domingo, 27 de outubro de 2013

Viver de renda hoje exige ser três vezes mais rico do que em 2003

Viver de renda hoje exige ser três vezes mais rico do que em 2003 

Sílvio Guedes Crespo
Viver de renda é um sonho cada vez mais distante dos brasileiros. Para ficar sem trabalhar o resto da vida, somente deixando o dinheiro render acima da inflação em uma aplicação segura, é necessário ser 3,5 vezes mais rico do que era preciso dez anos atrás.
Quem quer uma renda vitalícia de R$ 3.000 por mês precisa ter uma aplicação de aproximadamente R$ 1,8 milhão em CDBs (Certificados de Depósito Bancário).
Se o desejo for gastar R$ 5.000 mensais sem afetar o patrimônio, é necessário ter R$ 2,9 milhões investidos. Para quem busca viver com R$ 10 mil por mês, o dinheiro aplicado precisa totalizar R$ 5,8 milhões.
Dito de outra forma, para cada milhão que uma pessoa tem no banco hoje, é possível retirar R$ 1.713 mensais sem alterar o montante aplicado. Em 2003, era possível gastar R$ 5.940 por mês com o mesmo milhão aplicado – ou seja, 3,5 vezes mais.

RENDA DESEJADA E SALDO NECESSÁRIO (EM R$)*

Para ter uma renda de……é preciso ter um saldo em CDB de:Há dez anos, para ter uma renda equivalente a…**…era preciso ter um saldo equivalente a:**
3.0001,8 milhão3.000505 mil
5.0002,9 milhão5.000841 mil
10.0005,8 milhão10.0001,7 milhão
  • Fonte: BCB, IBGE. Elaboração: Achados Econômicos/Instituto Assaf
  • * Ver metodologia ao final deste texto
  • ** Valores atualizados pelo IPCA

Os números fazem parte de um estudo elaborado pelo blog Achados Econômicosem parceria com o Instituto Assaf e dão uma ideia do que significou, para os rentistas, a redução da taxa básica de juros, a Selic, que esteve em 26,5% ao ano em 2003 a hoje está em 9,5%.
Quando dizemos que é preciso ser 3,5 vezes mais rico, nessa proporção já está descontada a inflação.
Na tabela acima, os dados de 2003 estão atualizados pelo IPCA. Em 2003, para se ter uma renda que hoje equivaleria a R$ 3.000, era preciso ter um patrimônio que atualmente corresponderia a R$ 505 mil.
Podemos fazer a mesma conta a preços da época. Há dez anos, com R$ 1.800 era possível comprar basicamente os mesmos itens que hoje valem R$ 3.000. Para ter uma renda de R$ 1.800, era preciso possuir um saldo de cerca de R$ 300 mil, como indica a tabela abaixo.

RENDA DESEJADA EM 2003, EM VALORES DA ÉPOCA E CORRIGIDOS (R$)

Em 2003, para ter uma renda mensal de……que hoje equivaleria a……era preciso ter um saldo em CDB de……que atualmente correspondem a:
1.7683.000297.725505.061
2.9475.000496.209841.769
5.89510.000992.4181.683.537
  • Fonte: BCB e IBGE. Elaboração: Achados Econômicos e Instituto Assaf

Melhora econômica
O fato de ter ficado mais difícil viver de renda pode ser uma notícia ruim para quem juntou algum patrimônio e esperava se aposentar sem precisar contar com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Mas é uma boa notícia para o país como um todo. Se fosse possível deixar qualquer mil reais no banco e viver de juros, quem iria querer trabalhar?
Repare que, enquanto a taxa de juros desabou nos últimos dez anos, o desemprego caiu de 13,1% em agosto de 2003, para 5,3%, no mesmo mês de 2013.
Claro que os juros não caíram por uma canetada do governo, e nem são o único responsável pelo aumento do emprego. Houve todo um contexto de melhora da economia nacional e mundial.
Mais recentemente, no entanto, o quadro piorou, interna e externamente, e por isso a taxa básica de juros voltou a subir. Estava em 7,25% ao ano até abril e agora atingiu 9,5%.
Essa pequena alta pode ser boa para os rentistas. É positiva também para economia em geral no sentido de que inibe a inflação. Mas o ideal seria combater a alta dos preços com outro remédio, o corte de gastos públicos. Só que essa é uma decisão política difícil de ser tomada, especialmente a menos de um ano das eleições.
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10 dicas do Sr. Dinheiro para aprender a poupar e fazer o dinheiro render mais10 fotos

