela esquerda tornam a pobreza mais confortável ao mesmo tempo em que penalizam tentativas de se sair da pobreza.  Exceto para aqueles que acreditam que algumas pessoas nascem predestinadas a serem pobres para sempre, o fato é que a agenda da esquerda é um desserviço para os mais pobres, bem como para toda a sociedade.  Ao contrário do que outros dizem, a enorme quantia de dinheiro desperdiçada no aparato burocrático necessário para gerenciar todas as políticas sociais não é nem de longe o pior problema dessa questão.
Se o objetivo é retirar pessoas da pobreza, há vários exemplos encorajadores de indivíduos e de grupos que lograram este feito, e nos mais diferentes países do mundo.
Milhões de "chineses expatriados" emigraram da China completamente destituídos e quase sempre iletrados.  E isso ocorreu ao longo dos séculos.  Independentemente de para onde tenham ido — se para outros países do Sudeste Asiático ou para os EUA —, eles sempre começaram lá embaixo, aceitando empregos duros, sujos e frequentemente perigosos.
Mesmo sendo frequentemente mal pagos, estes chineses expatriados sempre trabalhavam duro e poupavam o pouco que recebiam.  Era uma questão cultural.  Vários deles conseguiram, com sua poupança, abrir pequenos empreendimentos comerciais.  Por trabalharem longas horas e viverem frugalmente, eles foram capazes de transformar pequenos negócios em empreendimentos maiores e mais prósperos.  Eles se esforçaram para dar a seus filhos a educação que eles próprios não conseguiram obter.
Já em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados haviam criado praticamente a mesma riqueza que o bilhão de pessoas que viviam na China.
Variações deste padrão social podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em vários países ao redor do mundo — inicialmente pobres, foram crescendo ao longo de gerações até atingirem a prosperidade.  Raramente recorreram ao governo, e quase sempre evitaram a política ao longo de sua ascensão social.
Tais grupos se concentraram em desenvolver aquilo que economistas chamam de "capital humano" — seus talentos, habilidades, aptidões e disciplina.  Seus êxitos frequentemente ocorreram em decorrência daquela palavra que a esquerda raramente utiliza em seus círculos refinados: "trabalho".
Em praticamente todos os grupos sociais e étnicos, existem indivíduos que seguem padrões similares para ascenderem da pobreza à prosperidade.  Mas o número desses indivíduos em cada grupo faz uma grande diferença para a prosperidade ou a pobreza destes grupos como um todo.
A agenda da esquerda — promover a inveja e o ressentimento ao mesmo tempo em que vocifera exigindo ter "direitos" sobre o que outras pessoas produziram — é um padrão que tem se difundido em vários países ao redor do mundo.
Esta agenda raramente teve êxito em retirar os pobres da pobreza.  O que ela de fato logrou foi elevar a esquerda a cargos de poder e a posições de autoexaltação — ao mesmo tempo em que promovem políticas com resultados socialmente contraproducentes.
A arrogância
É difícil encontrar um esquerdista que ainda não tenha inventado uma nova "solução" para os "problemas" da sociedade.  Com frequência, tem-se a impressão de que existem mais soluções do que problemas.  A realidade, no entanto, é que vários dos problemas de hoje são resultado das soluções de ontem.
No cerne da visão de mundo da esquerda jaz a tácita presunção de que pessoas imbuídas de elevados ideais e princípios morais — como os esquerdistas — sabem como tomar decisões para outras pessoas de forma melhor e mais eficaz do que estas próprias pessoas.
Esta presunção arbitrária e infundada pode ser encontrada em praticamente todas as políticas e regulamentações criadas ao longo dos anos, desde renovação urbana até serviços de saúde.  Pessoas que nunca gerenciaram nem sequer uma pequena farmácia — muito menos um hospital — saem por aí jubilosamente prescrevendo regras sobre como deve funcionar o sistema de saúde, impondo arbitrariamente seus caprichos e especificidades a médicos, hospitais, empresas farmacêuticas e planos de saúde.
Uma das várias cruzadas internacionais empreendidas por intrometidos de esquerda é a tentativa de limitar as horas de trabalho de pessoas de outros países — especialmente países pobres — em empresas operadas por corporações multinacionais.  Um grupo de monitoramento internacional se autoatribuiu a tarefa de garantir que as pessoas na China não trabalhem mais do que as legalmente determinadas 49 horas por semana.
