domingo, 21 de julho de 2013

Mulher teve cabeça esmagada; Corpo está sem identificação


Por Redação RADAR 64

Foto: Paulo Barbosa/Rota51
Corpo em decomposição e com graves ferimentos foi encontrado em área de pastagem no Alecrim 2
O corpo de uma mulher foi encontrado por volta das 15h deste domingo
(21) na zona norte de Eunápolis. A vítima - ainda sem identificação, foi
morta de modo brutal em uma área de pastagem no bairro Alecrim II.

O cadáver, já em decomposição, apresentava diversos ferimentos,
possivelmente provocados por golpes de madeira, principalmente na
 cabeça, que estava esmagada. A arcada dentária se desprendeu do
 crânio, mostrando a violência do crime. Além disso, no abdômen e tórax
da mulher foram vistas pelo menos 15 perfurações que podem ser de arma
 branca (faca ou peixeira).

Com idade presumível de 28 anos, a mulher estava seminua - um indício
 que pode ter havido violência sexual – o que vai ser determinado pelo
Departamento de Polícia Técnica. O corpo foi removido para o Instituto
 Médico Legal
.

Bitcoin: vale a pena comprar bitcoins? (Parte Final)



bitcoin.jpgChegamos finalmente à última parte da série Bitcoin. Neste artigo, tratarei do mercado Bitcoin atual, dos desafios ao avanço da moeda digital, bem como da pergunta do título. Com certeza, poderia ter oferecido a resposta a essa questão já na primeira parte da série, o que possibilitaria que alguns aproveitassem uma forte queda na cotação da moeda, especulando no curto prazo.
A verdade é que posterguei lidar com o preço do bitcoin propositalmente. Por um lado, porque era fundamental compreender a essência do projeto, sua natureza e seu funcionamento. Por outro, porque não queria instigar ninguém a lançar-se em aventuras especulativas com a moeda digital — definitivamente, esse não é o seu propósito.
Ademais, e ainda que possa intrigar a muitos, o seu preço é, neste momento, praticamente irrelevante. Portanto, já adianto que a resposta é sim, sem dúvida alguma vale a pena comprar bitcoins. Mas para entender o porquê, é preciso ler o artigo na íntegra e com muita atenção.
Uma falsa dicotomia, uma nova classe de ativos
Se lhe pareceu haver uma dicotomia entre bitcoins e outras moedas, é preciso um esclarecimento. Ainda que possa ter transmitido essa ideia ao explicar a natureza da moeda digital e compará-la às moedas fiduciárias e ao ouro, a intenção foi meramente de realçar o contraste entre as diferentes moedas disponíveis no mundo. Em realidade, é preciso enxergar o Bitcoin não como mutuamente excludente, mas sim como complementário às formas de dinheiro até hoje existentes.
É verdade que não podemos saber se o Bitcoin irá perdurar. Não sabemos se sobreviverá outro ano, ou uma década. Mas arrisco dizer que uma moeda digital (ou criptomoeda) veio para ficar. "O preço do Bitcoin pode até colapsar, e os usuários podem repentinamente migrar para outra moeda", escreveu a revista Britânica The Economist em artigo sobre o Bitcoin, "mas há grande probabilidade de que alguma forma de dinheiro digital deixará uma marca duradoura no ambiente financeiro".
Como analisamos em detalhe nos artigos anteriores, há inúmeras vantagens que fazem de uma moeda digital um excelente complemento no meio financeiro. No seu atual estágio, o Bitcoin já representa uma substancial redução nos custos de transação. Portanto, independentemente de ele vir a algum dia tornar-se dinheiro (meio de troca universalmente aceito), já atua como um meio de troca secundário. Dessa forma, poderíamos considerar o Bitcoin o precursor de uma nova classe de ativos: a das "moedas digitais". E como está a precificação do ativo Bitcoin?
Preço e volatilidade
Bitcoin está caro ou barato? Não sei. Ninguém sabe. O ponto fundamental não é se 1 BTC vale 100 ou 30 dólares, mas sim que o preço de uma unidade bitcoin está acima de zero, e isso, por si só, já é surpreendente. O simples fato de a moeda digital ter um preço e estar sendo utilizada por indivíduos em intercâmbios é sensacional.
Estamos ainda na infância do experimento Bitcoin. A cotação de um bitcoin em relação a outras moedas, ou o seu preço, é algo que está sendo descoberto pelo mercado, e não podemos prever a sua evolução. E ainda que, pelo lado da demanda, não saibamos como ela evoluirá, ao menos do lado da oferta não seremos surpreendidos por súbitos aumentos na quantidade de bitcoins em circulação.
É claro que a alta volatilidade testemunhada há algumas semanas complica a vida dos usuários de bitcoins — e talvez facilite a dos especuladores —, e é por esse fator que, quanto maior o número de aderentes, mais benéfico será para o avanço da moeda digital. Mas não interprete esse argumento como um convite à especulação. Quanto mais indivíduos aderirem e utilizarem a moeda, maior será sua liquidez. Quanto mais liquidez, menor tende ser a sua volatilidade e aceitação no mercado. No entanto, e aqui está o aviso, uma maior liquidez não necessariamente significa um preço maior.
bubble-shutterstock-djordje-radivojevic-ubj-copy-580.jpgAlguns afirmam tratar-se apenas de uma nova bolha que em breve vai estourar levando seus usuários à ruína. Será que estamos presenciando uma bolha de fato? Pode ser que sim. Pode ser que não. Não sabemos. Mas uma bolha especulativa em si não é um fator preponderante ao avanço e futuro do Bitcoin. A bolha da internet no início dos anos 2000 não decretou o fim da internet, e a mania das tulipas, séculos atrás, tampouco fez a lilácea desaparecer do mercado.
De certa forma, o preço de uma unidade BTC é irrelevante. A questão-chave é que a moeda digital tem verdadeiras vantagens comparativas, oferecendo excelentes serviços de pagamentos e reduzindo de forma significativa os custos de transação. Como diz Tony Gallipi, sócio do site de pagamentos BitPay, "Bitcoin é simplesmente a maneira mais fácil até hoje inventada de enviar dinheiro de A para B".
Mercados e desafios
Atualmente, a principal referência do preço de mercado da moeda digital é originada na casa de câmbio (exchange) Mt. Gox, responsável por cerca de 60% do volume total transacionado em bitcoins. Esse percentual já foi mais de 90%, mas em poucos meses novas empresas desbravaram o mercado, concorrendo fortemente nesse serviço.
As casas de câmbio, essenciais no progresso e desenvolvimento do Bitcoin, são o ponto de contato das moedas fiduciárias com o mundo Bitcoin. Por essa razão, são presas fáceis e óbvias aos ataques dos governos e reguladores — possivelmente, são o elo fraco do ecossistema Bitcoin.