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A melhor forma de poupar é pagar o dízimo para nós mesmos. A dica é do economista Luís Carlos Ewald, conhecido como Sr. Dinheiro. Segundo ele, quem quer poupar precisa retirar 10% do salário assim que receber e, então, guardar em uma aplicação financeira. Enquanto tiver pouco dinheiro, o melhor destino é a caderneta de poupança, a mais fácil e barata das aplicações. Depois, dá para escolher entre as várias aplicações, como fundos, Tesouro Direto, Letras de Crédito Imobiliário ou ações Leia mais Think Stock
Metodologia
O cálculo de quanto é necessário para viver de renda levou em consideração que, aplicando em CDB uma quantia acima de R$ 1 milhão, é possível conseguir um rendimento de 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O CDI é um indicador normalmente muito próximo da taxa Selic.
O estudo considerou a média da taxa Selic (8,8% ao ano) e da inflação (6,05%) em 24 meses – os 12 que já foram e a projeção para os próximos, no caso dos dados de 2013.
Utilizou a alíquota de Imposto de Renda de 15% sobre o rendimento, válida para quem mantém o dinheiro aplicado por dois anos ou mais. Com isso, chegou ao rendimento líquido real mensal de 0,17%.
Foram levantados dados correspondentes de dez anos antes, tendo o mês de outubro de 2003 como centro. A inflação foi de 10,8% ao ano de outubro de 2002 a setembro de 2004; a Selic, de 20,32%.
Para aquele período, o rendimento líquido real mensal ficou em 0,59%.
Em todos os exemplos citados, consideramos como o rendimento que pode ser retirado mensalmente apenas aquele que supera a inflação. Se você sacar tudo o que o seu dinheiro rende, sem se preocupar com a inflação, você perde patrimônio. No longo prazo, verá que a alta dos preços o corroeu totalmente.

Nerdovski: Schwarza e Stallone, enfim juntos (mais o melhor de cada astro)






Roberto Sadovski

Rota de Fuga é o primeiro filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Os Mercenários não conta, já que Schwarza surge em uma ponta. Agora a coisa é séria, com Sly no papel de um “especialista em testar a eficácia de prisões” jogado em um presídio hi-tech, onde ele tem de contar com a ajuda de Schwarza, que faz um detento cheio de mistério, para fugir. É sobre Rota de Fuga, os filmes de ação dos anos 80, e a participação especial de um sujeito que tem tudo a ver com essa época que Nerdovski esta semana chega para você, clique no vídeo abaixo!












http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=-_kIMJnTw3o
Aproveitando a deixa, aproveitei para fazer uma sessão memória e fui atrás dos melhores filmes de Stallone e de Schwarzenegger, uma era em que os filmes de ação iam melhor de músculos.
Stallone, casca grossa, porém sensível…
Rocky, Um LutadorRocky Balboa
(Rocky, 1976; Rocky Balboa, 2006)
Sly escreveu em um fôlego só o roteiro do filme que o tornaria um astro. Rocky, porém, é mais do que isso, é o retrato de uma América derrotada (no Vietnã e em casa) que mostra a força para levantar mesmo ante o mais forte dos inimigos. Quatro filmes de qualidade duvidosa seguiriam, mas Rocky Balboa fechou a saga do boxeador três décadas depois do original com um filme sensível que, mais do que nunca, e ante uma América novamente hesitante, mostrou que o forte não é aquele que bate, mas o que é golpeado e encontra forças para se reerguer.
Rambo: Programado Para MatarRambo II: A Missão
(First Blood, 1982; Rambo: First Blood Part II, 1985)
Talvez o casamento mais perfeito de ator e personagem, o primeiro Rambo passa longe de ser “filme de ação”: é um drama de guerra avassalador, mostrando com violência de que forma os EUA receberam seus veteranos do Vietnã – homens que foram lutar por seu país e retornaram como estranhos, como uma ferida que não quer cicatrizar. O segundo (com roteiro de James Cameron) assume o herói de o país que o abandonou, um homem que ainda assim não perde a fé no sonho. E, pô, suas flechas são mais bacanas que as do Gavião Arqueiro…
Risco Total
(Cliffhanger, 1993)
Depois de um longo período de filmes de quinta, Stallone cometeu este ótimo filme de ação, mais uma vez no papel de um sujeito comum – um alpinista marcado por uma tragédia – que precisa enfrentar seus medos para resgatar um amigo… e dar cabo de um monte de ladrões perigosos. As paisagens geladas, captadas pela lente de Renny Harlin, são de tirar o fôlego. Um filmaço!
Cop Land
(1997)
Stallone queria provar que não se encaixava no estereótipo do herói de ação e protagonizou este drama policial poderoso, dirigido por James Mangold. No papel do xerife de uma cidade que abriga boa parte dos policiais de NY, Sly surge com quilos a mais, longe de sua melhor forma e tendo de mostrar serviço ao lado de Robert De Niro, Harvey Keitel e Ray Liotta. Quer saber? Ele consegue com louvor! Ah, e preste atencão no tiroteio silencioso no clímax do filme: um dos grandes momentos do gênero nos anos 90.
Os MercenáriosOs Mercenários 2
(The Expendables, 2010; The Expendables 2, 2012)
Depois de tantos altos e baixos, Stallone criou uma homenagem ao gênero que o consagrou – e chamou os amigos para dividir o bolo e se divertir na festa. Abraçando todos os clichês dos filmes de ação, o time que traz Jason Stathan, Jet Li e Dolph Lundgren ganhou o reforço de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger (uma ponta no primeiro filme, papeis mais suculentos no segundo), colocou Jean Claude Van Damme como vilão e ainda resgatou a lenda Chuck Norris! Ano que vem tem mais, com Wesley Snipes, Harrison Ford e Mel Gibson na mistura. Só falta Nicolas Cage…