Por que grupos de monitoramento internacional, liderados por americanos e europeus abastados, imaginam ser capazes de saber o que é melhor para pessoas que são muito mais pobres do que eles, e que possuem muito menos opções, é um daqueles insondáveis mistérios que permeiam a intelligentsia.
Na condição de alguém que saiu de casa aos 17 anos de idade, sem ter se formado no colégio, sem experiência no mercado de trabalho, e sem habilidades específicas, passei vários anos de minha vida aprendendo da maneira mais difícil o que realmente é a pobreza.  Um dos momentos mais felizes durante aqueles anos ocorreu durante um breve período em que trabalhei 60 horas por semana — 40 horas entregando telegramas durante o dia e 20 horas trabalhando meio período em uma oficina de usinagem à noite.
Por que eu estava feliz?  Porque antes de encontrar estes dois empregos eu havia gasto semanas procurando desesperadamente qualquer emprego.  Minha escassa poupança já havia evaporado e chegado literalmente ao meu último dólar quando finalmente encontrei o emprego de meio período à noite em uma oficina de usinagem.
Passei vários dias tendo de caminhar vários quilômetros da pensão em que morava no Harlem até a oficina de usinagem, que ficava imediatamente abaixo da Ponte do Brooklyn, e tudo para poupar este último dólar para poder comprar pão até finalmente chegar o dia de receber meu primeiro salário.
Quando então encontrei um emprego de período integral — entregar telegramas durante o dia —, o salário somado dos dois empregos era mais do que tudo que eu já havia ganhado antes.  Foi só então que pude pagar a pensão, comer e utilizar o metrô para ir ao trabalho e voltar.
Além de tudo isso, ainda conseguia poupar um pouco para eventuais momentos difíceis.  Ter me tornado capaz de fazer isso era, para mim, o mais próximo do nirvana a que já havia chegado.  Para a minha sorte, naquela época não havia nenhum intrometido de esquerda querendo me impedir de trabalhar mais horas do que eu gostaria.
Havia um salário mínimo, mas, como o valor deste havia sido estipulado em 1938, e estávamos em 1949, seu valor já havia se tornado insignificante em decorrência da inflação.  Por causa desta ausência de um salário mínimo efetivo, o desemprego entre adolescentes negros no ano de 1949, que foi um ano de recessão, era apenas uma fração do que viria a ser até mesmo durante os anos mais prósperos desde a década de 1960 até hoje.
À medida que os moralmente ungidos passaram a elevar o salário mínimo, a partir da década de 1950, o desemprego entre os adolescentes negros disparou.  Hoje, já estamos tão acostumados a taxas tragicamente altas de desemprego neste grupo, que várias pessoas não fazem a mais mínima ideia de que as coisas nem sempre foram assim — e muito menos que foram as políticas da esquerda intrometida que geraram tais consequências catastróficas.
Não sei o que teria sido de mim caso tais políticas já estivessem em efeito em 1949 e houvessem me impedido de encontrar um emprego antes de meu último dólar ser gasto.
Minha experiência pessoal é apenas um pequeno exemplo do que ocorre quando suas opções são bastante limitadas.  Os prósperos intrometidos da esquerda estão constantemente promovendo políticas — como encargos sociais e trabalhistas — que reduzem ainda mais as poucas opções existentes para os pobres.  Quando não reduzem empregos, tais políticas afetam sobremaneira seus salários.
Parece que simplesmente não ocorre aos intrometidos que as corporações multinacionais estão expandindo as opções para os pobres dos países do terceiro mundo, ao passo que as políticas defendidas pela esquerda estão reduzindo suas opções.
Os salários pagos pelas multinacionais nos países pobres normalmente são muito mais altos do que os salários pagos pelos empregadores locais.  Ademais, a experiência que os empregados ganham ao trabalhar em empresas modernas transforma-os em mão-de-obra mais valiosa, e fez com que na China, por exemplo, os salários passassem a subir a porcentagens de dois dígitos anualmente.
Nada é mais fácil para pessoas diplomadas do que imaginar que elas sabem mais do que os pobres sobre o que é melhor para eles próprios.  Porém, como alguém certa vez disse, "um tolo pode vestir seu casaco com mais facilidade do que se pedisse a ajuda de um homem sábio para fazer isso por ele".
Thomas Sowell , um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford.  Seu website: www.tsowell.com.