Isso fica evidente quando analisamos a mais recente regulação do governo norte-americano, FinCEN, cujo efeito prático tem sido o de atravancar ou até mesmo impossibilitar empresas start-ups de operarem no mercado Bitcoin. A consequência não intencionada pelo governo dos EUA é a concorrência jurisdicional que essa medida tem gerado. As casas de câmbio estão baseadas nas mais diversas localidades – o Mt. Gox, por exemplo, tem seu domicílio fiscal no Japão –, e todo  tipo de legislação em que o intuito seja o de coibir de alguma forma o avanço de empresas nesse mercado conduzirá os empresários a buscar refúgio em outras jurisdições.
Outra complicação tem sua origem no próprio sistema bancário. No Canadá, por exemplo, duas casas de câmbio tiveram suas contas bancárias congeladas, repentinamente e sem esclarecimentos. Isso impossibilitou a continuidade normal de suas atividades. Vale ressaltar, contudo, que derrubar tecnologicamente alguma casa de câmbio, ou forçar legalmente o seu fechamento, em nada afeta a resiliência da rede Bitcoin. Mas com certeza impõe algumas complexidades adicionais à rápida adoção da moeda digital por parte de usuários e grandes comerciantes.
Uma vez que compreendemos o potencial revolucionário do Bitcoin, torna-se claro que não poderíamos esperar nada diferente de governos e bancos. Por esse motivo, talvez o futuro das casas de câmbio não esteja no modelo tradicional e mais evoluído — em que há um servidor central —, mas sim em casas de câmbio peer-to-peer. Da mesma forma como a rede Bitcoin é descentralizada, e por essa razão não pode sofrer ataques de governos, é preciso fazer com que a compra e venda de bitcoins com moedas fiduciárias ocorra de forma descentralizada, longe do alcance de legislações nocivas.
Embora as regulações desestimulem o investimento no setor, é notável o fato de finalmente termos nomes sérios da indústria de venture capital injetando dinheiro pesado no desenvolvimento de start-ups Bitcoin. A Union Square Ventures, cujo portfólio engloba empresas como Twitter, Zynga e Kickstarter, acaba de anunciar o maior investimento da história do projeto, investindo 5 milhões de dólares na Coinbase, empresa com sede em São Francisco, Califórnia.
Notável também é a menção à moeda digital feita por Bill Gross, CIO da Pimco, em sua última carta mensal. Ainda que em tom irônico, a mera referência ao Bitcoin pela maior gestora de títulos soberanos do mundo, com mais de US$2 trilhões de ativos sob gestão, é algo revelador. Bitcoin está atraindo cada vez mais observadores. Já não pode ser mais rejeitado como uma insignificante empreitada geek.
Se no mundo desenvolvido Bitcoin está na sua infância, no Brasil o projeto ainda engatinha. Mas há cada vez mais interessados em abrir casas de câmbio e cedo ou tarde gente séria estará investindo bastante capital nesse setor aqui no Brasil também. E em outros países emergentes a moeda tem ganhado cada vez mais espaço. Na Ásia, os chineses parecem ter finalmente despertado o interesse pela moeda digital. Imaginem o impacto que uma adoção maciça pelos chineses pode ter na evolução do Bitcoin.
Sem dúvida alguma, o experimento enfrentará enormes obstáculos ao longo do percurso. Haverá volatilidade, bolhas e quedas, exchanges serão fechadas, outras quebrarão, e novas formas de usar a moeda surgirão. O livre mercado certamente saberá contornar os percalços e progredir. A inata capacidade criativa do ser humano é o motor do progresso, e nela reside meu otimismo em relação ao futuro da moeda digital.
Mas agora é preciso explicar claramente por que julgo valer a pena comprar bitcoins.
Tirania monetária
Sim, a moeda digital criada por Satoshi Nakamoto proporciona enormes vantagens comparativas em relação às demais moedas fiduciárias. Mas Bitcoin não é apenas uma forma de realizar transações globais com baixo ou nenhum custo. Bitcoin é, em realidade, uma forma de impedir a tirania monetária. Essa é a sua verdadeira razão de ser.
O entorno do surgimento da moeda digital não foi nenhuma coincidência. Bitcoin emergiu como uma resposta natural ao colapso da atual ordem monetária, à constante redução de privacidade financeira e a uma arquitetura bancária cada vez mais prejudicial ao cidadão comum. Governos não podem inflacionar bitcoins. Governos não podem apropriar-se da rede Bitcoin. Governos tampouco podem corromper ou desvalorizar bitcoins. E também não podem proibir-nos de enviar bitcoins a um comerciante no Maranhão ou no Tibet.
Imaginem um mundo sem inflação, sem bancos centrais desvalorizando o seu dinheiro para financiar a esbórnia fiscal dos governantes.[1] Sem confisco de poupança. Sem manipulação da taxa de juros. Sem banqueiros centrais deificados e capazes de dobrar a base monetária a esmo e a qualquer instante para salvar banqueiros ineptos que se apropriaram dos seus depósitos em aventuras privadas. A verdade é que o Bitcoin, ou o que vier a substituí-lo no futuro, poderá remover os bancos dos banqueiros e o dinheiro dos governos. Por isso, não espere nenhuma boa vontade dessa dupla simbiótica em relação ao Bitcoin.
A internet nos permitiu a liberdade de comunicação. O Bitcoin tem o potencial de devolver nossa liberdade sobre nossas próprias finanças. Bitcoin é a internet aplicada ao dinheiro.
Portanto, criem suas carteiras, comprem alguns bitcoins e familiarizem-se com a nova tecnologia. Quanto mais indivíduos empregarem a moeda, quanto maior a sua aceitação no mercado, maiores serão suas chances de sucesso.  Mas deem atenção ao aviso de Gavin Andresen, desenvolvedor líder do projeto:
"Somente invista o tempo e o dinheiro que você pode perder, pois o Bitcoin ainda é um experimento. Quanto mais ele perdure apesar de toda volatilidade e problemas técnicos, mais saberemos. Mas a confiança requer tempo."
Aos economistas, deixo um recado: estudem a moeda digital a fundo. Não a desmereçam pela simples aparência virtual. De fato, o Bitcoin tem forçado os estudiosos da teoria monetária e bancária a revisitar conceitos que pareciam estar completamente compreendidos e superados. Temos uma oportunidade ímpar de refinarmos a teoria acerca dos fenômenos monetários.
Àqueles que prezam a liberdade, reitero que, pela primeira vez na história da humanidade, a possibilidade de não dependermos de nenhum órgão central controlando nosso dinheiro é real e está se desenrolando nesse exato instante diante de nossos olhos. À liberdade individual e ao desenvolvimento da civilização, as consequências desse arranjo são extraordinárias e sem precedentes. Dinheiro honesto é uma questão sobretudo moral e basilar para qualquer sociedade que almeja a paz e a prosperidade. E é precisamente essa a essência do experimento Bitcoin.
Em 2008, Satoshi Nakamoto supostamente teria dito que o Bitcoin "é muito atrativo do ponto de vista libertário, se conseguirmos explicá-lo adequadamente. Mas infelizmente sou melhor com código de programação do que com palavras".
Espero que esta série tenha ajudado a explicar um pouco melhor em palavras o significado revolucionário dos códigos do Bitcoin.

Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


[1] Em países onde a desordem financeira e os crimes contra a moeda são patológicos, os cidadãos já estão empregando bitcoins como reserva de valor. Na Argentina já é preferível estar sujeito à volatilidade da moeda digital do que à volatilidade do humor da Sra. Kirchner.

Fernando Ulrich formado em administração de empresas pela PUC-RS, concluiu em julho de 2010 o programa de mestrado em economia austríaca comandado por Jesús Huerta de Soto em Madri, Espanha.  Atualmente trabalha no mercado financeiro.  É colunista do site O Ponto Base.  Mande-lhe um e-mail.


Bitcoin: objeções e mais objeções

 

meBNB.jpgSei que muitos já estão se perguntando se devem ou não comprar bitcoins, ou se o preço está alto ou se há mais espaço para quedas abruptas. Sem dúvida alguma, são questões pertinentes. Mas não podemos responder essas perguntas sem antes entendermos os motivos pelos quais muitos nem sequer consideram a moeda digital como uma opção, rejeitando-a solenemente.
Como não poderia ser diferente, algo novo e sem precedentes gera inúmeras dúvidas, resistências e todo tipo de objeção. Alguns questionamentos merecem uma resposta mais elaborada, outros podem ser rapidamente descartados. Estes, relegaremos às notas de rodapé.[1]Trataremos aqui das objeções complexas e frequentemente levantadas pelos críticos do Bitcoin, buscando demonstrar que estas carecem de fundamento por não compreenderem a essência da moeda digital.
Deflação
Para diversos economistas, uma grande desvantagem da moeda digital é a deflação que o Bitcoin geraria. Em primeiro lugar, é preciso definir os termos. Na acepção correta da palavra, deflação significa uma contração da base monetária. Ora, isso é tecnicamente impossível. A quantidade máxima de bitcoins que podem ser minerados é de 21 milhões. Mineradas todas as unidades monetárias, não há possibilidade de a base monetária diminuir ou contrair. O que pode acontecer é usuários perderem suas senhas e jamais poderem usar suas carteiras novamente, o que os impossibilita de acessar suas contas e transacionar.
Mesmo nesse caso, os bitcoins não seriam destruídos, apenas não mais seriam utilizados. A consequência, por ficarem "fora" de circulação, seria um aumento no poder de compra do restante de bitcoins existentes. Entretanto, costuma-se associar o termo deflação a uma queda dos preços. Infelizmente, redução de preços supõe um problema para a maioria dos economistas. À população, isso significa que seu poder de compra aumentou. Uma moeda que se aprecia ao longo do tempo com certeza não representa nenhuma ameaça à saúde de uma economia (quem quiser saber mais sobre o assunto leia este artigo).
Hyperdeflation.png
Hiperdeflação! Fonte: The Economist