Schwarzenegger, casca grossa, porém… porém nada, só casca grossa
Conan, o Bárbaro
(Conan The Barbarian, 1982)
Schwarza chegou em Hollywood, derrubou algumas portas, mas só encontrou seu par perfeito quando encarnou o cimério criado por Robert E. Howard em Conan, o Bárbaro. Eu mesmo já coloquei meus dois cents sobre a obra prima de John Miliusaqui, mas nunca é demais lembrar o quanto esta aventura fantástica é genial! Tem roteiro de Oliver Stone, Arnold discorrendo sobre o sentido da vida (se você não sabe recitar a frase, precisa fazer a lição de casa), a voz do Darth Vader, criaturas infernais, mulher pelada, sacrifício humano, muito sangue e muita barbárie. Nunca é demais.
O Exterminador do FuturoO Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final
(The Terminator, 1984; T2: Judgement Day, 1991)
James Cameron talvez tenha sido o diretor que melhor entendeu a personacinematográfica de Schwarzenegger, e foi jogada de mestre colocar o austríaco como vilão em O Exterminador do Futuro – um ciborgue assassino que chega ao presente para matar a mãe de uma criança não nascida. Mais genial ainda foi fazer do personagem um herói na continuação, até hoje um dos filmes mais emblemáticos da década de 90. Esqueça os outros, Reveja T1 e T2 numa sessão só e seja feliz.
Predador
(Predator, 1997)
John McTiernan sabia das coisas. Sabia construir clima, sabia dosar efeitos especiais e sabia arrancar o melhor de seu elenco, não importa a ambientação acelerada e fantasiosa que ele comandasse. Foi assim em Duro de Matar e em A Caçada ao Outubro Vermelho, e é assim em Predador, em que Schwarza não é o alfa da história, e sim presa de um caçador alienígena que usa a selva colombiana como campo de batalha. McTiernan ainda dirigiu o astro em outro exemplar de cinema com colhões de outrora: O Último Grande Herói.
O Vingador do Futuro
(Total Recall, 1990)
Uma coisa é inegável: Arnold Schwarzenegger sempre tentou se cercar dos melhores diretores do ramo em seus filmes. O holandês maluco Paul Verhoeven o conduziu nesta adaptação de um conto de Philip K. Dick sobre perda de identidade e a descoberta do que cria a consciência de um homem. Tudo isso para levar Schwarza à Marte em busca de seu verdadeiro eu, salvando rebeldes e mutantes no processo. O design árido e os efeitos fantásticos ajudaram a criar um clássico moderno.
True Lies
(1994)
Em seu último grande filme, mais uma vez sob direção de James Cameron, Arnold é um verdadeiro James Bond moderno, inteligente e com diversas gadgets à disposição. Seu trabalho é tão secreto que nem sua família sabe que ele é um espião. Quando seus dois mundos entram em choque, o resultado é uma aventura exuberante, extremamente bem humorada e que, graças ao traçado geopolítico do mundo no novo milênio, será a única aventura de Harry Tasker e cia. no cinema. Uma pena.
Concorda, discorda? Seu favorito ficou de fora? Quais os piores? A palavra, caro leitor, agora é sua!