Tradução de Leandro Roque

“O Brasil é um dos países mais racistas do mundo, mas o racismo é velado”




O racismo no Brasil pelo olhar de quem vem de fora: documentário Open Arms, Closed Doors aborda o problema do nosso racismo disfarçado

Por Fernanda Polacow e Juliana Borges, em blog do Sakamoto
Discutir o racismo na sociedade brasileira sempre é um assunto controverso. Para início de conversa, uma parcela significativa da nossa população insiste em dizer que este é um problema que não enfrentamos. Somos miscigenados, multirraciais, coloridos. Como um país assim pode ser racista?
Foi essa a pergunta que o angolano Badharó, protagonista do documentário “Open Arms, Closed Doors” (Braços Abertos, Portas Fechadas – vídeo no fim do texto), que dirigimos para a rede de TV Al Jazeera e que será veiculado apartir de hoje em 130 países, se fez quando chegou ao Brasil em 1997 esperando encontrar o Rio de Janeiro que ele via nas novelas.
racismo brasil angola open arms
Racismo no Brasil pelo olhar de quem vem de fora: Cena do documentário Open Arms Closed Doors (Foto: Al Jazeera)
Badharó é um dos milhares de angolanos que vieram viver no Brasil. Depois de fugir da guerra civil no seu país de origem, escolheu aqui como novo lar – um país sem conflitos, alegre, aberto aos imigrantes e cuja barreira da língua já estava ultrapassada à partida. Foi parar no Complexo da Maré, onde está localizada a maior concentração de angolanos do Rio de Janeiro.
Para quem defende que o Brasil não é um país racista, vale ouvir o que ele, um imigrante negro, tem a dizer sobre a nossa sociedade. Badharó não nasceu aqui, não carrega nossos estigmas, não foi acostumado a viver num lugar em que muitos brancos escondem a bolsa na rua quando passam ao lado de um negro. Depois de 15 anos vivendo numa comunidade carioca, ele tem conhecimento de causa suficiente para afirmar: “O Brasil é um dos países mais racistas do mundo, mas o racismo é velado”. O documentário segue a rotina deste rapper de 35 anos e mostra o dia a dia de quem sofre na pele uma cascata de preconceitos, por ser pobre, negro e imigrante.
Além de levantar o tema do nosso racismo disfarçado, o documentário propõe, também, uma outra discussão: agora que estamos nos tornando um país alvo de imigrantes, será que estamos recebendo bem esses novos moradores?

Com a ascensão do Brasil como potência econômica e o declínio da Europa, principal destino de imigração dos africanos, nos tornamos um foco para quem não apenas procura uma situação melhor de vida, mas para quem procura uma melhor educação ou mesmo um bom posto de trabalho. São muitos os estudantes africanos de língua portuguesa que desembarcam no Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Angola foi o quarto país do mundo que mais solicitou visto de estudantes no Brasil em 2012. Com esta nova safra de imigrantes, basta saber como vamos nos comportar.