Eletricidade e internet não são o problema, são a alternativa
E quanto à dependência da eletricidade e da internet? Não seria uma enorme desvantagem ao projeto Bitcoin? Como tratamos no artigo anterior, essa não é uma característica unicamente restrita ao Bitcoin, já vivemos nessa dependência. É impensável que nossa economia globalizada e interconectada — bem como o sistemabancário – possa seguir inabalada na falta de energia elétrica e internet. Nesse sentido, e já endereçando outra crítica usual, acho pouco provável que governos tentassem "derrubar" a internet com o objetivo de obstruir a rede Bitcoin. Aliás, considerando que governo nenhum até hoje logrou conter nenhuma rede BitTorrent, não me parece plausível esperar que conseguiriam causar danos irreparáveis ao maior projeto de computação distribuída do mundo (sim, Bitcoin já ultrapassou o projeto SETI, Search for Extra Terrestrial Intelligence).
Outros céticos argumentam que a rede poderia ser hackeada, corrompendo o algoritmo, alterando saldos em carteira e roubando ou falsificando bitcoins. Essa preocupação deriva, frequentemente, daquela indiferença que impede as pessoas de estudar a fundo um assunto novo e desconhecido — como eu, algumas semanas atrás. Antes de qualquer coisa, é preciso enfatizar dois inerentes atributos da rede Bitcoin: a total abertura e transparência do sistema. Ainda que o Bitcoin tenha sido criado por um indivíduo (ou grupo de indivíduos) com certos parâmetros e regras de funcionamento, o código fonte é completamente aberto a qualquer um que queira verificá-lo, monitorá-lo e aprimorá-lo (com o consenso de toda a comunidade).  Qualquer pessoa pode acompanhar em tempo real as transações recentes, a quantidade total de bitcoins minerados, etc.
Bitcoins-em-circulação.png
Fonte: blockchain.info
Estaríamos sugerindo que a rede Bitcoin é à prova de falhas? É lógico que não. O Bitcoin não é perfeito e é pouco provável que não sofra alguns solavancos ao longo do seu desenvolvimento e à medida que o seu uso seja ampliado. Ainda assim, é preciso destacar que não há registro algum de ataques à cadeia de blocos do sistema (blockchain). Sim, é verdade que alguns sites de casas de câmbio, por exemplo, foram hackeados e tiveram problemas de operação, mas isso não quer dizer que a "moeda bitcoin" esteve sob ataque.[2]
Mas para efeitos deste artigo, prefiro direcionar o debate a uma questão conceitual a provar a superioridade tecnológica e maior segurança do sistema de forma objetiva — isso requereria especialistas em segurança computacional e/ou criptógrafos. O problema crucial é qual é a alternativa. Dependermos de um dinheiro cuja emissão se dá de forma monopolística pelo estado, cujo órgão central decide unilateralmente qual deve ser seu valor em reuniões restritas a um punhado de burocratas? Em que um emaranhado de instituições financeiras e provedores de serviços é regulado e monitorado por esse mesmo órgão central, por meio de decisões frequentemente arbitrárias e contra os interesses da população?
Os austríacos certamente contestariam. O que precisamos é, na verdade, de um dinheiro privado, de liberdade total na escolha da moeda, diriam eles. Concordo plenamente. Mas como atingir esse objetivo? Como convencer o estado a abrir mão de um sistema monetário e bancário cujo maior beneficiado é o próprio estado? Vou mais longe: admitindo que o objetivo seja logrado, como garantir que o estado não subverterá novamente o sistema — como o fez ao longo de toda a história? Esticando ainda mais o raciocínio, assumamos um mundo ideal dos libertários, em que não há estado; como garantir que bancos ou instituições meramente depositárias não incorrerão nas chamadas reservas fracionárias (RF) — sendo que nem mesmo entre os austríacos há consenso se as RF devam ser coibidas e se representam um perigo à economia? Como garantir um coeficiente de 100% de reservas na ausência do aparato estatal? Qual agência ou entidade o asseguraria? Nem mesmo Murray N. Rothbard respondeu essa última questão (retomarei a esse assunto na última parte da série Bitcoin).
O ponto central, implícito e comum a todas essas alternativas listadas, é que em todas elas dependemos de um terceiro, de um middleman. É justamente aí que reside uma das forças do Bitcoin, pois ele prescinde do intermediário em uma transação (além da própria rede Bitcoin, é claro). Ademais, o que é preferível? Um sistema monetário e bancário controlado e monitorado por poucas pessoas e entidades, ou um totalmente aberto, controlado e monitorado por qualquer interessado em qualquer parte do globo?
Bitcoins, Litecoins, Ripple, etc.
Tratemos agora de algumas das objeções mais complexas, especialmente aquelas lançadas por economistas e investidores com formidável domínio de teoria monetária. Doug Casey, por exemplo, alega que uma das ameaças ao Bitcoin é que não há barreiras de entradas; dessa forma, qualquer um poderia lançar sua própria moeda digital no mercado. Acabaríamos tendo, assim, diversas moedas digitais, o que inviabilizaria que uma preponderasse e viesse a tornar-se um meio de troca universalmente aceito.
Em tese, esse não é um problema exclusivo do Bitcoin. Em qualquer ambiente em que prevaleça a liberdade de escolha de moeda, qualquer um pode competir. No entanto, nessa competição, aquele meio de troca que tenha mais êxito em reduzir os custos de transação tende a sobressair-se como o mais utilizado pelos participantes. Com relação ao Bitcoin, por ter sido a primeira moeda digital, ele goza do privilégio do chamado "efeito de rede" (network effect). Dentro do universo de moedas digitais, Bitcoin já é a mais utilizada e com mais aderentes, portanto, ainda que uma nova moeda possa superá-la em qualidade tecnológica, a barreira de convencer usuários de Bitcoin a trocar para um concorrente é bastante grande.
Converter bitcoins em dólar, eis a questão
Já Shostak alega que "Bitcoin só funciona enquanto os indivíduos souberem que podem convertê-lo em moeda fiduciária". A priori, não podemos determinar se isso é verdade. Essa conclusão de Shostak deriva da falaciosa ideia de que o Bitcoin é nada menos que uma "nova forma de empregar a moeda fiduciária existente". Mas se entendemos que a moeda digital é dinheiro coisa, dinheiro de fato, perceberemos que os usuários, em realidade, podem utilizar bitcoins não com o intuito de usá-los como uma mera ferramenta de meio de pagamento, mas sim para fugir (ou liberar-se) do sistema de moeda fiduciária.
Uma vez "dentro" da rede Bitcoin, o objetivo é não ter que "voltar" às moedas locais. Sim, no momento ainda não estamos nesse estágio de evolução da rede (por causa da baixa liquidez e aceitação), mas à medida que se amplia a aceitação, não será sequer necessário fazer uso das moedas fiduciárias. Uma vez que ambos os produtores e consumidores aceitarão receber e pagar em bitcoins, por que convertê-los em uma moeda fiduciária que perde poder de compra constantemente?[3]
"Mas Bitcoin não tem valor intrínseco!"
A mais frequente objeção, no entanto, é outra. E, segundo aqueles que recorrem a ela, é a questão básica e fundamental: Bitcoin não tem valor intrínseco, ele não é uma "coisa". É uma unidade de uma moeda virtual não material. Não tem nenhuma condição ou formato físico e, portanto, é descabida a noção de que possa algum dia substituir a moeda fiduciária. Esse é o núcleo do argumento de tais céticos.
O que lhes parece escapar, contudo, é que não existe valor intrínseco, existem propriedades intrínsecas (químicas e físicas). Valor é subjetivo e está na mente de cada indivíduo. "Bitcoin é o ouro digital", defende Jon Matonis, conselheiro da Fundação Bitcoin, "mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas". Isso quer dizer que as propriedades do Bitcoin resultam do design do sistema, permitindo que sejam valoradas subjetivamente pelos usuários. Essa valoração é demonstrada quando indivíduos transacionam livremente com bitcoins.
Admitindo a fragilidade de seu argumento, os céticos partem para outra crítica, a de que o Bitcoin, além do seu valor de troca (ou seu valor monetário), não apresenta nenhum valor de uso amplamente reconhecido. Por esse motivo, raciocinam eles, a moeda digital não poderia jamais adquirir o status de meio de troca universalmente aceito no comércio. Isso me faz perguntar: como o ouro conseguiu emergir como dinheiro, sendo que seu principal valor de uso séculos atrás era basicamente adorno e enfeite? Sim, é claro que hoje em dia o ouro tem aplicação nos mais diversos campos (indústria, medicina, computação, etc.), mas essa demanda surgiu com relevância somente nos últimos 20 ou 30 anos. E mesmo considerando seu uso industrial, estima-se que mais de 90% da demanda por ouro deriva de seu uso monetário.
Em suma, não proporcionar uma maior variedade de aplicações e uso; ou, dito de outra forma, não ter um valor de uso amplamente reconhecido não impede que o Bitcoin venha a ser um meio de troca universalmente aceito. Ao menos a priori, tal assertiva não pode ser considerada conclusiva.
Nesse momento, você provavelmente já deve ter se perguntado: afinal de contas, vale a pena comprar bitcoins ou não? Já estamos em uma bolha? Tendo estudado a natureza do Bitcoin, suas vantagens em relação a outras moedas e buscado refutar algumas das frequentes objeções, podemos, por fim, responder a essas questões. No próximo artigo prometo acalmar todas as suas inquietações.

Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


[1] A objeção mais comum, e um tanto débil, é que, ao permitir o anonimato nas transações, o Bitcoin seria bastante convidativo a traficantes, bicheiros, cafetões e demais cidadãos de reputação não ilibada. Ao governo, esse pode ser um tremendo problema, mas não sugere uma eventual fragilidade da moeda digital.
Outra crítica comum, a qual normalmente advém ou de leigos ou de economistas deficientes em teoria monetária, é que o Bitcoin não tem lastro algum, nem mesmo do governo. A verdade é que lastro estatal não garante muita coisa; basta verificarmos a depreciação de todas as moedas fiduciárias ao longo dos anos. Nem precisamos considerar as crises financeiras. Sob outra perspectiva, a falta de lastro governamental é um problema que depende da sua inclinação econômico-filosófica. Aos marxistas, keynesianos e chicaguenses, isso de fato é uma debilidade; aos austríacos, uma grande virtude. Esse raciocínio é igualmente válido para o ouro. Somente os austríacos enxergam o valor da oferta inelástica do metal e o enaltecem por não ser passivo de ninguém.
Alguns céticos também ficam apreensivos por não saber quase nada sobre o criador (ou criadores) do Bitcoin, o invisível Satoshi Nakamoto, nem mesmo a sua identidade verdadeira. Não posso negar a imensa curiosidade que tenho. Mas para o futuro do projeto Bitcoin, isso é totalmente irrelevante. Independentemente do que Nakamoto pensava, ou pensa, o importante é que o código-fonte do sistema é aberto a todos e, dessa forma, todos conhecem as regras do jogo, o seu algoritmo e seu funcionamento. Nada mais depende de Nakamoto
[2] Seria como afirmar que o real foi atacado porque alguns bandidos roubaram o cofre da Agência da Av. Paulista do Banco do Brasil.
[3] Curiosamente, a própria experiência do site de pagamentos em bitcoins Bitpay ilustra muito bem essa afirmação. No começo, mais de 90% dos comerciantes, para os quais oBitpay intermediava transações, solicitava receber em dólares americanos. Atualmente, pelo menos a metade dos comerciantes tem preferido manter saldos em bitcoins, sem jamais convertê-los em dólares.

Fernando Ulrich formado em administração de empresas pela PUC-RS, concluiu em julho de 2010 o programa de mestrado em economia austríaca comandado por Jesús Huerta de Soto em Madri, Espanha.  Atualmente trabalha no mercado financeiro.  É colunista do site O Ponto Base.  Mande-lhe um e-mail.