Charlie Brown, Snoopy e cia. chegam aos cinemas em (claro) 2015

Charlie Brown, Snoopy e cia. chegam aos cinemas em (claro) 2015 

Roberto Sadovski
De A Família Addams a Garfield, passando por Dick TracyMarmaduke e Popeye, quase todas as mais famosas tiras em quadrinhos já deram o salto para o cinema. Se a mais conhecida do planeta não estava na lista, isso muda em novembro de 2015. É quando Peanuts chega aos cinemas. Para quem não conhece, este é o título original das aventuras de Charlie Brown e sua turma – com o beagle Snoopy, é claro –, que por cinco décadas agraciaram jornais do mundo todo com o traço de seu criador, Charles Schulz. Paul Feig, diretor de Missão Madrinha de Casamento e de As Bem Armadas vai produzir o filme para a Fox ao lado do estúdio Blu Sky, responsável porA Era do Gelo e Rio. A direção será de Steve Martino.
“Quando eu era criança, Peanuts era meu Star Wars”, disse Feig ao Deadline. “Tudo em minha careira foi influenciado por Charles Schultz, especialmente (a série de TV)Freaks and Geeks. Finalmente Charlie Brown e Snoopy serão meus chapas.” O roteiro continua na família do criador de Peanuts e será escrito por seu filho, Craig, e seu neto, Bryan – Schulz morreu em 2000, horas antes de sua última tira ser publicada. Embora o próximo trabalho de Paul Feig seja como diretor na comédiaSusan Cooper (que pode trazer a dupla improvável Melissa McCarthy e Jason Statham), ele diz que trabalhar com Peanuts é um sonho realizado.
Não será a primeira vez que Charlie Brown e cia. ganham versões animadas. Dezenas de especiais foram exibidos na TV americana até 2011, começando pelo vencedor do Emmy O Natal de Charlie Brown, de 1965. O lançamento de Peanuts no cinema em 2015 marca os 65 anos da estreia da tira de quadrinhos, e o cinquentenário do primeiro especial para a TV. Seguindo o padrão atual, é certo afirmar que o filme de Feig/Martino será uma animação em 3D… mas a gente sempre pode ter a esperança que os engravatados mudem de idéia e sigam o caminho cinematográfico de Os Simpsons.  Para você que achava que 2015 já estava um pouquinho abarrotado…