Europeus e norte-americanos encontram nossas portas escancaradas e nossos melhores sorrisos quando aportam por aqui, mesmo que estejam vindo de países falidos e em situação irregular. No entanto, um estudante angolano com visto e com dinheiro no bolso, continua sofrendo preconceito. Foi este o caso da estudante Zulmira Cardoso, baleada e morta no Bairro do Brás, em São Paulo, no ano passado. Vítima de um ato racista, a estudante virou o mote de uma musica que Badharó compôs para que o crime não fique impune. Isto porque tanto as autoridades brasileiras quanto as angolanas não deram sequência nas apurações e o crime segue impune.
A tentativa de abafar qualquer problema de relacionamento entre as duas nações pode afetar as interessantes parceiras comercias que existem entre os dois governos. Para todos os efeitos, continuamos sendo ótimos anfitriões e estamos de braços abertos para quem quer aqui entrar.

A melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal


O documentário abaixo deveria ser assistido e discutido por todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação no Brasil

A Finlândia tem a melhor educação do mundo. Lá todas as crianças tem direito ao mesmo ensino, seja o filho do empresário ou o filho do garçom. Todas as escolas são públicas-estatais, eficientes, profissionalizadas. Todos os professores são servidores públicos, ganham bem e são estimulados e reconhecidos. Nas escolas há serviços de saúde e alimentação, tudo gratuito.
Na Finlândia a internet é um direito de todos.
A Finlândia se destaca em tecnologia mais do que os Estados Unidos da América.
Sim, na Finlândia se paga bastante impostos: 50% do PIB.
O país dá um banho nos Estados Unidos da América em matéria de educação e de não corrupção.
Na Finlândia se incentiva a colaboração, e não a competição.
Mas os neoliberais-gerenciais, privatistas, continuam a citar os EUA como modelo.
Difícil o Brasil chegar perto do modelo finlandês? Quase impossível. Mas qual modelo devemos perseguir? Com certeza não pode ser o da privatização.
Veja o seguinte documentário, imperdível, elaborado por estadunidenses. Em inglês, com legendas em espanhol:
Leia abaixo matéria originalmente publicada no Diário do Centro do Mundo que trata da excelência do sistema de educação da Finlândia, reverenciado em todo o mundo.

Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado

Acaba de sair um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora britânica que publica a revista Economist, a Pearson.
É um comparativo no qual foram incluídos países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.
Você pode adivinhar em que lugar o Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de futebol. Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.
Surpresa? Dificilmente.
Assim como não existe surpresa no vencedor. De onde vem? Da Escandinávia, naturalmente – uma região quase utópica que vai se tornando um modelo para o mundo moderno.
Foi a Finlândia a vencedora. A Finlândia costuma ficar em primeiro ou segundo lugar nas competições internacionais de estudantes, nas quais as disciplinas testadas são compreensão e redação, matemática e ciências.
A mídia internacional tem coberto o assim chamado “fenômeno finlandês” com encanto e empenho. Educadores de todas as partes têm ido para lá para aprender o segredo.
Se alguém leu alguma reportagem na imprensa brasileira, ou soube de alguma autoridade da educação que tenha ido à Finlândia, favor notificar. Nada vi, e também aí não tenho o direito de me surpreender.
Finlândia: a melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal (Imagem: Reprodução / Documentário)
Algumas coisas básicas no sistema finlandês:
1) Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.
2) Todas as escolas são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e também comida.
3) Os professores são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.
4) As crianças têm um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.
5) Nos primeiros anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.
6) Os alunos são instados a falar mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados Unidos, uma pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)
Isto é uma amostra, apenas.
Claro que, para fazer isso, são necessários recursos. A carga tributária na Finlândia é de cerca de 50% do PIB. (No México, é 20%. No Brasil, 35%.)
Já escrevi várias vezes: os escandinavos formaram um consenso segundo o qual pagar impostos é o preço – módico – para ter uma sociedade harmoniosa.
Não é à toa que, também nas listas internacionais de satisfação, os escandinavos apareçam sistematicamente como as pessoas mais felizes do mundo.
Para ver de perto o jeito finlandês de educar crianças, basta ver um fascinante documentário de 2011 feito por americanos (vídeo publicado acima).
Comecei a ver, e não consegui parar, como se estivesse assistindo a um suspense.
Todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação, no Brasil, deveriam ver e discutir o documentário.