Bitcoin: o nascimento do dinheiro



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Frequentemente sou perguntado a respeito do Bitcoin. Há futuro para uma moeda digital? A rede é confiável? Os governos não tentarão proibi-la? Seu preço subirá? A moeda já pode ser considerada uma bolha? Enfim, as perguntas são infindáveis. E, dadas as recentes aparições na mídia e a alta volatilidade no preço da moeda digital, simplesmente não posso mais ignorar essa inovação. O experimento Bitcoin merece um tratamento minucioso e cuidadoso.
Este artigo talvez seja um pouco mais longo do que os artigos anteriores, mas pela riqueza do tema e da quantidade de tópicos a tratar, arrisco afirmar que valerá a pena lê-lo na íntegra. Além disso, ele será publicado em partes, evitando que a leitura fique muito pesada. Mas antes de prosseguirmos, deixo aqui apenas uma conclusão, da qual espero que você se sinta convencido ao final da leitura: o projeto Bitcoin é revolucionário, sem precedentes e tem o potencial de mudar o mundo de uma forma jamais vista.
O que é Bitcoin
Na última vez em que fui perguntado sobre o tema — cerca de um mês atrás —, respondi exatamente da mesma forma que nas outras vezes: "Conheço muito pouco de Bitcoin, mas, pelo pouco que conheço, afirmo que não me parece um sistema monetário seguro. Acho que cedo ou tarde algum hacker pode infiltrar-se nele e perturbá-lo, alterar os saldos das carteiras, criar bitcoins para si mesmo, etc.". Dito isso, ofereço agora um conselho: quando não se sabe o suficiente sobre um assunto, é melhor permanecer em eterno silêncio ou simplesmente responder "não sei" do que oferecer opiniões que beiram a assunção da mais clara ignorância. Não posso voltar no tempo e reprimir o Fernando de um mês atrás. Posso, no entanto, buscar minha redenção oferecendo uma análise mais fundamentada, sob a perspectiva de um estudioso (e entusiasta) de teoria monetária e bancária.
Mas, afinal, o que é o Bitcoin[1]? O que é uma moeda digital? Detlev Schlichter explica que:
O Bitcoin é um dinheiro intangível criado na internet.  É um software.  O Bitcoin pode ser imaginado como sendo uma commodity criptográfica.  Trata-se de uma moeda criada digitalmente, completamente descentralizada, que existe somente no ciberespaço.  Ela é produzida e gerida pelos computadores conectados à rede mundial, os quais formam a rede Bitcoin.  Trata-se de um sistema de pagamento peer-to-peer que permite que as transações sejam assinadas digitalmente.  O Bitcoin não possui um emissor centralizado e não há nenhuma autoridade central controlando o processo.
De acordo com seus criadores, a base monetária se expande de maneira limitada e controlada, sendo programada no software do Bitcoin.  Porém, tal expansão é totalmente previsível e conhecida antecipadamente pelo público usuário, o que significa que tal inflação não pode ser manipulada para alterar a distribuição de renda entre os usuários.  A todo e qualquer momento, qualquer usuário pode saber não apenas quantos bitcoins ele possui, como também quantos bitcoins existem no total.  Ainda de acordo com os criadores, somente 21 milhões de unidades de dinheiro podem ser criadas [até o ano de 2140], o que significa que, após certo ponto, a quantidade de dinheiro torna-se fixa.
Honestamente, quando iniciei minha pesquisa e estudo da moeda digital não esperava nada muito surpreendente. Mas no decorrer das leituras, o entendimento, as descobertas, as implicações e o potencial do projeto fizeram-me adotar uma postura, no mínimo, mais humilde. De soberba indiferença, passei pelos estágios de incredulidade à incompreensão. Do conhecimento veio a estupefação e o fascínio. Não tardou muito para o fascínio tornar-se admiração, com uma boa dose de entusiasmo e otimismo. E digo isso analisando o fenômeno por distintos prismas: i) como economista e estudioso de teoria monetária e bancária; ii) como investidor e empresário; e iii) como amante das liberdades individuais.
O nascimento do dinheiro…
Quem já se aprofundou um pouco em teoria monetária conhece o famoso teorema da regressão de Ludwig Von Mises. Segundo esse teorema, é impossível qualquer tipo de dinheiro surgir já sendo um imediato meio de troca; um bem só pode alcançar o status de meio de troca se, antes de ser utilizado como dinheiro, ele já tiver obtido algum valor como mercadoria. Qualquer que seja a moeda, ela precisa antes ter tido algum uso como mercadoria, para só então passar a funcionar como dinheiro.
Essa é a teoria. Esse é o teorema. No caso do ouro e da prata, sabemos que foram escolhidos pela humanidade como o dinheiro por excelência ao longo de centenas de anos por meio de milhões de intercâmbios no mercado. Mas seria impossível datar precisamente quando o ouro surgiu como mercadoria, quando passou a ser utilizado como meio de troca e quando preponderou como a mercadoria mais "vendável" (marketable), tornando-se por fim, o meio de troca universalmente aceito, ou, simplesmente, dinheiro.