Monopólio e livre mercado - uma antítese

Monopólio e livre mercado - uma antítese
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robber barons.jpgO lugar-comum funciona mais ou menos assim: o livre mercado é inerentemente problemático.  Logo, sempre que ocorre um terrível problema criado pelo livre mercado, há uma brilhante resposta por parte do governo.  A arena da intervenção é variável, mas a certeza de uma solução estatal brilhante é constante.  Nesse artigo, vou-me concentrar exclusivamente na questão dos monopólios. 
Embora a frase já tenha virado clichê, ela é constantemente utilizada pelos acadêmicos: "Quando o livre mercado faz com que surjam monopólios, o governo cria agências reguladoras para controlá-los".  Pelos e-mails que recebo e pelos fóruns de discussão dos quais participo, já observei que esse pensamento é de amplitude mundial - afinal, os intelectuais não variam muito de um país para outro.
A frase é realmente adorável.  Ela contém aquele estilo professor-de-quarta-série em todas as palavras: Sabem, crianças, quando nossos sábios governantes veem pessoas gananciosas tirando proveito do povo, eles tomam medidas enérgicas e corretas, como sempre.  Não fossem eles, todos nós estaríamos vivendo em habitações raquíticas e instáveis, implorando por comida e à mercê de homens de bigode branco carregando sacos recheados de dinheiro com o desenho de um cifrão neles!
Foi exatamente esse tipo de coisa que tive tanto prazer em demolir no meu livro The Politically Incorrect Guide to American History.  E tal pensamento aparece com tanta freqüência que não consigo resistir em desmontá-lo aqui novamente.  (Novamente, vou abordar aqui exemplos que ocorreram nos EUA, não obstante esteja certo de que cada país também tem casos semelhantes).
Dentro da teoria econômica, mais especificamente na área que estuda os efeitos da regulamentação, existe algo chamado 'teoria da captura', que diz que as indústrias que estão sendo reguladas tendem a "capturar" as agências reguladoras, transformando-as em máquinas que lhes garantem privilégio e proteção - e tudo isso utilizando a retórica do bem comum.  [No Brasil, dois exemplos são a ANAC, que protege da real concorrência as (duas) empresas aéreas brasileiras, e a ANATEL, que carteliza as empresas telefônicas]. 
Porém, em prol do debate, vamos facilitar as coisas para os oponentes e vamos ignorar a teoria da captura.  Aliás, vamos ser extremamente benevolentes e ignorar até mesmo os estudos de Gabriel Kolko em Railroads and Regulation (Ferrovias e Regulação), que concluíram que foram as próprias empresas ferroviárias que pressionaram pela criação da Interstate Commerce Commission [agência reguladora cuja função era regulamentar ferrovias para garantir "taxas justas" e eliminar taxas discriminatórias.  Foi abolida em 1995].  Caso não ignorássemos esses estudos, o debate com os oponentes seria um tanto quanto desequilibrado para eles.
Vamos apenas nos ater à afirmação de que o "sistema de livre mercado" leva ao surgimento de "monopólios".  (Para o nosso propósito, podemos definir "monopólio" coloquialmente como sendo a situação em que há um ofertante único, ou um ofertante esmagadoramente dominante, de um bem ou serviço - uma vez que é claramente nesse sentido que as pessoas que dão seus palpites veem um monopólio).  É com esse raciocínio que toda criança é alimentada desde o ensino fundamental; eu mesmo o fui por todo meu ensino médio. 
Em conjunto com essa afirmação, há aqueles relatos sombrios sobre os chamados 'barões ladrões' [gíria americana para todos os empreendedores do séc. XIX que enriqueceram espetacularmente], os quais - dizem-nos - exploravam desapiedadamente o povo apenas para satisfazer suas insaciáveis cobiças - uma inclinação humana que jamais acomete os abnegados servidores públicos, convém acrescentar.
Apenas para esclarecer, ninguém deve tentar justificar aqueles que procuram utilizar o poder do estado para tolher seus concorrentes.  Há uma clara distinção entre empreendedores políticos, que prosperam ao utilizar táticas como essa, e empreendedores de mercado, que prosperam porque produziram aquilo que o público demandava a preços que ele podia pagar.
Vamos a alguns exemplos.
Andrew Carnegie conseguiu, praticamente sozinho, fazer com que o preço do aço para ferrovias caísse de $160 por tonelada em meados dos anos 1870 para apenas $17 por tonelada já ao final dos anos 1890.  Dada a importância do aço para uma economia moderna, essa brutal redução dos preços gerou maior riqueza e um maior padrão de vida para todos.  De fato, Carnegie era tão eficiente que as 4.000 pessoas que trabalhavam em sua planta na cidade de Pittsburgh produziam três vezes mais aço do que os 15.000 trabalhadores da Krupp alemã, o mais moderno e renomado grupo industrial da Europa.