DESAFIO

São apenas 03 páginas
Você vai ler até o FIM?
Se conseguir saberá o porquê deste
DESAFIO
Esta história foi retirada de um e-mail
Dá pra viver mais devagar?
(Autor Desconhecido)
Já vai pra 18 anos que estou aqui na Volvo uma empresa sueca. Trabalhar
com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora
dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra.
Então, nos processos globais, causa em nós aflitos por resultados imediatos
(brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) uma ansiedade generalizada,
porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.
Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações... E
trabalham num esquema bem mais pacato. O pior é constatar que, no final, acaba
sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da
necessidade. Bem pouco se perde aqui...
E vejo assim:
1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem dois milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com
Curitiba que somos dois milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, SKF,
Nokia, Nobel Biocare,... Nada mal, não? Pra ter uma idéia, a Volvo fabrica os
motores propulsores para os foguetes da NASA.
Digo para os demais nestes nossos grupos globais: Os suecos podem estar
errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não
conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles...
Vou contar uma breve história só pra dar noção...
A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas
suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio leve e
nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro
bem longe da porta de entrada (são 2000 funcionários de carro).
No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um
pouco mais de intimidade, numa manha perguntei: "Vocês tem lugar marcado para
estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o
carro lá no final..." e ele me respondeu simples assim: “é que chegamos cedo, então
temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor
que fique mais perto da porta. Você não acha?". Olha a minha cara caiu, ainda bem
que tive esta na primeira... Deu pra rever bastante os meus conceitos.
Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. O que o
movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar,
saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com
amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast
Food e o que ele representa como estilo de vida. A surpresa, porém, é que esse
movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo
chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week em sua última
edição européia.
A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada
pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de
vida ou à "qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses,
embora trabalhem menos horas, (35 horas / semana) são mais produtivos que seus
colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram
uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada
menos que 20%. Essa chamada "slow attitude" está chamando a atenção até dos
americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it Now" (faça já).
Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem menor
produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e
"produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos "stress".
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer e
das pequenas comunidades. Do "local", presente e concreto, em contraposição ao
"global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser
humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e
até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais
alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos felizes fazem,
com prazer, o que sabem fazer de melhor.
Nesta semana, gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os
velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição"
não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?
Será que nossas empresas não
deveriam também pensar em programas
sérios de "qualidade sem-pressa" até para
aumentar a produtividade e qualidade de
nossos produtos e serviços sem a necessária
perda da "qualidade do ser"?
Algumas pessoas vivem correndo
atrás do tempo, mas parece que só
alcançam quando morrem enfartados, ou
algo assim.
Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se
esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo
tem por igual, ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o
que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque,
como disse John Lennon... "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos
para o futuro".
Reflita, e encontre um tempo para você e sua família, Tenha certeza que você
merece. Estes momentos serão muito importantes na hora que você precisar de
novas idéias para sua produção, pessoal e financeira.
Espero que aproveite esta nova visão de emergência pacata, de maneira
serena e produtiva.
Parabéns por ter lido até o final...
Muitos não irão ler este manual até o
final, porque não podem "perder" o seu
tempo neste mundo globalizado.
Até que ponto vale a pena deixar de
curtir sua família, de ficar com a pessoa
amada, fazer aquela caminhada nos
domingos de manhã, ir pescar no fim de
semana?
Cuidado, poderá ser tarde demais...
_________________________________________________________
Esta história foi retirada de um e-mail e modificada por min, para a atualidade
dos dias de hoje. Realmente mudou minha vida para muito melhor, tanto no lado
pessoal como financeiro. Espero que possa trazer o mesmo efeito proveitoso para
todos que lerem e entenderem o recado aqui passado.
Envie este manual a todos seus amigos, imprima-o e repasse principalmente a
aqueles que estão muito ocupados. Talvez eles estejam precisando rever alguns
conceitos também.
Acesse as fontes abaixo
http://www.megacursos.com.br – Site com alguns cursos gratuitos por download
e representante do CD-ROM Mega Cursos que
contem vários cursos um único CD
http://www.divulgamais.com.br – Sistema de divulgação pela internet