No caso de Bitcoin, temos a data exata: a moeda digital nasceu no dia 3 de janeiro de 2009. Alguns meses depois, passou a ser consumida, ou adquirida, não para ser usada como meio de troca — afinal de contas, pouquíssimos indivíduos sequer conheciam o Bitcoin —, mas sim para satisfazer alguma necessidade individual. E é totalmente irrelevante identificarmos com precisão qual necessidade ou objetivo levou os primeiros compradores de Bitcoin a trocar alguns dólares por uma unidade bitcoin (1 BTC). "No caso de objetos intangíveis, como o Bitcoin", afirma Konrad S. Graf em um espetacular artigo sobre a natureza do Bitcoin, "a demanda para o consumo direto é determinada por valores primariamente psicológicos ou sociológicos". Como o geek que quer ostentar as maravilhas de uma criptografia, ou o sujeito que compra bitcoins como forma de protesto ao status quo
O que importa não é o porquê, mas sim o fato de que houve demanda real e bitcoins foram adquiridos e preços foram formados na busca por essa "mercadoria" (dígitos eletrônicos no ciberespaço). Nesse sentido, o nascimento do Bitcoin em nada contraria o teorema da regressão de Mises.
Mas e quando o Bitcoin virou meio de troca? A primeira transação de que se tem notícia se deu em Maio 2010 quando 'laszlo'  trocou uma pizza por 10.000 BTC — em retrospecto pode ter sido a pizza mais cara do mundo (10 mil BTC = 1,2 milhão de dólares, cotação de 19/04/13). Poderíamos dizer que bitcoins ainda não eram um meio de troca geralmente aceito, portanto, isso foi, em realidade, um escambo. Pode ser que sim. Mas é uma mera tecnicalidade desimportante. O fato é que, desde então, bitcoins passaram a funcionar como meio de troca, de acordo com o seu objetivo basilar.
A verdade é que estamos testemunhando em "tempo real" o nascimento de um dinheiro. Como um economista, isso me parece fantástico. Estudar a teoria é fundamental. Mas vivenciá-la na prática é impagável. Ser um especialista na Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos é de suma importância. Mas presenciar uma bolha imobiliária sendo formada, assistir ao seu estouro e a todas as consequências reais e palpáveis é uma lição que não se esquece jamais.
Mas voltando à moeda digital, poderíamos já considerar o Bitcoin como dinheiro? Em sua tese de mestrado, Peter Surda afirma que não, Bitcoin ainda não é dinheiro. Tornar-se-á algum dia. Mas ainda não o é. Seguindo a definição da Escola Austríaca de Economia, "Bitcoin não é um meio de troca universalmente aceito", afirma Surda. Mas se não é dinheiro, então o que é? Seria um "meio de troca secundário" (Mises) ou um quase-dinheiro (Rothbard).
Por outro lado, Graf levanta um ponto interessante: "Se dinheiro é definido como meio de troca universalmente aceito, então temos que qualificar o universalmente". Porque, se dissermos que dinheiro é o meio de troca "mais" universalmente aceito, "então certamente não chamaríamos Bitcoin de dinheiro", conclui Graf, adicionando que "tampouco chamaríamos Pesos Mexicanos de dinheiro dentro dos Estados Unidos". Entramos em uma área cinzenta, sem dúvida, mas há mérito no seu ponto. Graf concede que a única razão — ainda que passível de debate — para não chamar Bitcoin de dinheiro ainda, reside no fato de que, "aparentemente, muitos usuários ainda enxergam os bitcoins através da lente da taxa de câmbio em relação às suas moedas locais".
Em contrapartida, Frank Shostak afirma que Bitcoin "não é uma nova forma de dinheiro que substitui formas antigas, mas na verdade uma nova forma de empregar dinheiro existente em transações. Uma vez que Bitcoin não é dinheiro de verdade, mas meramente uma nova forma diferente de empregar a moeda fiduciária existente, ele não pode substituí-la".
Contrariando Shostak, Bitcoin é um novo meio de troca, sim, ainda que não universalmente aceito. Ele é o que Mises classifica como dinheiro commodity. Mas não no sentido material como normalmente se entende, e sim no sentido de "dinheiro coisa" ou "dinheiro de fato" — exatamente nos termos de sua obra prima original em alemão, Theorie des Geldes und Umlaufsmittel (The Theory of Money and Credit). Dinheiro commodity em alemão é "Sachgeld" (sach=coisa, geld=dinheiro). Logo, como brilhantemente elucida Graf, "uma unidade bitcoin é o próprio meio de troca, é o dinheiro".
Já Nikolay Gertchev oferece uma crítica sob uma ótica distinta, alegando que "não podemos ter um dinheiro que dependa de outra tecnologia (internet)… Bitcoins jamais atingiriam o nível de universalidade e flexibilidade que o dinheiro material permite por natureza. Portanto, no livre mercado, dinheiro commodity, e presumivelmente ouro e prata, ainda tem uma vantagem comparativa". Será que Gertchev tem razão?
No próximo artigo trataremos dessa questão, buscando descobrir se o Bitcoin tem potencial para ser um meio de troca inclusive melhor que o ouro ou o papel-moeda fiduciário.

Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


[1] Não faz parte do escopo desse artigo fazer uma descrição profunda e detalhada da tecnologia e da linguagem de programação do projeto Bitcoin. Ademais, encorajo aqueles que estão lendo sobre Bitcoin pela primeira vez que parem, assistam a alguns vídeos ou leiam artigos sobre o tema e retornem após deter um mínimo de conhecimento sobre Bitcoin. Indicações de leitura logo abaixo. Estou longe de ser especialista em linguagem de programação e na tecnologia que viabiliza esse projeto.
Material introdutório ao Bitcoin:
Artigos no Instituto Mises Brasil
Vídeo do Dâniel Fraga que explica como adquirir bitcoins

Maiores informações técnicas sobre Bitcoin:
Fernando Ulrich formado em administração de empresas pela PUC-RS, concluiu em julho de 2010 o programa de mestrado em economia austríaca comandado por Jesús Huerta de Soto em Madri, Espanha.  Atualmente trabalha no mercado financeiro.  É colunista do site O Ponto Base.  Mande-lhe um e-mail.

Desmatamento na Amazônia cresce 437% com novo Código Florestal


Em relação aos estados mais atingidos pelo desmatamento em junho deste ano, em primeiro lugar aparece o Pará, com 42%; seguido por Amazonas (32%), Mato Grosso (18%) e Rondônia (5%)
Em relação aos estados mais atingidos pelo desmatamento em junho deste ano, em primeiro lugar aparece o Pará, com 42%; seguido por Amazonas (32%), Mato Grosso (18%) e Rondônia (5%)
O desmatamento na Amazônia Legal em junho deste ano atingiu 184 quilômetros quadrados, o que representa um aumento de 437% em relação ao mesmo período do ano passado. A informação foi divulgada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) no seu Boletim do Desmatamento deste mês.
De acordo com o levantamento, de agosto de 2012 a junho de 2013 o acumulado de área desmatada chegou a 1.885 quilômetros quadrados. O número representa um aumento de 103% em relação ao mesmo período do ano anterior (agosto de 2011 a junho de 2012), quando o desmatamento somou 907 quilômetros quadrados.
Em relação aos estados mais atingidos pelo desmatamento em junho deste ano, em primeiro lugar aparece o Pará, com 42%; seguido por Amazonas (32%), Mato Grosso (18%) e Rondônia (5%).
O boletim também indica que as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 169 quilômetros quadrados em junho de 2013. Em comparação com o mesmo período do ano passado houve um aumento de mais de 1.000%, já que em junho de 2012 a degradação florestal somou 15 quilômetros quadrados.
O avanço se deu no período de vigência do novo Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2012 e publicado no Diário Oficial da União em outubro do mesmo ano. Entre os pontos mais questionados da legislação está a anistia a proprietários rurais que desmataram antes de 2008.

Setores seguram reajuste mesmo com dólar alto


Objetivo é não perder clientes, apontam representantes de setores
Dólar em alta não muda preços por enquanto / Agência BrasilDólar em alta não muda preços por enquantoAgência Brasil
A recente valorização do dólar em relação ao real tem deixado em estado de atenção setores da economia que dependem da moeda norte-americana a valores mais moderados para fazer bons negócios. Importadores de perfumes, cosméticos, vinhos e alimentos de alto valor agregado e, ainda, o mercado de turismo, acompanham diariamente as oscilações da moeda, que fechou a R$ 2,24 na sexta-feira (19). Segundo representantes desses segmentos, até agora, a política adotada na ponta tem sido segurar preços o máximo possível para não perder clientes. Mas, se não houver reversão do cenário, há possibilidade de reajuste nos valores pagos pelos produtos e serviços.

De acordo com presidente da Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba),  Adilson Carvalhal Júnior, desde o início do processo de dólar em alta as importadoras estão manejando os preços em ritmos variados e grande parte delas está segurando os valores. “Mas a gente acha que este mês vai ser atualizado tudo. A partir de agosto, o consumidor vai estar percebendo mais isso no ponto de vendas”, aposta o presidente. A estimativa dele é que o setor aplique reajustes de 5% a 8%. “Varia para cada produto, cada empresa importadora”, diz.

Carvalhal destaca que, antes da valorização do câmbio, 2013 já dava mostras de que não seria um ano bom para o setor de bebidas e alimentos finos. “O mercado está um pouco retraído em termos de aquecimento econômico. O primeiro trimestre foi bom, mas a Páscoa nem tanto. Maio, começo do inverno, costuma ser um bom mês, mas este ano não foi. O bolso do consumidor está mais curto. Por isso, muita gente não subiu os preços, por temor da queda de vendas. Fecharemos o ano com crescimento pequeno, de 5%. Descontando o dólar e a inflação, será um decréscimo”, destaca.

Em outro setor com forte presença de importados, o de perfumaria e cosméticos, ainda não se fala em reajuste de preços porque há esperança de um recuo da valorização da moeda norte-americana. “A gente não pretende mexer agora nos preços. Ninguém pode prever [o que acontecerá com o câmbio], pois a gente não tem como controlar a volatilidade. Tem que aguardar neste momento”, avalia Renato Rabatt, diretor financeiro da Associação dos Distribuidores e Importadores de Perfumes, Cosméticos e Similares (Adipec) e diretor-geral da importadora LVMH Perfumes e Cosméticos. Segundo Rabbat, mesmo que o câmbio force um reajuste, por enquanto são mantidas expectativas otimistas para 2013. “O dólar em alta traz até algum benefício, porque o brasileiro viaja menos e consome mais nossos produtos importados vendidos no mercado doméstico”, comenta. De acordo com ele, está previsto um crescimento de 15% nas vendas com relação a 2012.

No caso dos empresários do ramo do turismo, os custos para trabalhar aumentaram e ainda não foram repassados aos consumidores. “As operadoras, agências de viagem e companhias aéreas têm ajustado os custos internamente e quase não estão repassando para o viajante. Estão ganhando menos dinheiro. Muitas congelaram o dólar a R$ 1,99”, ressalta o vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi Júnior. Segundo ele, isso não deve causar retração do setor e sim um crescimento mais modesto. “A expectativa era crescer 10% este ano e agora esperamos aumento de 5% com relação a 2012”.

Dilma falta a encontro do PT; Dirceu critica


Para ele, a ausência de Dilma é "inaceitável" e representa uma atitude de desrespeito ao PT
Dirceu durante encontro do PT / Andre Borges/FolhapressDirceu durante encontro do PTAndre Borges/Folhapress
A reunião nacional de líderes do PT (Partido dos Trabalhadores), que ocorreu na tarde deste sábado em Brasília, no Distrito Federal, não contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. A decisão provocou críticas do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Para ele, a ausência de Dilma é "inaceitável" e representa uma atitude de desrespeito ao PT. Com a justificativa de que teria um encontro ministerial para debater o esquema de segurança da visita do papa durante a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), o encontro da legenda ficou de fora dos planos da presidente.



A polêmica, porém, também acendeu outras justificativas para a "falta" de Dilma. Nos bastidores, circula a informação de que a presidente teria desistido de ir à reunião, pois é contra a nomeação de Candido Vaccarezza (PT-SP) para a comissão que discute a reforma política no Congresso.

Dilma teria preferência o deputado Henrique Fontana (PT-RS).