Da mesma forma, John D. Rockefeller foi capaz de reduzir o preço do querosene de $1 por galão para $0,10 por galão.  As pessoas finalmente passaram a poder iluminar suas casas.  Rockefeller também desenvolveu 300 produtos a partir dos resíduos que sobravam após o petróleo ter sido refinado.  As alegações de que Rockefeller era um competidor "desleal" (seja lá o que isso signifique), a lamúria típica daqueles incapazes de ofertar um produto a preços que agradem aos consumidores, foram enterradas definitivamente meio século atrás pelos estudos de John S. McGee publicado no Journal of Law and Economics.  (John S. McGee, "Predatory Price Cutting: The Standard Oil (N.J.) Case," Journal of Law and Economics 1 [Outubro 1958]: 137-69).  É fato que a atual fundação Rockefeller é desprezível, mas não devemos confundi-la com os feitos do empresário Rockefeller.
Também temos de mencionar James J. Hill, que cresceu na pobreza, mas cujas habilidades empreendedoriais moldaram a Great Northern Railroad, uma linha férrea que ligava St. Paul, Minnesota, a Seattle, um enorme sucesso empresarial feito absolutamente sem qualquer subsídio governamental.  Em 1893, quando as ferrovias subsidiadas pelo governo foram à falência, a linha férrea de Hill não apenas foi capaz de cortar suas tarifas, mas também de colher lucros substanciais.
Outro suposto barão ladrão foi Cornelius Vanderbilt.  Em 1798, o governo do estado de Nova York havia concedido a Robert Livingstone e Robert Fulton o monopólio da operação dos serviços de barcos a vapor pelo período de trinta anos.  Vanderbilt foi contratado para gerir esse transporte entre New Jersey e Manhattan, como forma de desafiar aquele monopólio.  Vanderbilt não apenas conseguiu se esquivar das perseguições do governo, como também cobrava apenas um quarto da tarifa praticada pelos monopolistas.
Depois que uma decisão judicial em 1824 derrubou o monopólio concedido pelo estado de Nova York a esse tipo de transporte, a tarifa de uma viagem entre a cidade de Nova York e Albany, a capital do estado, despencou de sete dólares para três.  O trecho Nova York-Filadélfia, que custava três dólares, caiu para um.  Os viajantes que iam de New Brunswick para Manhattan agora pagavam apenas seis cents, e comiam a bordo de graça.  Quando Vanderbilt moveu suas operações para o Rio Hudson, ele cobrava uma tarifa de dez centavos, em contraste aos três dólares que até então eram cobrados pelos concorrentes.  Pouco depois ele decidiu abolir completamente suas tarifas, custeando sua operação exclusivamente com a receita adquirida dos serviços a bordo, os quais ele alugava para outras empresas.
Mesmo quando seus concorrentes tinham vantagens injustas, Vanderbilt conseguia virar o jogo.  O empresário Edward Collins, que também operava barcos a vapor, recebia subsídios do governo para fazer serviço de correios pelo Atlântico - ao valor considerável de $858.000 por ano, na década de 1850.  Quando Vanderbilt entrou no jogo em 1855, ele sobrepujou Collins tanto em número de passageiros transportados quanto em volume de mercadorias - tudo isso sem qualquer subsídio.  O congresso americano acabou cortando os subsídios de Collins em 1858, e pouco tempo depois ele quebrou.
Enquanto isso, Vanderbilt também sobrepujava duas outras empresas de barcos a vapor que levavam passageiros e mercadorias para a Califórnia.  Elas cobravam $600 por passageiro por viagem.  Vanderbilt, novamente sem qualquer subsídio, cobrava $150 por passageiro, e absolutamente nada para entregar as mercadorias.
Desculpe-me, mas deveria eu temer e desprezar esses benfeitores da humanidade? Por quê, exatamente?
Esses homens foram capazes de adquirir porções substanciais de suas respectivas áreas industriais porque consistentemente produziram bens e serviços a preços baixos.  Quando eles paravam de inovar, perdiam sua fatia de mercado.  Não obstante as várias versões cartunescas que os historiadores gostam de fazer daquela época, a concorrência era vigorosa.  Foi somente depois que vários esforços voluntários - conluios, acordos secretos, fusões, e coisas do tipo - fracassaram em desmontar esse ambiente altamente competitivo, que algumas empresas começaram a ver o governo federal e todo o seu aparato regulatório como uma forma de reduzir coercivamente a concorrência.  "Ironicamente, e em oposição ao consenso dos historiadores", escreve Gabriel Kolko, "não foi a existência de monopólios o que levou o governo federal a intervir na economia, mas a total ausência deles."
Falando sobre a situação que defrontava a Standard Oil, Kolko diz:
Em 1899 havia sessenta e sete refinarias de petróleo nos EUA, sendo que uma - a Standard Oil - predominava.  Ao longo da década seguinte, o número aumentou gradualmente para 147 refinarias.  Até 1900, a única concorrente substancial da Standard Oil era a Pure Oil Company, formada em 1895 por produtores da Pensilvânia com um capital inicial de $10 milhões. . . Já em 1906 ela desafiava o domínio que a Standard Oil tinha sobre oleodutos, construindo os seus próprios.  E em 1901 aAssociated Oil of California foi formada com um capital social de $40 milhões, em 1902 a Texas Company foi formada com um capital de $30 milhões, e em 1907 a Gulf Oil foi criada com um capital de $60 milhões.  Em 1911, o total de investimentos da Texas Company, Gulf Oil, Tide Water-Associated Oil, Union Oil of California e Pure Oil era de $221 milhões.  De 1911 a 1926, o investimento da Texas Company cresceu 572%, o da Gulf Oil, 1.022%, o da Tide Water-Associated, 205%, o da Union Oil, 159%, e o da Pure Oil, 1.534%.