O que é uma ciência apriorística, e por que a economia é uma




mises.jpgNão é incomum encontrar pessoas muito inteligentes que, mesmo tendo grandes simpatias pela economia política deLudwig von Mises, se sentem confundidas pelos seus métodos ou até mesmo negligenciam os preceitos metodológicos que guiam sua teoria econômica. Mais tipicamente, essas objeções são particularmente dirigidas à asserção enfática e sempre repetida por Mises que postula que o núcleo da teoria econômica é composto de conceitos a priori - isto é, proposições cuja validade é atingida por contemplação ao invés de por pesquisa empírica. Essas pessoas normalmente consideram esse aspecto do pensamento de Mises como sendo contrário aos princípios científicos modernos, como se fosse um fóssil vivo, uma besta arcaica que deveria ter sido extinta junto com o racionalismo abstrato da era anterior à Revolução Científica.
Devido aos vários diálogos que já tive com tais críticos, creio que detectei um equívoco frequente sobre o que significa o fato de uma proposição ser, em si, uma verdade a priori para algum assunto. Esse erro não apenas causa confusão a respeito da metodologia econômica de Mises, mas também obscurece os verdadeiros fundamentos das ciências empíricas que, justificadamente, muitas dessas pessoas tanto admiram.
Pelo que entendo de Mises, ao caracterizar os princípios fundamentais da economia como verdades a priori e não como fatos incertos abertos a descobertas ou refutações empíricas, ele não estava dizendo que as leis econômicas nos foram reveladas por ação divina, como os dez mandamentos foram a Moisés. Ele também não estava alegando que os princípios econômicos são transferidos automaticamente aos nossos cérebros pela simples evolução humana, nem que podemos compreendê-los e articulá-los sem antes ter ganhado familiaridade com o comportamento da economia através da participação e da observação dela em nossas próprias vidas. Na verdade, é bem possível que alguém tenha tido uma boa dose de experiência real com a atividade econômica e, ainda assim, nunca ter imaginado quais os princípios básicos - se algum - ela exibe.
Ainda assim, Mises estava certo ao descrever estes princípios como apriorísticos, porque eles são logicamente anteriores a qualquer estudo empírico de fenômenos econômicos. Sem eles é impossível até mesmo reconhecer que há uma classe definida de eventos que podem ter explicações econômicas. Somente ao pré-supor que conceitos como intenção, propósito, meios, fins, satisfação, e insatisfação são características de um certo tipo de acontecimento no mundo é que podemos conceber um tema para a economia investigar. Esses conceitos são pré-requisitos lógicos para distinguir um assunto ligado a eventos econômicos de outros assuntos ligados a eventos não-econômicos, como o tempo, o percurso de um planeta pelo céu noturno, o crescimento das plantas, o quebrar das ondas no litoral, a digestão animal, vulcões, terremotos, entre outros.
Se não assumíssemos em princípio que as pessoas deliberadamente empreendem atividades previamente planejadas com a intenção de tornar sua situação - como elas subjetivamente a vêem - melhor do que em relação à situação em que outrora estariam, não haveria uma base para diferenciar as trocas que ocorrem na sociedade das trocas de moléculas que ocorrem entre dois líquidos separados por uma membrana permeável. E os aspectos que caracterizam os membros da classe de fenômenos selecionada como tema de uma ciência especial devem ter uma condição axiomática para os praticantes dessa ciência, pois se os praticantes rejeitarem esses aspectos então eles também estarão rejeitando os fundamentos para a existência dessa ciência.
A ciência econômica não é a única que requer a adoção de certas suposições como pré-condição para usar o modo de entendimento que ela oferece. Toda ciência é fundada em proposições que formam a base - ao invés de o resultado final - das investigações. Por exemplo, a física toma como garantida a realidade do mundo físico que ela examina. Qualquer pedaço de evidência física que ela possa oferecer tem significado somente se for assumido que o mundo físico é real. Os físicos também não podem demonstrar sua hipótese de que os membros de uma sequência de medidas físicas[1] similares terão alguma relação significativa e consistente entre si. Qualquer teste de um tipo particular de medida deve pré-supor a validade de outra forma de medir contra a qual a forma em utilização deve ser julgada.
Por que aceitamos que quando colocamos uma régua-padrão ao lado de um objeto e vemos que esse objeto vai até a metade da régua, e então colocamos a régua ao lado de outro objeto que vai somente a até a ¼ da régua, isso significa que o primeiro objeto é maior que o segundo? Certamente não por causa de testes empíricos, já que tais testes seriam sem sentido a menos que já tenhamos garantido o princípio em questão. Na matemática, não é por ficarmos agrupando repetidamente dois itens com outros dois e contando a coleção resultante, que concluímos que 2+2 é sempre igual a 4. Isso iria apenas mostrar que nossa resposta estava correta no momento do experimento - supondo que contar funciona! -, mas acreditamos que a resposta é universalmente válida. A Biologia pressupõe que há uma diferença significante entre coisas vivas e matérias inertes, e se ela negasse essa diferença também estaria negando sua própria validade como ciência especial.
O que é notável em relação à economia nesse aspecto é a quantidade de conhecimento que pode ser ganho ao se buscar as implicações dos postulados econômicos. Carl Menger concluiu de maneira perspicaz que o valor de um bem para uma pessoa depende de sua utilidade marginal para ela. Menger concluiu isso ao investigar quais seriam as consequências de se supor que as pessoas agem com o propósito de melhorar sua situação. A obra magna de Mises, Ação Humana, é uma amostra magnífica dos resultados que podem ser atingidos ao se seguir esses caminhos.
A grande fertilidade dessa análise da economia se deve ao fato de que, como humanos que agem, temos uma compreensão direta da ação humana, algo que nos falta ao ponderar o comportamento de elétrons ou estrelas. O modo contemplativo de teorizar é ainda mais importante na economia porque a natureza criativa da escolha humana inerentemente não exibe regularidades empíricas quantitativas, características essas que caracterizam as ciências físicas modernas. (A Biologia nos apresenta um interessante caso intermediário, já que muitos de seus achados são qualitativos.)
É possível entender e concordar com essa veracidade sobre economia que Mises enfatizou, mas mesmo assim divergir dele sobre exatamente o que essa verdade significa na busca de uma ciência econômica. Por exemplo, o favorito de Mises, F.A. Hayek, conquanto concordasse com seu mentor sobre a natureza apriorística da "lógica da ação" e seu status de fundamento básico da economia, acabou por considerar que investigar as questões empíricas que a lógica da ação deixa em aberto era mais importante do que examinar de maneira mais profunda essa lógica em si.
Espero que as considerações acima façam com que o apriorismo de Mises fique mais inteligível para os empiricistas fervorosos. Mas suspeito que alguns deles ainda possam desconfiar dessa proposta de que tenhamos esse tipo "excêntrico" de conhecimento, um que não é nem empírico, nem analítico. Eles ainda podem estar inclinados a ignorá-lo, dizendo que sua alegação de ter um status axiomático o blinda de análises mais profundas. O apriorismo também se parece suspeitosamente com aquelas excluídas, porém epistemologicamente respeitáveis características pós-iluministas: alegações intuitivas, reveladas e místicas do conhecimento. No entanto, um exame mais profundo do conhecimento humano, feito sem favorecimentos aos atuais métodos de investigação, revela que cada modo de compreensão, incluindo o lógico, o matemático e o experimental, baseia-se derradeiramente em nosso julgamento intuitivo.