O declínio da Standard Oil veio antes da decisão judicial antitruste feita contra ela em 1911, sendo que esse declínio ocorreu "principalmente por sua própria incompetência - responsabilidade de sua administração conservadora e de sua falta de iniciativa".
Na realidade, era muito difícil para as grandes empresas manterem sua posição dominante em várias áreas industriais dos EUA do final do século XIX.  Isso era válido para ramos industriais tão diversos quanto petróleo, aço, ferro, automóveis, maquinaria agrícola, cobre, acondicionamento de carne e serviços de telefonia.  A concorrência era extremamente vigorosa.
Sempre que você ouvir líderes empresariais criticando o livre mercado, esteja certo de que eles estão querendo substituí-lo por um arranjo mais propenso a garantir seus lucros.  Qualquer retórica que porventura possamos ouvir deles sobre os malefícios da suposta concorrência predatória, ou sobre a necessidade de se colocar de lado questões privadas para benefício do bem comum, é mera camuflagem criada para ludibriar os ingênuos - aqueles que cantam glórias à "responsabilidade social" dessas empresas -, escondendo deles suas reais intenções.
Durante a década de 1920 tornou-se moda sugerir que o laissez-faire era coisa do passado, um sistema tolo e desacreditado que deveria ser substituído pelas leis da "concorrência justa", que deveriam ser estabelecidas para todas as indústrias.  Um empresário chegou a reclamar que "nossos lucros estão completamente desprotegidos".  Pobrezinho.  Uma associação de classes que representava os empresários condenava qualquer agente privado que operasse seus negócios "em total descaso para com os efeitos sobre seus concorrentes e sobre o resto do setor".  A Associação dos Engarrafadores de Bebidas Gasosas declarou: "Meu desejo não deve ser o de ofertar bens a preços mais baixos que os dos meus companheiros engarrafadores, mas batalhar com eles pelo primeiro lugar na qualidade dos meus produtos e no serviço que presto a meus clientes."  Apelos desse tipo apareciam em todas as revistas de negócios.
Durante os anos iniciais do New Deal, essas conspirações contra o público ganharam força de lei na forma doNational Industrial Recovery Act [leia mais detalhes aqui], o qual o administrador High Johnson chamou de "o maior avanço social desde os dias de Jesus Cristo".  O importante estudo de Butler Shaffer, In Restraint of Trade: The Business Campaign Against Competition, 1918-1938, fornece todos os detalhes.
O motivo pelo qual as empresas sempre se mostraram ávidas por utilizar o poder estatal em seu próprio interesse é que a coerção solidifica sua posição de maneira muito mais efetiva do que o livre mercado, o único sistema em que são os consumidores que controlam os empresários.  No livre mercado, essas empresas têm de servir o consumidor de maneira eficaz - caso contrário, elas fecham as portas.  Mesmo as corporações mais poderosas já aprenderam essa lição.  Quando uma empresa fracassa em servir bem o consumidor, o mercado a leva à lona.  É por isso que várias delas recorrem ao governo para socorrê-las.
É o governo, com seus subsídios, privilégios especiais e restrições de concorrência - sem falar de quando ele saqueia abertamente o público para ajudar interesses privilegiados, seja na forma de pacotes de socorro ou na forma de obras públicas com empreiteiras privadas - quem promove o monopólio propriamente dito e que garante vantagens verdadeiramente injustas para alguns à custa de todo o resto.
Sempre que você quiser serviços de qualidade a preços baixos, você tem de ir para o livre mercado.  Sempre que você quiser que o consumidor tenha poder sobre as empresas, você tem de ter um livre mercado.  Agora, se você quiser que interesses especiais adquiram privilégios sobre todo o resto, que a concorrência seja suprimida, que os preços sejam altos e os serviços sejam precários, você precisa ter o governo controlando o mercado.
Como o mundo seria diferente se conceitos tão simples quanto esses fossem ensinados desde cedo às crianças.
Thomas Woods 
é um membro sênior do Mises Institute, especialista em história americana.  É o autor de nove livros, incluindo os bestsellers da lista do New York Times The Politically Incorrect Guide to American History e, mais recentemente, Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse. Dentre seus outros livros de sucesso, destacam-se Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (leia um capítulo aqui), 33 Questions About American History You're Not Supposed to Ask e The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (primeiro lugar no 2006 Templeton Enterprise Awards). Visite seu novo website.