Por exemplo, a uma pessoa podem ser apresentados resultados numéricos de experimentos garantindo que uma teoria científica em particular é sólida, mas nenhum experimento jamais poderá demonstrar a essa pessoa que o próprio processo de se fazer um experimento é um meio razoável de se avaliar uma teoria científica. Apenas o seu apego intuitivo da plausibilidade desse experimento pode fazê-lo aceitar determinada proposição. (A menos, é claro, que ele simplesmente confie na autoridade dos outros.) A essa pessoa podem ser mostradas centenas de provas rigorosas de vários teoremas matemáticos e pode a ela ser ensinada os critérios pelos quais se consideram essas provas como sólidas, mas não pode haver nenhuma comprovação da validade do método em si. (Kurt Gödel[2] famosamente demonstrou que um sistema formal de dedução matemática, que é complexo o suficiente para modelar até mesmo um tópico básico como aritmética elementar, pode evitar ou a incompletude ou a inconsistência, mas sempre vai sofrer de pelo menos um desses defeitos.)
Uma pessoa pode ser instruída em sistemas mecânicos de lógica formal, mas não há procedimento mecânico para decidir qual desses possíveis sistemas vale a pena desenvolver. (É bem possível especificar sistemas formais de lógica que sejam perfeitamente consistentes e que gerem conclusões que são corretas pelas regras do sistema,mas que qualquer pessoa inteligente pode ver que é sem sentido. Por exemplo, podemos criar um sistema no qual, se x implica em y e z implica em y, então x implica em z. Dentro desse sistema, a aceitação de que "todos os homens são mortais" e "todas as lesmas são mortais" significaria que todos os homens são lesmas. Excetuando-se, talvez, algumas feministas mais amargas, podemos todos perceber que tal raciocínio é uma bobagem, mas só podemos julgar entre formalismos alternativos baseados em nosso senso intuitivo da verdade dedutiva.)
Michael Polanyi mostrou que o julgamento intuitivo é o árbitro final mesmo nas ciências naturais, como física e química.
epistprobs.jpgConquanto descobertas experimentais sejam, bem apropriadamente, um grande fator na escolha de qual das duas teorias rivais o cientista vai aceitar, o julgamento pessoal e intuitivo desse cientista é que vai sempre ter a palavra final na questão. Quando os resultados de um experimento estão em conflito com a teoria, o defeito pode estar tanto na teoria quanto no experimento. Ao final, cabe ao cientista escolher qual dos dois descartar - uma questão que não pode ser respondida pelos dúbios resultados empíricos.
Esta derradeira e inescapável dependência no julgamento próprio é ilustrada por Lewis Carroll em Alice Através do Espelho. Em uma passagem, Alice diz a Humpty Dumpty que 365 menos um é igual a 364. Humpty fica cético e pede para ver o problema feito em um papel. Alice obedientemente escreve:
365
-  1
___
364
Humpty Dumpty observa o trabalho por um momento e declara que ele parece certo. A moral séria dessa vinheta cômica é que ferramentas formais de pensamento são inúteis em convencer alguém de nossas conclusões se esse alguém não tiver entendido os princípios básicos nos quais nossas conclusões se assentam.
Todo o nosso conhecimento está fundamentalmente baseado em nosso reconhecimento intuitivo da verdade quando a vemos. Não há nada de mágico ou misterioso a respeito das fundações a priori da economia; ou pelo menos nada que seja mais mágico ou misterioso do que a nossa habilidade de compreender qualquer outro aspecto da realidade.

[1] Informação quantitativa de uma condição, propriedade ou relação física, geralmente expressa em forma de uma razão entre a quantidade medida e a quantidade padrão.
[2] Matemático austríaco. Clique aqui para mais informações.

Gene Callahan é um scholar adjunto do Ludwig von Mises Institute, formado na London School of Economics. É o autor deEconomics for Real People.